Sobre o disco "
In A Silent Way",
aqui referenciado, recebi o seguinte email que não resisto a publicar:
"É fantástico teres destacado o In a Silent Way, pois é para mim (e não só) um dos principais marcos na história do Jazz. O senhor Miles Dewey Davis, (filho de um dentista negro de classe média alta, e que proporcionou ao jovem músico a hipótese de estudar na Julliard) a quem eu chamo (
as a joke) lanterna que vai à frente alumia duas vezes mais, pelas suas magníficas e geniais capacidades vanguardistas e visionárias (sempre que saía um novo disco os críticos exasperados lamentavam-se confessando: "Agora que estávamos a começar a entender e progressivamente absorver os avanços e inovações que o último disco do Miles contém, ele surge com um novo! Assim nunca mais o alcançamos!!". Pois precisamente o Silent Way não só constituiu um novo patamar, como é um marco de viragem da maior magnitude, na discografia do trompetista nascido em Alton, Illinois, e principalmente na principal contribuição cultural para a Humanidade, por parte dos norte-americanos (principalmente os afroamericanos): o Jazz. Até então a principal força motriz era fornecida pela dinâmica do tempo quaternário (ou 4/4) do walkin' bass, intimamente ligado ao swing da baqueta produzindo polirritmia no prato livre (ou ride cymbal). Se bem que já houvera experiências com outros tempos, ternários (Valse Hot - Rollins), ou mesmo 5/4 (Take Five - Brubeck, Desmond), a cadência swingante do walkin' era omnipresente. Obviamente influenciado por toda a agitação política, social e cultural dos sixties, Miles decide-se a enveredar por um novo caminho, a new way, ... a silent way! E é então que, em estúdio, "diz" ao jovem Tony Williams para executar a mesma figura rítmica nos pratos de choque* durante, imagine-se, 20 minutos!!! O incrédulo Williams ainda arriscou: -"nem breaks, nem tarola (snare), só hihat??". Miles retorquiu: -"Yeah, man, it's a ...Schh, peacefull... tune. Dig it?" O Jazz iria mudar para sempre... a partir daqui nasceu o Jazz-rock, a Fusion, o Crossover, o Funkye (não confundir com o outro, da West Coast, do Timmons, Adderley Brothers, etc..), o Jazz eléctrico, e... daquela malha de hi hat iria surgir, anos mais tarde, pela mão da Motown e dos irmãos Gês (Bee Gees) a ... Disco Sound. É espantoso, como o Miles altera, naquela sessão de gravação de 1967 ou 68, todo o futuro rumo não só do Jazz como do... show bizz!
*(hi-hat = cartola; ou charleston, em francês; ambos apontando para os loucos anos 20, quando este elemento foi acrescentado ao set da bateria de Jazz) "