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stereo (2K)
2006/01/31

Clube Fórum Sons!


Atenção! Achtung! Attenzione! Cancelem todos os planos que tinham na agenda para a noite da próxima quinta feira! Dia 2 de Fevereiro é dia do Clube Fórum Sons regressar e o bar Left (em Santos, ver mapa no site) acolhe o grande evento. Eu serei um dos DJs a animar a noite, por isso esperem música com elevado teor de swing e liberdade - os amigos Monster of the Parasol e Dog_Man_Star completarão a noite. Convocam-se todos os leitores, visitantes e amigos a comparecer no Left Bar - Lg Vitorino Damásio 3F, Santos, Lisboa - para a mais animada das festas. Encontramo-nos lá!


Nostalgia



Ernesto Rodrigues & Hans W Koch: "Nostalgia"
[CtrAltCanc, 2006]

Acaba de ser editado o mais recente trabalho do violinista Ernesto Rodrigues. Esta edição é um duo com o alemão Hans W Koch, editado pela netlabel CtrAltCanc. "Nostalgia" é o resultado da combinação de ideias de uma dupla que gera um evoluir constante de texturas que se alimentam progressivamente. Hans W Koch manipula a lógica electrónica, pela intromissão de bips e blips numa cadência marcadamente irregular. Ernesto Rodrigues introduz outros elementos, por vezes registos suaves, outras vezes arrancando à força do violino rangidos da madeira. Seguindo a clássica estética lowercase, raramente a música sobe o volume – uma das raras ocasiões em que tal acontece é no crescendo final da primeira peça. Entre as quatro faixas que preenchem esta edição, "Nostalgia" prende pela atenção microscópica que é dada ao detalhe, a cada instante sonoro, a cada ínfimo pormenor. E, apesar de se tratar de uma parceria, o produto final soa coerente e coeso. O download desta gravação pode ser efectuado aqui.

Notícia adiconal:
Na próxima 5ª feira, 02/Fev, pelas 23h, o Luso café acolherá um trio constituído por Ernesto Rodrigues (violino), Nuno Torres (sax alto) e Miguel Bernardo (clarinete).

2006/01/30

Aldo Romano @ Culturgest


Sábado, 4 de Fevereiro, é o dia da estreia mundial dos DOPO na Galeria Zé dos Bois. No entanto, quem (por alguma indecifrável razão) não aprecie os mágicos sons de "Last Blues, To Be Read Someday", tem como alternativa o trio do baterista Aldo Romano na Culturgest.

Aldo Romano nasceu em Belluno, Veneto, Itália, em 1941. Os seus pais emigraram para França, era ele muito novo. Mas manteve a nacionalidade italiana. Autodidacta, começou pela guitarra antes de, tinha então 20 anos, se decidir pela bateria, ao ouvir o grupo de Donald Byrd com o baterista Arthur Taylor. Em Paris, nos clubes de jazz, nos inícios dos anos 1960, tocou com grandes músicos americanos de visita à Europa, como Jackie McLean, Bud Powell, Stan Getz ou Kenny Drew. Em 1964 fazia parte de um grupo de free jazz e em 1965 era profissional, trabalhando com Carla Bley, Steve Lacey, Enrico Rava, Gato Barbieri, Don Cherry, entre outros. No final dessa década tocou ou fez digressões com, nomeadamente, Dexter Gordon, Jean-Luc Ponty, Michel Portal, Phill Woods, Joachim Kühn, Keith Jarrett. Formou o seu primeiro grupo, “Total Issue”, em 1970, seguido, em 1974, de um outro, “Pork Pie”, explorando os caminhos, então em voga, da fusão do rock com o jazz. Nos finais dos anos 70 gravou os seus primeiros discos como líder, também eles resultados de encontros diversos. No início dos anos 80 conheceu Michel Petrucciani cuja carreira lançou, apoiando-o durante três anos, compondo para ele vários temas e gravando diversos álbuns. No final da década, além de ter tocado com Chet Baker ou René Urtreger, formou um quarteto italiano com Paolo Fresu, Franco d’Andrea e Furio Di Castri com quem gravou quatro discos, um deles, Canzone, revisitando canções populares. Instrumentista versátil e original, Aldo Romano é igualmente um músico e compositor imaginativo, que ultrapassa as fronteiras do jazz académico, sem qualquer espécie de demagogia musical, explorando temas evocativos das mais diversas origens geográficas (América Latina, África, Europa, para além dos Estados Unidos) quer de música popular, quer de música erudita, reiventando-se, experimentando novos estilos, participando em numerosas e diversificadas formações. Em 2004 recebeu o prestigiado Jazzpar, o mais importante prémio de jazz internacional, consagrando uma carreira ímpar. Nesse ano, com Danilo Rea ao piano e Remi Vignolo no contrabaixo, gravou Threesome, CD largamente premiado e que está na base do concerto que vem fazer à Culturgest. Aldo Romano é um dos nomes maiores do jazz europeu.

2006/01/29

Zé Eduardo @ ZdB



Zé Eduardo Unit

Trio liderado por Zé Eduardo (contrabaixo), com Jesus Santandreu (sax tenor) e Bruno Pedroso, editou em 2004 «A Jazzar No Zeca», trabalho sobre os «motifs» melódico-líricos presentes na obra de Zeca Afonso, mesclados com improvisação de jazz, escola do hard bop, entretecida com o conhecimento do «free» como visto por Coltrane ou Steve Lacy. Celebrado docente, arranjador e músico na Península Ibérica, Zé Eduardo tem sido figura presente, há mais de 20 anos, em escolas, orquestras e workshops de jazz por Portugal e Espanha, deixando obra em todos os locais por onde passa, sempre em estadias de vários anos e de trabalho constante.

Quinta-feira, 2 de Fevereiro, 23h00
Galeria Zé dos Bois
Rua da Barroca 59 (Bairro Alto), Lisboa
Entrada: 6€

Discos Essenciais #10


Grande suite jazzística daquele que foi, porventura, o mais interventivo contrabaixista da história do jazz. Participam nesta gravação nomes como Charlie Mariano, Jaki Byard, Dannie Richmond, entre outros.


Charles Mingus: "The Black Saint and the Sinner Lady"
[Impulse, 1963]

DOPO Ao Vivo!



DOPO, ao vivo na Galeria Zé dos Bois. Sobre eles, escreveu Eduardo Chagas:

"(...) Há qualquer coisa de muito atraente neste arranhar imperfeito e inacabado que se aproxima muito de um estado que convida à ascese partilhada. É para aí que converge o espírito da liberdade que esconjura todos os que lhe são adversos. Segredo? Trabalho, memória e talento musical. Ouço o EP vezes sem conta e sinto que a música já me corre nas veias. Maravilhas da administração sonora intravenosa."

Diggin'




2006/01/27

Cena Espírita



Entrevista CAVEIRA @ bodyspace


2006/01/26

Fórum Jazz


É o local onde se discute jazz em português. Álbuns, concertos, músicos, generalidades. Novidades, críticas, discussões. De John Zorn a Carlos Zíngaro, de Tim Berne a Bernardo Sassetti. Tudo o que interessa a quem gosta de jazz, aqui:

http://freejazz.sublimesp.com

Olivia



Olivia: “12”
[Tratore, 2005]

“She was a fast machine, she kept her motor clean, she was the best damn woman that I ever seen.” Estes versos iniciam a música “You Shook Me All Night Long” dos tenebrosos AC/DC. E é esta mesma música que, numa versão bossa-nova-levezinha, abre o disco “12” da brasileira Olivia. Olivia é uma cantora com algumas afinidades com o jazz e que tem neste“12” o seu quarto disco. E este disco é composto por um conjunto de versões de temas extremamente conhecidos - versões bossa nova, embora o carimbo da capa (“jazzy stuff”) também confirme um espírito vagamente jazzístico. Algumas músicas são mesmo surpreendentes pelo modo inesperadamente despido como são abordadas - todo o disco, aliás, está assente na trindade voz/baixo eléctrico/teclados . Entre os artistas revistos estão os Rolling Stones (“I’m Free”), Aerosmith (“What It Takes”), Stevie Wonder (“Superstition”) e Cream (“Sunshine of your Love”). É por aqui que o disco ganha, pela diferença e simplicidade com que reinventa clássicos rock. Mas a melhor surpresa está no meio do disco, à faixa número 8: “Mockingbirds”, o grande tema de Grant Lee Buffalo, é aqui revisto com desarmante elegância, mantendo quase toda a alma do original (a culpa maior será do autor Grant Lee Phillips, que fez uma canção inquebrável). Depois há ainda alguns clássicos da MPB (Ary Barroso, Tom Jobim, Caetano Veloso), que não acrescentam mais do que simpatia. O design do cd aproxima-se aos pastiches downtempo/chill-out, mas relembra em simultâneo o charme das fotos granuladas de Elis. A lembrança imediata é Bebel Gilberto e neste campeonato, das jovens vozes brasileiras, Olivia não chega à graça da Bebel filha do João, mas mostra uma agradável frescura. No fundo não há jazz, apenas popzinha fresca, com graça e leveza, em português e com sotaque.

Mais informações aqui.

Discos Essenciais #9


Jazz, soul, funk, free, spoken word, amor e política, tudo junto. Magistralmente conduzido pelo saxofone de Archie Shepp, disco intenso até à medula.


Archie Shepp: "Attica Blues"
[Impulse, 1972]


(Atenção, esta sequência dos "discos essenciais" não tem qualquer ordenação.)

G Free Unit



2006/01/25

Thirteen


O meu amigo Miguel Azevedo sugeriu e eu, com muito prazer, colaboro na promoção. Uma óptima e variada selecção de temas jazz, com o título "Thirteen", está agora ao vosso dispor.

Agradar a Gregos e Troianos. Não que seja fácil, mas já antes houve quem o conseguisse o que prova que não é de todo impossível (Até porque reza a geografia que a Grécia e a antiga Tróia não distam assim tanto). Thirteen é isso mesmo. Não passa de uma compilação, não tem como objectivo a reunificação da Rússia ou a paz no mundo, mas visa ser uma cena agradável, quer para quem sabe de cor qual foi o décimo-quarto disco do Sun Ra, fora participações e projectos, quer para quem "Diana Krall" seria o primeiro nome se lhe fossem perguntadas as graças de alguns Jazz performers. De Dizzy Gillespie a David Binney, passando por uma introdução que requer horas infinitas de reflexão para lhe achar uma relação com a cena de storyville, e esperando que o knockout não passe do quinto round, esta é uma compilação que reúne algumas das cenas que eu mostraria a quem quer saber o que é a New Thing ou para quem quer impressionar as amigas ao som de Albert Ayler. Espero sinceramente que gostem. (Miguel Azevedo)


01. Introduction.
02. The Bad Plus. Big Eater.
03. David Binney. Last Minute.
04. Art Blakey. Sincerely Diana.
05. Zs. Karate.
06. Albert Ayler. Ghosts: First Version.
07. Tim Berne. Jalapeño Diplomacy.
08. Julius Hemphill. Rites.
09. Mal Waldron. Thirteen.
10. Tomasz Stanko. Soul of Things, Variation III.
11. Dizzy Gillespie. Salt Peanuts.
12. Paul Flaherty. Full Emptiness.

Download directo.

2006/01/24

É a loucura dos saldos! Pague 1 e veja 2 concertos da Nobody's Bizness!


É loucura total amigos!, a Nobody's Bizness está em saldos, com blues da maior qualidade em dose dupla na mesma semana. Temos de tudo, de New Orleans a Chicago até ao delta do Mississipi, e tudo vezes dois, contas feitas, é mais que muito para saciar as fomes musicais até ao mais exigente dos clientes desta grande instituição do blues nacional.

É então a dobrar que vamos, em fila indiana, visitar dois bairros históricos da cidade dos sismos, para concertos a preço de amigo dia 26 e dia 28 de Janeiro, Quinta-feira e Sábado, o primeiro no Catacumbas e o segundo, num aguardado regresso ao mercado de sons do Santiago Alquimista. Levamos na banca blues a preços de fábrica, com descontos inéditos na história da musica e prometemos não deixar ninguém insatisfeito.

Temos blues para todos os tamanhos, cores, estômagos e candidatos a S. Bento, tecidos com as mais puras malhas de guitarra e com acabamentos harmónicos de qualidade imbatível, tudo, tudo vezes dois.

Recapitulando, porque não queremos que ninguém se sinta desnorteado em tanta música, dia 26, Quinta-feira, levamos a banca azul até ao Catacumbas, às 23h31m, com entrada livre a quem vier vestido de verde, branco e fuschia. Dia 28, Sábado, corremos então até ao Santiago Alquimista, onde os blues estão em saldos a partir das 0h00 (ok, dirão os espertalhões que nesse caso o concerto é a 29, mas escolhemos ignorá-los), entrada a 5 Euros. Para mais informações sobre este último e inclusive um passatempo que vos permitirá ganhar entradas simples para o espectáculo (é a glória, amigos, a glória!), consultem o site renovado do S A em http://www.santiagoalquimista.com.
Quem não sabe quem somos nem o que fazemos, tem de aproveitar agora, enquanto duram os saldos.

Corram a espalhar isto aos vossos amigos e amigas. Juram os mais crentes que se encontra o amor nos saldos da Nobody's Bizness. Não desmentimos nem confirmamos, mas quem não for nunca vai descobrir, não é?


www.myspace.com/nobodysbiznessband

Um Dia a Caixa Vem Abaixo



O festival do novo rock português: Bypass, Ölga, Lemur, Linda Martini, CAVEIRA, Loosers. Sexta e sábado, na Caixa Económica Operária.

Música Comentada


Dando continuidade ao ciclo de música comentada iniciado por Raul Calado, a SPA vai promover mais um conjunto de sessões, agora com José Duarte, que falará de músicos, correntes e estilos da história do "jazz", e com António Cartaxo, que dedicará as suas intervenções a compositores e obras marcantes de vários séculos de música erudita.Tanto José Duarte como António Cartaxo, ambos cooperadores da SPA, mantêm na RDP programas de êxito sobre as áreas musicais em que são especialistas, designadamente "Cinco Minutos de Jazz" e "Grandes Músicas". As sessões programadas para a SPA e a realizar no Auditório Frederico de Freitas do edifício sede, na Avenida Duque de Loulé 31, com início às 18h30, constituirão uma oportunidade de ver e ouvir ao vivo grandes comunicadores e divulgadores de músicas de qualidade. A entrada é livre.

Programa:

José Duarte (2ª feira)
30/Jan: "Quem foi Charlie Parker?"
06/Fev: "Be Bop, Cool jazz, Funky, New Thing"
13/Fev: "Jazz Contemporâneo. E o futuro?"

António Cartaxo (5ª feira)
23/Fev: "De Bach aos Nossos Dias" I
02/Mar: "De Bach aos Nossos Dias" II
09/Mar: "De Bach aos Nossos Dias" III
16/Mar: "De Bach aos Nossos Dias" IV

Fest Forward #2


Acaba de ser lançado o segundo número da revista Fest Forward. Nesta edição o destaque principal vai para o Fantasporto 2006, para além da habitual informação sobre outros festivais: música, cinema, teatro, dança, artes plásticas, design e bd. Para festejar o lançamento deste número está prometida para a próxima 5ª feira, dia 26, uma grande festa no Bartô (Chapitô, Costa do Castelo, Lisboa) onde vários DJs, com destaque para o funkólico Cookiegui, animarão a noite. A revista está a partir de agora disponível nas bancas por todo o país.


2006/01/22

Discos Essenciais #8


Três dos maiores nomes da história do jazz, reunidos: Duke Ellington, Charles Mingus e Max Roach. E um disco fabuloso.


Duke Ellington, Charles Mingus & Max Roach: "Money Jungle"
[Blue Note, 1962]

Solidariedade


26/Janeiro, 22H30
NOITE LONGA DE SOLIDARIEDADE COM ZÉ DA GUINÉ

Bernardo Sassetti: piano
Carlos Barretto: contrabaixo
Alex Frazão: bateria
Carlos Martins: saxofone
Mário Delgado: guitarra

Grande dinamizador da noite de Lisboa durante duas décadas, Zé da Guiné fez história ao criar um estilo único no célebre "noites longas" (actual B.leza). Atraindo como um iman boa parte da comunidade artística, alimentou amizades oriundas da musica, artes plásticas, teatro, cinema, moda, televisão, jornalismo, desporto. Na frenética capital dos anos 80, quem andasse à procura do moderno e novo tropeçava nele. O Zé marcou essa época com o seu sorriso, a sua desconcertante boa educação, a sua originalíssima forma de vestir que influenciou estilistas de moda, mas sobretudo pelo seu contributo como fomentador de uma certa modernidade cultural lisboeta. Por tudo isto lhe estamos gratos. Agora o Zé da Guiné precisa da nossa ajuda pois contraiu, há uns anos, uma doença grave do foro neurológico e nós os amigos que lhe devemos, queremos ajudá-lo. E acreditem que tudo o que nós dermos é pouquíssimo comparado com o que ele nos deu e que irá durar para além de nós.

Onda Jazz
Arco de Jesus, n°7
Alfama - Lisboa

Noizdb



Damo Suzuki + CAVEIRA @ ZdB


2006/01/21

Silent Way


Sobre o disco "In A Silent Way", aqui referenciado, recebi o seguinte email que não resisto a publicar:

"É fantástico teres destacado o In a Silent Way, pois é para mim (e não só) um dos principais marcos na história do Jazz. O senhor Miles Dewey Davis, (filho de um dentista negro de classe média alta, e que proporcionou ao jovem músico a hipótese de estudar na Julliard) a quem eu chamo (as a joke) lanterna que vai à frente alumia duas vezes mais, pelas suas magníficas e geniais capacidades vanguardistas e visionárias (sempre que saía um novo disco os críticos exasperados lamentavam-se confessando: "Agora que estávamos a começar a entender e progressivamente absorver os avanços e inovações que o último disco do Miles contém, ele surge com um novo! Assim nunca mais o alcançamos!!". Pois precisamente o Silent Way não só constituiu um novo patamar, como é um marco de viragem da maior magnitude, na discografia do trompetista nascido em Alton, Illinois, e principalmente na principal contribuição cultural para a Humanidade, por parte dos norte-americanos (principalmente os afroamericanos): o Jazz. Até então a principal força motriz era fornecida pela dinâmica do tempo quaternário (ou 4/4) do walkin' bass, intimamente ligado ao swing da baqueta produzindo polirritmia no prato livre (ou ride cymbal). Se bem que já houvera experiências com outros tempos, ternários (Valse Hot - Rollins), ou mesmo 5/4 (Take Five - Brubeck, Desmond), a cadência swingante do walkin' era omnipresente. Obviamente influenciado por toda a agitação política, social e cultural dos sixties, Miles decide-se a enveredar por um novo caminho, a new way, ... a silent way! E é então que, em estúdio, "diz" ao jovem Tony Williams para executar a mesma figura rítmica nos pratos de choque* durante, imagine-se, 20 minutos!!! O incrédulo Williams ainda arriscou: -"nem breaks, nem tarola (snare), só hihat??". Miles retorquiu: -"Yeah, man, it's a ...Schh, peacefull... tune. Dig it?" O Jazz iria mudar para sempre... a partir daqui nasceu o Jazz-rock, a Fusion, o Crossover, o Funkye (não confundir com o outro, da West Coast, do Timmons, Adderley Brothers, etc..), o Jazz eléctrico, e... daquela malha de hi hat iria surgir, anos mais tarde, pela mão da Motown e dos irmãos Gês (Bee Gees) a ... Disco Sound. É espantoso, como o Miles altera, naquela sessão de gravação de 1967 ou 68, todo o futuro rumo não só do Jazz como do... show bizz!
*(hi-hat = cartola; ou charleston, em francês; ambos apontando para os loucos anos 20, quando este elemento foi acrescentado ao set da bateria de Jazz) "

Rui Azul

19h30, ao Cais do Sodré


Desta vez, só a imagem.


Bechir Saade, Ernesto Rodrigues e Wade Matthews
20/01/2005, Trem Azul.

2006/01/20

The Wire, Jan 06



Destaques: Edan, Derek Bailey 1930-2005, Steve Reid, Bardo Pond, Battles, Birgit Ulher, Sleeparchive. Reviews: Otomo Yoshihide, Joelle Leandre, John Butcher & Eddie Prevost, Zu, The Nevermet Ensemble de Miguel Cabral, entre outros.

Free Nonet @ Hot Clube



Texto sobre o concerto do noneto free no Hot Clube de Portugal.

Discos Essenciais #7


Registo elementar da orquestra-astral-intergaláctica-do-infinito, nave tripulada sob orientação de Sun Ra, o cérebro alienígena responsável por algumas das mais espectaculares reinvenções sonoras. Lunático, pois. E génio. Dos maiores de sempre.


Sun Ra: "Space Is the Place"
[Impulse, 1972]

2006/01/17

Free Nonet


18.01.2006 / 23h
Hot Clube de Portugal

FREE NONET
Ernesto Rodrigues / violin, viola
Ricardo Pinto / trumpet
Eduardo Lála / trombone
Alípio Carvalho / tenor saxophone
Peter Bastiaan / alto saxophone
Manuel Mota / electric guitar
Rodrigo Pinheiro / piano
Hernâni Faustino / double bass
Rui Gonçalves / drums

Discos Essenciais #6


Antes da tempestade de "Bitches Brew", a fusão do génio com a electricidade aconteceu de uma maneira pouco silenciosa. Todos juntos: Miles Davis, Wayne Shorter, Chick Corea, Herbie Hancock, Joe Zawinul, John McLaughlin, Dave Holland, Tony Williams. Um dos grandes discos de sempre, um dos discos da minha vida.


Miles Davis: “In A Silent Way”
[Columbia, 1969]

Wade Matthews & Friends + Patek @ Trem Azul


O grupo constituído pelo norte-americano Wade Matthews, por Bechir Saade e pela dupla Rodrigues (Ernesto e Guilherme) forjou uma sessão extrema de lowercase, sustentada na concentração do quarteto que optou por seguir numa estrada constante de baixa latitude, sem medo do silêncio - acima de tudo, notou-se uma permanente consciência colectiva. Logo depois entrou o grupo Patek, que estava previsto actuar como trio mas que se transformou em quinteto. Conduzido pelo saxofone em brasa de Alípio Carvalho o grupo fez uma viagem pelas curvas intensas do free jazz. Depois de mais um bom dia de concertos na Trem Azul (agora também em saldos), aguarda-se o próximo – é já na próxima sexta feira.

2006/01/16

Concertos Trem Azul, Janeiro


17/Janeiro
Patek Trio
+
Wade Mathews: clarinete baixo, flauta alto e electrónicas
Ernesto Rodrigues: violino, viola
Guilherme Rodrigues: violoncelo
Bechir Saade: clarinete baixo

20/Janeiro
Bechir Saade: clarinete baixo
+
Wade Mathews: clarinete baixo, flauta alto e electrónicas
Guilherme Rodrigues: violoncelo
Ernesto Rodrigues: violino, viola
Carlos Santos: electrónicas

Trem Azul Jazz Store
Rua do Alecrim 21A, Lisboa
19h30 | 2euros

Rock'n'Cave


Estão agora disponíveis no site e blog Rock'n'Cave algumas reportagens fotográficas de eventos que decorreram na Casa da Música: John Zorn COBRA, Marc Ducret Solo & Workshop e Don Byron Workshop.

http://www.rockncave.org
http://rockncave.blogspot.com

Saldos Pt.2


Regressado de uma fantástica semana de férias, aproveitei para bisbilhotar o que resta dos saldos. Após a visita a uma loja do Bairro Alto trouxe para casa mais três discos de free jazz: dois clássicos, Dave Burrell ("Echo", BYG/Actuel 1969) e Byron Allen ("Byron Allen Trio" ESP-Disk 1964), e um mais recente, o duo Borah Bergman/Evan Parker ("The Fire Tale", Soul Note 1994).


Byron Allen: "The Byron Allen Trio"
[ESP-Disk, 1964]


Dave Burrell: "Echo"
[BYG/Actuel, 1969]


Borah Bergman & Evan Parker: "The Fire Tale"
[Soul Note, 1994]

2006/01/09

Saldos 2006


Janeiro, época de saldos, é sempre a altura do ano mais esperada pelos melómanos. Agora que a "época de caça" já abriu, tratei de trazer algumas coisinhas para casa. Tudo rapinado de lojas em Lisboa, entre 2,99 e 4,99€. Há mais por aí, é só procurar!


Eddie Henderson: "Sunburst"
[Blue Note, 1975]


Derek Bailey: "Guitar, Drum'n'bass"
[Avant, 1996]


Eddie "Lockjaw" Davis & Shirley Scott: "Jaws"
[OJC, 1958]


Sunny Murray: "Sunny Murray"
[ESP, 1966]


Ornette Coleman & Prime Time: "Tone Dialing"
[Harmolodic, 1995]


Andrew Hill: "Dusk"
[Palmetto, 2000]


Elvin Jones: "In Europe"
[Enja, 1992]


Buck Clayton: "All Stars 1961"
[Storyville, 1961]


Jean-Marc Montera: "Hang Around Shout"
[FMP, 1995]


Nat Adderley Quintet: "Blue Autumn"
[Evidence, 1983]


Jackie McLean: "A Ghetto Lullaby"
[Steeplechase, 1973]


Rahsaan Roland Kirk: "Rip, Rig & Panic"/"Please Don't You Cry Beautiful Edith"
[EmArcy, 1967]


Rahsaan Roland Kirk: "Here Comes the Whistleman"
[Atlantic, 1967]

2006/01/08

AA Tigre & Free Improvisors @ Trem Azul


Neste passado sábado a loja Trem Azul foi palco de um espectáculo de música improvisada que reuniu músicos de Madrid e Lisboa. Sob a designação AA Tigre & Free Improvisors, juntaram-se no palco sete músicos que desenvolveram uma notável sessão de improvisação centrada em aproximações ao silêncio, onde a concentração colectiva foi impressionante – ainda mais admirável porque foi a primeira vez que tocaram juntos. A orientação era dada pelos sopros (Andres Velazquez em sax tenor/flugelhorn e Jesus Ramirez na tuba) ao lado de Ernesto Rodrigues (viola/violino), seguindo-se os sublinhados oportunos do violoncelo de Guilherme; o clarinete juntava-se às sugestões dos sopros, formando um trio que quase não tocou notas, apenas efeitos; as guitarras (eléctrica e acústica preparada) acrescentavam outros efeitos, por vezes quase imperceptíveis. Depois de dois primeiros temas extremamente sossegados, houve espaço para descomprimir no tema final, com crescendos um pouco mais abrasivos. Inesperadamente, uma união ibérica em improvisação reconfortante.

Discos Essenciais #5


Obra maior do maior saxofonista de todos, manifesto supremo do jazz mais livre de sempre.


John Coltrane: "Ascension"
[Impulse, 1965]

2006/01/06

Free Improvisors



AA TIGRE AND FREE IMPROVISORS
Andres Velazquez, sax
Rafael Pozo, guitarra eléctrica
Miguel Benardo, clarinete
Julio Camarena, guitarra
Jesus Ramirez, tuba
Ernesto Rodrigues, violino

7 Janeiro, 19h30 (3 €)
TREM AZUL JAZZ STORE (Rua do Alecrim 21A, Lisboa)

8 de Janeiro, 22h30 (3 €)
LISBOA BAR (Rua da Trindade 7, Lisboa)

2006/01/03

Never Fear Jazz Is Here


Quase um ano depois do primeiro lançamento ("Stardust"), é agora lançada agora a segunda compilação oficial d'A Forma do Jazz. "Never Fear Jazz Is Here" é uma recolha variada que alterna velhos standards com free jazz e baladas com momentos improvisados - orgulhoso e sem preconceitos, jazz nas suas diversas formas. Não temais, o jazz está aqui. Bom ano 2006!


01 Von Freeman - "Never Fear Jazz Is Here"
02 Dexter Gordon - "I Guess I'll Hang My Tears Out to Dry"
03 Cato Salsa Experience and The Thing with Joe McPhee - "Art Star"
04 Sidney Bechet - "Baby Won't You Please Come Home"
05 Aki Takase, Alex von Schlippenbach & DJ Illvibe - "Utrecht"
06 Charles Tolliver - "Earl's World"
07 William Parker Violin Trio - "Holiday for Flowers"
08 Albert Ayler - "Spirits"
09 Jon Hassell - "Warm Shift"
10 Steve Lacy & Roswell Rudd Quartet - "Skippy"
11 Peter Brötzmann, Misha Mengelberg & Han Bennink - "Brötzmann"
12 Johnny Hodges - "The Very Thought of You"
13 Vandermark 5 - "Gazzelloni"
14 Rufus Harley - "Nobody Knows the Trouble I've Seen"
15 Frank Morgan - "It Might As Well Be Spring"
16 Spring Heel Jack - "Double Cross"
17 Derek Bailey - "Rockin' Chair"
18 Jane Ira Bloom - "Time After Time"


Download aqui.

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