
Está quase a começar a edição deste ano do "Jazz Em Agosto", o festival mais aguardado por estas bandas. A edição deste ano confirma o festival como um dos mais importantes eventos europeus orientados para o free jazz e música improvisada. A diversidade da oferta de espectáculos é exemplar, como se comprova pela variedade de propostas apresentadas: desde as proximidades ao jazz “tradicional”, passando pela presença de gigantes do free jazz e até projectos que se chegam às margens da pop. Seria ideal assistir a todos os concertos mas, uma vez que não há tempo (€) para tudo, ficam aqui algumas sugestões para quem esteja interessado em ouvir a música irrequieta no espaço da Fundação Calouste Gulbenkian.
Em primeiro lugar, é obrigatório assistir ao imperdível
Schlippebach Trio. Este magnífico grupo reúne três dos melhores músicos free do mundo - Alexander Von Sclippenbach (piano), Evan Parker (saxofones) e Paul Lovens (bateria) - que para além da experiência que a veterania lhes garante, exibem uma dinâmica de grupo impressionante – 35 anos a tocar juntos (dia 6, 18h30). Fundada pelo mesmo Schlippenbach, a
Globe Unity Orchestra é uma das mais reputadas formações de larga escala da Europa - free jazz de grande dimensão (dia 5, 21h30). Na mesma linha, apesar da ambição um pouco mais modesta, aconselha-se o espectáculo “Os Sete Pecados Mortais” dos portugueses
RAUM, dirigidos por Paulo Dias Duarte (dia 11, 15h30).
Para quem esteja interessado em viajar pelos caminhos do jazz moderno é essencial assistir ao concerto dos nórdicos
Atomic (dia 7, 21h30) – grupo que em 2004 editou, a meias com o grupo School Days, um dos melhores discos do ano: “Nuclear Assembly Hall”. O trio
Dresser/Maroney/Sarin (dia 11, 18h30), baseado numa formação clássica de piano trio, promete música orgânica memorável. E a dupla
Jean-Marc Foltz / Bruno Chevillon revela um imprevisto duo - clarinete+contrabaixo - num espectáculo que servirá de apresentação ao disco a editar pela Clean Feed (“Cette Opacité”).
No domínio da improvisação “dura”, refira-se a performance de
Jorge Lima Barreto - o conceituado improvisador português desvendará o projecto “Sintagmas do Jazz”, composto por piano solo e rádio sintonizado em ondas curtas (dia 12, 15h30). Altamente aconselhável será o trio
Mephista - as improvisadoras Sylvie Courvoisier (piano), Ikue Mori (electrónica) e Susie Ibarra (bateria) irão expor a urgência dos seus sons instantâneos (dia 13, 18h30).
Para terminar, importa lembrar que os noruegueses
Jaga Jazzist irão também estar presentes no bonito anfiteatro ao ar livre da Gubenkian. Será uma oportunidade rara de ver uma formação que cruza sem vergonha referências várias da música moderna - da electrónica até ao pós-rock, passando inevitavelmente pelo jazz – para criar música exclusivamente nova (dia 12, 21h30).
O programa pode ser consultado
aqui.