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stereo (2K)
2004/12/31

2005


2004/12/30

Lucy in the Sky with Diamonds


Não se recomenda a leitura deste blog após a ingestão de substâncias alucinogénias.
2004/12/29

It Could Happen to You


Nestes dias em que a comunicação social relembra continuamente a tragédia imensa que ocorreu para os lados do Oceano Índico, é impossível evitar a ideia que poderia ter sido connosco, "it could happen to you". É nestas alturas que se dá o valor devido à vida, às coisas belas, àquilo que realmente interessa. O disco "The Amazing Bud Powell, Vol. 1", edição Blue Note datada de 1949, interessa muito. Corporiza sentimentos fortes e é um objecto de grande beleza. O piano de Bud Powell passeia, a solo ou acompanhado (de gente boa), por clássicos como "Bouncing with Bud", "A Night in Tunisia", "It could happen to you", "Ornithology", "Over the rainbow". Grandioso, como poucas coisas.


Bud Powell: "The Amazing Bud Powell, Vol. 1"
[Blue Note, 1949]

Ou então a vida não é nada disto.
2004/12/28

The Best of '04: Cinema [10]


“Brown Bunny” (Vincent Gallo)
“American Splendor” (Shari Springer Berman & Robert Pulcini)
“Before Sunset / Antes do Anoitecer” (Richard Linklater)
“Lost In Translation / O Amor é Um Lugar Estranho” (Sofia Copolla)
“Big Fish” (Tim Burton)
“Comme Une Image / Olhem para Mim” (Agnes Jaoui)
“Anything Else” (Woody Allen)
“A Vida é um Milagre” (Emir Kusturica)
“Má Educação” (Pedro Almodovar)
“Coffee & Cigarrettes” (Jim Jarmusch)
2004/12/27

The Best of '04: Concertos [10]


Tripleplay (Ken Vandermark, Nate McBride & Curt Newton) / Teatro Maria Matos, Lisboa
Otomo Yoshihide New Jazz Quintet feat. Mats Gustafsson / Jazz Em Agosto, Gulbenkian
Cecil Taylor + Tony Oxley + Bill Dixon / Guimarães Jazz
Jan Garbarek Group / CCB
Chris Potter Group / Serralves
Mulgrew Miller & Steve Nelson / GalpJazz, CCB
NOW Orchestra (Dir. George Lewis) / Jazz Em Agosto, Gulbenkian
Carla Cook + Steve Wilson / BragaJazz
John Abercrombie, Larry Corryel & Badi Assad / Matosinhos Jazz
Max Nagl Big Four / BragaJazz
2004/12/24

Feliz Natal!




Um Natal feliz para todos.
2004/12/21

The Best of '04: Jazz [15]


Tripleplay: “Gambit”
Spring Heel Jack: “The Sweetness of the Water”
Dave Douglas: “Strange Liberation”
Brad Mehldau: “Live in Tokyo (Solo Piano)”
TGB: “Tuba, Guitarra & Bateria”

Zu & Spaceways Inc.: “Radiale”
Keith Jarrett, Gary Peacock & Jack DeJohnette: “The Out-of-Towners”
The Bad Plus: “Give”
Peter Brötzmann, Joe McPhee, Kent Kessler & Michael Zerang: “Tales Out of Time”
Cecil Taylor & Italian Instabile Orchestra: “The Owner of the River Bank”

Atomic/School Days: "Nuclear Assembly Hall"
Mulgrew Miller: “Live at Yoshi's (Volume 1)”
The Peter Brötzmann Chicago Tentet: “Images”
Brad Mehldau Trio: “Anything Goes”

+ Re/edição do Ano: Albert Ayler: “Holy Ghost”
2004/12/20

The Best of '04: Pop & Afins [20]


Animal Collective: “Sung Tongs”
Brian Wilson: “SMiLE”
cLOUDDEAD: “Ten”
Deerhoof: “Milk Man”
Devendra Banhart: “Rejoicing In the Hands”

Black Dice: “Creature Comforts”
Jolie Holland: “Escondida”
Fennesz: “Venice”
Tortoise: “It’s All Around You”
Pan Sonic: “Kesto”

CocoRosie: “La Maison de Mon Rêve”
Takashi Wada: “Meguro”
David Grubbs: “A Guess at the Riddle”
Ricardo Villalobos: “Thé au Harem d’Archimède”
Franz Ferdinand: “Franz Ferdinand”

Air: “Talkie Walkie”
Chavela Vargas: “En Carnegie Hall”
Zeena Parkins & Ikue Mori: “Phantom Orchard”
Jim White: “Drill a Hole In that Substrate and Tell Me What You See”
Vladislav Delay: “Demo(n) Tracks”
2004/12/19

The Best of ’04: Música Pop Portuguesa [5]


Rodrigo Leão: “Cinema”
Quinteto Tati: “Exílio”
José Mário Branco: “Resistir É Vencer”
Dead Combo: “Vol. I”
AAVV: “Humanos”

The Best of ’04 (Prefácio)


Há nesta altura do ano dois fenómenos que assombram a normalidade dos dias: as compras de Natal e a febre das listas dos melhores do ano. Por aqui também não é possível escapar a estas doenças. A partir de agora serão publicadas com uma certa regularidade as listas dos favoritos do ano (discos portugueses, internacionais, jazz, filmes, etc). No entanto, cada lista não deve ser entendida como “o melhor do ano”, apenas, de tudo aquilo a que se teve acesso (e houve tanta coisa que não se ouviu…), o que de mais se gostou. Informa-se também que a ordenação não é muito importante.
2004/12/18

Wishlist, Pt. 2



Bilhetes para a "Ópera do Malandro" (de Chico Buarque), CCB [2005]


Integral João César Monteiro [DVD]


António Lobo Antunes: "Eu Hei-de Amar Uma Pedra"
+ Outros títulos seleccionados da editora D.Quixote


Viagem a Nova Iorque (com passagem por vários clubes e caves, visita a Clinton Street)


CDs Avulsos de editoras seleccionadas:
Blue Note, Hat, Atavistic, Okka Disk, ECM, Verve, Clean Feed, Impulse!, CIMP, Atlantic, Chess, Thirsty Ear, Columbia, Warp, Deutsche Grammophon, Mego, Constellation, Thrill Jockey...
2004/12/17

P'ró Natal, O Meu Presente, Eu Quero Que Seja....

Longe vão os tempos modestos em que pedir "a minha agenda" ao São Nicolau patrocinado pela Coca-Cola era o cúmulo do exagero. Querido Pai Natal, este ano eu não me portei (muito) mal e, consciente da impossibilidade de receber a Isabel Figueira, peço-te só:


Albert Ayler: "Holy Ghost" (9 Cds)
[Revenant, 2004]


Miles Davis: "Seven Steps: The Complete Columbia Recordings: 1963-1964" (7 Cds)
[Columbia, 2004]


Seinfeld (Séries 1&2 ou 3)

Caso nenhuma destas coisas esteja disponível, podes sempre optar pelos presentes tradicionais:



Thanks in advance!
2004/12/14

Those Were the Days


Há muitos anos atrás, nos early 1960's, Steve Lacy [sax soprano] juntou-se a Roswell Rudd [trombone], Henry Grimes [ctb] e Dennis Charles [bat] para interpretar em exclusivo material monkiano. Apesar da qualidade da sua música, na altura nenhuma editora se mostrou interessada em gravar este portentoso grupo. Para resgatar do esquecimento, em 1975 foi editada uma gravação de um concerto: "School Days", um grande disco onde os clássicos de Thelonious Monk são tocados de forma extremamente avançada.

No ano de 2004, a formação denominada "School Days" (mais outra onde entra o Vandermark) grava a meias com o grupo "Atomic" um disco duplo: "Nuclear Assembly Hall". Esta gravação é free moderno, organizado e inteligente. E se o disco de Lacy ficou para a memória do jazz, este duplo ficará de certeza nos registos mais atentos de 2004.


Steve Lacy: "School Days"
[Hat, 1963]


Atomic + School Days: "Nuclear Assembly Hall"
[Okka Disc, 2004]
2004/12/13

Maria Albertina



"Humanos"
(Camané, Manuela Azevedo & David Fonseca interpretam temas inéditos de António Variações)
[EMI, 2004]

Ou a possibilidade da invenção da música popular fora do seu tempo.
2004/12/12

Standards Duo




[Mulgrew Miller & Steve Nelson @ CCB]

A primeira parte da noite esteve a cargo do Sexteto de Jazz da ESMAE (Porto). O grupo de jovens músicos mostrou alguma consistência e organização. Ao todo eram visíveis evidentes capacidades técnicas, mas houve casos em que estas se notavam mais nuns que noutros (i.e.: o sax tenor foi por demasiadas vezes previsível e desnecessariamente vistoso, o sax alto arranjava melhores soluções apesar de receber menos palmas). Apesar de não terem surpreendido, tiveram espaço para mostrar qualidades em temas como "Naima" (a famosa balada de Coltrane) ou "ZYX" (de Kenny Garrett, a friend of mine). Não deslumbraram, mas foram eficazes (e até houve encore).

Depois entraram os nomes grandes: Mulgrew Miller & Steve Nelson. E estes nova-iorquinos por adopção não tiveram dificuldade em exibir a sua excelência. A actuação do duo começou com "What Is This Thing Called Love" e seguiu noite fora com temas ultra-clássicos – a fazer lembrar o Standards Trio de Keith Jarrett. Aliás, a referência a Jarrett não é só pela selecção dos temas nem vem completamente a despropósito: a classe posta na interpretação é comparável. Apesar de invulgar, este duo de piano + vibrafone superou facilmente e de modo distinto as dúvidas sobre eventuais dificuldades de compatibilização. O piano demorava-se em suspense a anunciar a melodia e o vibrafone entrava, envolviam-se em diálogos e estendiam o jogo até terminar a canção. O momento solo de Miller com "It Never Entered My Mind" foi elevadíssimo. Em noite de excelência burguesa, o encore com o standard (mais-que-standard) "Autumn Leaves" foi o final mais-que-perfeito.

Antes de terminar há que deixar uma palavra de grande agradecimento ao Jazz No País do Improviso! e, de caminho, dar os parabéns ao João Moreira do Santos, que também esteve envolvido na organização deste Galp Jazz '04!
2004/12/09

Ella Sings the Blues




Ella sings to the crowd while Dizzy Gillespie listens, 1947

Foto: William P. Gottlieb ["Portrait of Ella Fitzgerald, Dizzy Gillespie, Ray Brown, Milt Jackson and Timmie Rosenkrantz, Downbeat, New York, N.Y., ca. Sept. 1947."]
2004/12/08

"You Gonna Need My Help"



Muddy Waters: "Folk Singer"
[Chess, 1964]

O espaço dos comentários está reservado para as considerações sobre este disco emitidas pelo senhor Paulo Tavares.
2004/12/07

A Propósito da Irrelevância da Estratificação Social


[Will Holshouser Trio Live at Trem Azul Jazz Store, December 6th, 2004]

De passagem por Portugal, o trio de Will Houlshouser deu hoje um showcase na loja Trem Azul. Utilizar a palavra “showcase” é dizer pouco, porque a actuação do trio teve mais de concerto do que muita coisa assim promovida (e à borla que é bom, pois claro). O trio trouxe na mala o disco gravado para a casa onde tocavam (a editora Clean Feed é o outro lado da distribuidora/loja Trem Azul).

Guiada pelo acordeão de Holshouser, a melodia seguia ritmada pelo contrabaixo sólido de David Philips e o trompete de Ron Horton entrava para unificar e elevar o nível global da música. O acordeão, elemento da plebe, nunca teve a relevância dos instrumentos superiores. No entanto, Holshouser apaga-lhe o passado pobre e com grande classe eleva-o ao nível do real trompete. O contrabaixo, enquanto pequeno-burguês, apesar de frequentar habitualmente a corte, deve mais o seu estatuto ao trabalho constante que a exibicionismos vistosos. Hoje, devido a muita comunicação, espaço e diálogos, neste triângulo equilátero não houve manias nem superioridades, todos os instrumentos igualaram-se em dignidade.

O trio apresentou os temas do disco “Reed Song”, mas intercalou algumas novidades (a surgirem brevemente em nova gravação). Desfilou uma infinitude de géneros, de pop à clássica, de cool a bebop. Tivemos momentos rápidos e tempos desacelerados. Foi um óptimo concerto. E à última música do concerto subimos ao céu: “Reed Song” é de uma tristeza mais que perfeita. Há uma nuvem sombria de melancolia que paira sobre todas as almas presentes na loja de discos e ao meu lado uma mulher bonita deixa escapar lágrimas. O acordeão entra numa viagem interior que potencia naufrágios, o trompete estica a corda até ao irrespirável, o arco no contrabaixo é uma lâmina a roçar no peito. (Não levem isto muito a sério, mas) esta é uma excelente candidata a música para o meu funeral.
2004/12/05

SRV / DVD Killed the Radio Star


Adquiri ontem um leitor de dvd. Pelo preço de 28 euros (+ cabo scart, na Worten), sou feliz possuidor de um electrodoméstico que me vai permitir organizar grandes sessões cinéfilas. E consegui assim finalmente ficar a par da maioria dos lares portugueses – agora só faltará pôr na estante um “Código da Vinci” e adoptar uma iguana. Depois de ligar os fios (operação dificílima) e testar a máquina (excertos de “Paris, Texas”, era o que havia à mão…), o primeiro dvd que rodou de princípio ao fim foi: “Stevie Ray Vaughan and Double Trouble Live at the El Mocambo” (um amável empréstimo do meu amigo Paulo “Pico” Tavares). Das primeiras vezes que vi este concerto, ainda jovem inconsciente, não liguei muito, confesso – na altura ainda ligava mais ao chill out que ao chilli com carne (ao contrário do que se passa hoje; cf. jantar de 27/Nov/04). Rever agora este DVD tem outro sabor. Sobre o concerto pouco haverá a dizer, o génio de SRV já é sabido dos discos. Mas vê-se tudo exposto e isto tem outra dimensão. O suor não para nunca de escorrer da cara, vê-se que há um esforço físico enorme. É apenas o registo de um concerto de 1985 em Toronto de um ET de chapéu de abas largas e acessórios decorativos de gosto duvidoso com o sentimento no limite de cada acorde, contrastante com a postura cool dos acompanhantes Double Trouble (Chris Layton e Tommy Shannon). O concerto é muito equilibrado e não há momentos fracos. Mas há momentos que não posso deixar de referir: “Voodoo Chile” (of course, ai o Jimi…), “Pride & Joy”, “Mary Had a Little Lamb” (excelentes momentos do primeiro disco), “Third Rock From the Sun” (psicadélica e abrasiva, como no paternal “Are You Experienced?”), “Lenny” (romântica de derreter) e Wham! (quase surf rock, final em grande). Imprescindível para fãs. E aconselhável para os outros. Já aqui tinha confessado a minha devoção incondicional ao Stevie Ray?

When the Funk Hits the Fan




The Crown Royals: “Funky-Do!”
[Estrus, 1999]

Este disco é absolutamente "fantabulástico", um grande monumento moderno de funk... Apesar de afastado da sua área de especialização, Ken Vandermark é (mais uma vez) enorme - "poppy" como nunca se julgou ser possível ouvi-lo. Aqui o funk é puro, clássico, forte – não há adulterações nem divagações como acontece nos Spaceways Inc. James Brown passa, obviamente, por aqui; Gorge Clinton idem. Avisa-se que a audição deste disco em condições favoráveis propicia a geração espontânea de feromonas; não se admire se a menina que está ao seu lado se levantar para abanar as ancas a acompanhar este ritmo irresistível; não se assuste se sentir uma vontade incontrolável de dançar e de repente a noite ganhar sentido. Get up! Se me é permitida a expressão: um discalhão!

O meu muito obrigado à gerência da Mondo Bizarre! ;-)
2004/12/04

"I Do Not Play No Rock'n'Roll"


Por aqui os blues raramente passam, mas hoje foi dia de voltar a eles. Depois de uma leva de Muddy Waters (tenho de dedicar um post autónomo brevemente), roda em audição contínua Mississipi Fred McDowell. Este bluesman é uma descoberta recentíssima, por intermédio do disco "Steakbone Slide Guitar", gravação de 1966. A afirmação do título é do próprio Fred, que pelo meio dos 1960's nunca se rendeu a modas. Seguindo a metáfora alcoólica: forte, directamente do Tennesse... tal como Jack Daniels (no ice required).



Mississipi Fred McDowell: "Steakbone Slide Guitar"
[Rykodisc, 1966]

Spring Heel Jack


É já amanhã que Coimbra recebe os nomes mais mediáticos da actualidade do free/improv. No Jazz Ao Centro Parte 2, a dulpa Spring Heel Jack far-se-á acompanhar de Wadada Leo Smith. Com muita pena, motivos logísticos impedirão a minha ida ao concerto. Em compensação espero que a caixa de comentários se encha das palavras de quem foi.

Das Ondas Sonoras Bracarenses


A Rádio Universitária do Minho é o exemplo (que conheço) de como fazer rádio excelentemente, utilizando apenas meios universitários. Quando me passeio pelas terras do Norte é quase sempre o que oiço. É tempo de dar os parabéns a esta rádio e, já agora, passar pela festa (que amanhã, entre outros, vai ter a participação do homem da cassete...).

2004/12/02

Unforgettable



Johnny Hartman: "Unforgettable"
[Impulse!, 1995]

Um dia apanhei este disco numa loja só porque vi que tinha uma versão de "Fools Rush In (Where Angels Fear to Thread)". Esta ternurenta canção foi-me dada a conhecer no primeiro filme do realizador maldito Vincent Gallo. E foi a partir desta música que me rendi à voz de Johnny Hartman. Entre o lirismo de Nat King Cole e o espectáculo de Frank Sinatra, Hartman tem neste cd (que resulta da junção de dois LPs de 1966) uma excelente mostra da sua classe. Para acompanhar com um martini, sff.
2004/12/01

On Rahsaan Roland Kirk


Rahsaan Roland Kirk foi um dos mais poderosos saxofonistas de sempre. Com uma história de vida inimitável, onde se mostra que a força da vontade supera as limitações, conseguiu alimentar uma carreira que, apesar de curta, gerou seguidores entre os jazzeiros tradicionalistas e os da vanguarda. Apesar disso, é um músico que hoje pouca atenção tem.

Vi pela primeira vez este músico num quadro do Catacumbas Jazz Bar – a imagem de um músico de óculos escuros a tocar simultaneamente três instrumentos de sopro sugeria um inquieto espírito livre (para usar uma expressão surgida em comentários recentes deste blog). Esta era uma imagem de marca deste músico: a excentricidade de conseguir tocar três saxofones (ou variantes) ao mesmo tempo. No entanto, a sua qualidade musical vai para além desta curiosidade. Chris Kelsey, ele próprio um notável saxofone da actualidade, escreve no all music guide:

Arguably the most exciting saxophone soloist in jazz history, Kirk was a post-modernist before that term even existed.(…) Kirk was an immensely creative artist; perhaps no improvising saxophonist has ever possessed a more comprehensive technique — one that covered every aspect of jazz, from Dixieland to free — and perhaps no other jazz musician has ever been more spontaneously inventive. His skills in constructing a solo are of particular note. Kirk had the ability to pace, shape, and elevate his improvisations to an extraordinary degree. During any given Kirk solo, just at the point in the course of his performance when it appeared he could not raise the intensity level any higher, he always seemed able to turn it up yet another notch.

Foi através de um texto do Jazz e Arredores (mais uma vez, lá está!) que me atirei aos discos dele. Cronologicamente, comecei pelos primeiros quatro discos oficiais (ainda falta muito, bem sei…):

Introducing Roland Kirk Kirk’s Work We Free Kings Domino

“Introducing Roland Kirk” (1960): Kirk apresenta-se ao mundo, naquele que é o seu real segundo registo (o verdadeiro primeiro teve pouca divulgação e “desapareceu”). Esta rodela mostra as qualidades de Kirk e inclui o clássico “Our Love Is Here to Stay” (Gershwin).

“Kirk's Work (with Jack McDuff)” (1961): Acompanhado do orgão do “brother” Jack McDuff, Kirk sobe um degrau, interpretando temas como “Three For Dizzy” ou “Funk Underneath”.

“We Free Kings” (1961): O tema-título é um dos meus favoritos; o disco também. Recheado de originais, também acolhe uma versão de “Blues for Alice”.

“Domino” (1962): O meu disco preferido, até agora. Kirk cobre um lote grande de clássicos, alternados com originais. “Someone to Watch Over Me”, “I Didn't Know What Time It Was” são highlights.

Rahsaan Roland Kirk (assim chamado depois de um sonho em que um anjo lhe dissera para mudar de nome), nasceu com visão mas ficou cego muito cedo; sofreu em 1975 uma paralisia que o impediu de mexer a parte esquerda do corpo, mas conseguiu continuar a tocar, apenas com a mão direita, até à sua morte em 1977. Apesar das contrariedades, Kirk foi um músico magnífico mas, infelizmente, nunca granjeou grande reconhecimento. É urgente rever a importância da sua obra.

Fireworks Above Us


Em dia de festa pela Restauração da Independência e pela restauração da confiança na democracia (foi de retro, o Santanaz!), é tempo de lançar foguetes. Por estes lado, com a chuva maldita em fundo, vai passando uma deliciosa musiquita pop, irónica até à medula, dos "Smog" (e até inclui uma apropriada referência ao fogo de artifício).

Dress sexy at my funeral, my good wife (...)
And when it comes your turn to speak before the crowd
Tell them about the time we did it
On the beach with fireworks above us...

[Smog, "Dress Sexy At My Funeral"]

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