A noite deste sábado promete ser animada em Lisboa... O Lisboa Bar (entre o Largo do Carmo e o Teatro da Trindade) alberga mais uma edição dos Encontros Crónicas da Terra. Neste evento pretende-se fazer a divulgação de alguns discos (lançados recentemente) de world music & sonoridades afilhadas. Lisboa Bar, entre as 18h e as 20h.
Um pouco mais tarde, às 22h00, a Galeria Monumental (Campo Mártires da Pátria, 101) recebe um raro concerto de free/improv: o guitarrista nacional Manuel Mota apresenta o novo disco "Quartets" fazendo-se acompanhar de Fala Mariam (trombone), Ernesto Rodrigues (viola) e César Burago (carillon). O Eduardo dos arredores do jazz - o blog que divulgou este concerto - também vai andar por lá. Galeria Monumental, às 22h.
Ainda em festa de comemoração do seu décimo aniversário, a Zé dos Bois (Rua da Barroca, 59) promove mais um concerto-múltiplo. Desta vez entram em campo Electronicat, Miss Le Bomb e talvez a maior referência actual do alt/indie depressivo: Xiu Xiu. Às 23h.
Gee, but it's hard to love someone
When that someone don't love you
I'm so disgusted, heartbroken, too
I've got those down hearted blues
Once I was crazy 'bout a man
He mistreated me all the time
The next man I get he's got to promise to be mine, all mine
If I could only find the man oh how happy I would be
To the good Lord ev'ry night I pray
Please send my man back to me
I've almost worried myself to death wond'ring why he went away
But just wait and see he's gonna want me back some sweet day
Trouble, trouble, I've had it all my days
Trouble, trouble, I've had it all my days
It seems that trouble's going to follow me to my grave
Got the world in a jug, the stopper's in my hand
Got the world in a jug
The stopper's in my hand
Going to hold it, baby, till you come under my command
Say, I ain't never loved but three men in my life
No, I ain't never loved but three men in my life
'T'was my father, brother and the man who wrecked my life
'Cause he mistreated me and he drove me from his door
Yeah, he mistreated me and he drove me from his door
But the good book says you'll reap just what you sow
Oh, it may be a week and it may be a month or two
Yes, it may be a week and it may be a month or two
But the day you quit me honey, it's coming home to you
Oh, I walked the floor and I wrung my hands and cried
Yes, I walked the floor and I wrung my hands and cried
Had the down hearted blues and couldn't be satisfied
Downhearted Blues (Lovie Austin / Alberta Hunter)
E a força desta música colou-se à voz da Petra. Foi ontem. Nas Catacumbas.
"A Antígona de Sófocles é um monumento da humanidade. Quando ele a escreveu e representou pela primeira vez, há 26 séculos, recebeu como prémio o governo de uma cidade (Samos). A Antígona de Zambrano, nossa contemporânea, encerra, relativamente à de Sófocles, um mistério... que o espectáculo desvendará."
"Antígona" de Sófocles / Zambrano, encenação de Luís Vicente, música de Zé Eduardo, coreografias de Evegueni Beleaev. Não é "só" uma peformance teatral, é um espectáculo completo que inclui música (jazz) ao vivo! E participam nesta teatrada:
Esta coisinha boa encontrava-se perdida numa grande superficie comercial, por uma qualquer promoção mal planeada, exposta à maldade de mãos pouco delicadas. Por 5 euricos (ah, pois!) touxe-a para casa, abriguei-a, tratei-a bem, deixei-a a tocar para mim. Promoções assim são raras - é aproveitar... Para além de acedermos a um resumo conciso da carreira de Sakamoto ainda temos o bónus de um dvd com vídeos exclusivos. E por aqui surge a oportunidade de relembrar umas certas preciosidades, por onde passou o dedo de Ryuichi:
E depois do culto da personalidade, voltemos à música. Este fim de semana foi tempo de desbravar (ok, ainda só pela superfície) a discografia de Peter Brötzmann. Foram só dois discos, mas tão intensos e poderosos que me prenderam à brötzmania (isso existe?). O primeiro que ouvi foi uma edição Hat deste ano: "Tales Out of Time". Acompanhado pelo lendário Joe McPhee, mais Kessler e Zerang, Brötzmann lidera uma sessão de nível alto - uma freejazzada de primeira apanha. Já o outro disco que descobri foi uma surpresa bruta. "Machine Gun", datado de 1968, é um dos mais potentes manifestos que ainda hoje se podem escutar sob a forma de disco. Uma efectiva declaração de guerrilha urbana. Aqui não há terrorismo sonoro, é tudo atacado às claras, brutalmente. Para sobreviver a esta agressão é preciso ter estômago, isto não é para ouvidos mariquinhas. Já este ano Brötzmann editou um disco chamado "Medicine", mas este, apesar de antigo, será o remédio mais forte que poderemos encontrar nesta farmácia. Prazo de validade: ilimitado.
Peter Brötzmann, Joe McPhee, Kent Kessler & Michael Zerang: "Tales Out of Time" [Hat, 2004]
The Peter Brötzmann Octet: "Machine Gun" c/ Evan Parker, Han Bennink, Willem Breuker, Peter Kowald, Fred Van Hove, Sven-Åke Johansson & Buschi Niebergall
[FMP, 1968]
Conhecem "O Inimigo Público", suplemento satírico do jornal Público? Pois bem, agora surgiu o blog O Inimigo Musical - a mesma ideia (mas sem o décimo da piada), aplicada ao mundo da música. Este projecto começou há dois dias mas já tem mais posts que muitos blogs com meses de vida. E imensos posts hilariantes. Eu também colaboro (e até já lá deixei um post), mas para não estragar muito prometo colaborar poucas vezes. Vão lá.
Como já todos devem ter lido na comunicação social, decorreu este sábado o Segundo Grande Derby Fórum Sons. O confronto decorreu com alguma normalidade, à excepção do facto da equipa benfiquista ter jogado o jogo completo contra o sol e mal habituada à relva sintética (razões óbvias que esclarecem o resultado negativo 5-8).
Na foto: o autor deste blog agarra a bola (após uma grande defesa) e prepara um contra-ataque através da reposição da bola em jogo, ladeado pelo capitão de equipa J.G. que aconselha calma, enquanto os adversários lagartos (V.J., Kaiser) tentam ainda atrapalhar.
A Galeria Zé dos Bois comemorou dez anos de actividade. No âmbito desta celebração têm decorrido vários concertos. Na passada sexta-feira foi a vez de actuar o seguinte conjunto de artistas: Panda Bear, Sei Miguel, Gang Gang Dance, Osso Exótico e Loosers. Acompanhado de dois amigos, o Gonçalo e o Marinhez (o meu guru musical, se hoje sei alguma coisa disto é a ele que mais devo), fui à música. Apesar de não ter chegado a tempo de usufruir do espectáculo de Panda Bear por inteiro, deu para sentir a sua esquizofrenia pop levitante. Depois houve o concerto de Sei Miguel em Quinteto. Acompanhado de um lote de gente onde se incluía Rafael Toral, Sei Miguel deu um espectáculo de improvisos sóbrios, onde por vezes o trombone a a percursão se faziam notar mais. A seguir foi a vez de Gang Gang Dance, e mais uma vez não assisti a tudo - os concertos decorreram em simultâneo. Ainda assim ouvi música ao mesmo tempo pioneira e lúdica - inclassificável, quase. Quanto ao resto, falhei os Osso Exótico e os Loosers deram um concerto poderoso (mas aquele rock não é para mim). Esta sexta-feira confirmou-se: Panda Bear (e Animal Collective) e Gang Gang Dance são dos nomes mais importantes da música alternativa do nosso tempo. Parabéns, ZDB!
Como é bem visível, este blog fez um restyling. Mudou-se a cor de fundo e reorganizaram-se os links, agora divididos por três categorias: Música, Amigos e Clássicos (houve casos em que a divisão foi difícil, pois alguns podiam estar em várias categorias ao mesmo tempo). De qualquer modo esta será a partir de agora a nova cara d'a forma do jazz, o nosso look para o Outono-Inverno 2004/05.
Jovem, Manifesta-te! Assiste à Nobody’s Bizness em Concerto!
Sem a devida autorização da Petra, transcrevo um convite para logo à noite:
"De todos os lados dos subúrbios de Lisboa (há quem nos acuse de ser do Restelo, mas negamos as pérfidas acusações! Não somos betos! Somos lutadores!) chegaremos convictos da nossa causa ao santuário, ao Santiago e ao Alquimista, no próximo Sábado, dia 23 de Outubro, e atacaremos os opressores às 23h48. Unidos, traremos ao mundo uma nova luz, retirada dos cofres da História (prometemos devolver tudo no final do espectáculo), feita de sons, vinho do porto e palavras de ordem que farão tremer o poder instituído de São Bento ao Estádio do Dragão!
Manifestação de corpo presente, no Santiago Alquimista (este é o caminho da revolução! - para que ninguém se perca a defender a causa), Sábado, dia 23 de Outubro de 2004, às 23h48. A entrada são 5 Euros, valor simbólico para ajudas de custo, panfletos e bebedeiras em geral.
Por aqui um iniciado vai-se deixando deslumbrar ao descobrir (tardiamente, que vergonha!) a frescura celestial de duas das mais maravilhosas obras gravadas de todos os tempos: Seven Steps to Heaven e Someday My Prince Will Come - Miles Davis, once again. Resolvi só agora dedicar atenção a este discos pois achei por bem começar pelos outros Miles obrigatórios - e são tantos! Kind of Blue, Birth of the Cool, Miles Smiles, In A Silent Way, Bitches Brew, Sketches of Spain, Miles Ahead, Porgy & Bess, Round About Midnight, Relaxin'/Steamin'/Workin'/Cookin'... Estes são apenas os discos iniciáticos/imperdíveis. Depois há tempo para o "resto". E o resto continua a ser igualmente um assombro de classe.
Miles Davis: "Someday My Prince Will Come" [Columbia, 1961]
Miles Davis: "Seven Steps to Heaven" [Columbia, 1963]
Enquanto isto, há especialistas que anunciam a chegada de uma caixa apetitosa: Miles Davis Seven Steps: The Complete Columbia Recordings Of Miles Davis, 1963-1964. A propósito, relembro que comemorei aniversário no início deste mês e não me importava nada de receber um presente como este.
Momentos Mágicos da Década de 1990 (Dois Contributos)
Durante o dia de hoje um dos tópicos de conversa no trabalho foi o Vítor Baía, mais especificamente a sua pouca eficácia nos desempenhos mais recentes. Eu gosto do Baía. Há uma razão - maior que as outras - para se gostar do Baía (e para se pôr o Baía na selecção nacional). Não será pelas qualidades técnicas (ele é um guarda redes banal igual a tantos outros - embora, com a sua grandeza, a frangalhada também às vezes seja grandemente proporcional). A razão é que o Baía tem aquilo a que tecnicamente se classifica de "pinta". Derivado de uma série de factores aleatórios e inexplicáveis, o homem aglomera esse conjunto indecifrável de características, o Vítor Baía tem pinta. E o Ricardo não. O Ricardo teve uma noite heróica, defendeu um penalty sem luvas e marcou o golo da vitória contra a Inglaterra. Mas no dia seguinte, de folga, foi instalar o ar condicionado em sua casa - um ídolo tem que ser mais que isto. Avancemos. No seguimento de conversas sobre o Vítor Baía recordei-me de um dos mais memoráveis jogos de futebol da década de '90. Estavamos em 1997 e a televisão portuguesa ainda tinha por hábito transmitir grandes jogos internacionais. Era a segunda meia-final da Taça do Rei de Espanha, Barcelona vs Atlético de Madrid. No Barça alinhavam Baía, Figo & Ronaldo (na altura em que ainda era genial). Nesse jogo houve uma chuva de golos (5-4, vitória do Barcelona), foi uma noite de desgraça para o Baía (golos, frangos) e de glória para o Figo (jogo fantástico). Esta partida ficou na memória de todos os que amam o jogo da bola e é um dos meus favoritos de sempre.
Também na década de '90, e já que ali abaixo se falava em guitarristas de jazz, foi editado um grande disco: "Stanley Jordan Live In New York" - com o selo de qualidade Blue Note, esta excelente gravação recolhe uma bela selecção de formosos rendilhados. Há temas clássicos de Coltrane (Impressions, Cousin Mary), standards (Autumn Leaves e, especialmente, Over the Rainbow) e também originais. Um álbum delicadamente sensível e acessível.
Stanley Jordan: "Live In New York" [Blue Note, 1998]
Ou então talvez não. Principalmente se o que efectivamente quisermos seja transformar os sons saídos da guitarra em mais que notas soltas, acordes perdidos ou tentativas de variedades sem sucesso. Alguns fazem arte de modo próprio e fazem-no muito bem, alguns são excelentes instrumentistas. E mesmo tendo uma imensidão de barreiras a separá-los (a idade, o estilo), há algo que John Abercrombie e Kurt Rosenwinkel partilham: são dois dos maiores guitarristas do mundo - a par de Pat Metheny, John Scofield, John McLaughlin, Bill Frisell.
Em 2003, Rosenwinkel editou o disco "Heartcore". Em 2004, Abercrombie [depois de uma passagem por Matosinhos a que este escriba assistiu embevecido] lança "Class Trip". No primeiro caso há fulgor, dinâmica intensa e uma evidente tentativa de afirmação enquanto se abre caminho. No segundo caso sente-se a mestria em cada acorde, em cada corda a vibrar, há uma técnica perfeita e uma sabedoria soberba. São dois discos extremamente diferentes. Mas são ambos excelentes discos.
Kurt Rosenwinkel: "Heartcore" c/ Mark Turner, Ben Street & Jeff Ballard
[Verve, 2003]
John Abercrombie: "Class Trip" c/ Mark Feldman, Marc Johnson, & Joey Baron
[ECM, 2004]
Há dias, duas adoráveis amigas trouxeram-me directamente de Paris uma lembrançazita sob a forma de disco: "À Saint Germain de Prés", uma colectânea relativamente mal amanhada, visivelmente embalada para o turista e aparentemente pouco criteriosa. Assim dito até parece uma coisa má. Mas não... este souvenir tem a graça de relembrar um monte de coisas boas do baú da memória. A abrir, uma música de Leo Ferré repesca o grande Henri Salvador (e o disco "Chambre Avec Vue" é tão doce). Depois, um prazer ouvir o mito Juliette Gréco a cantar "Las Feuilles Mortes" (a versão original de "Autumn Leaves", como bem lembrou o João). Pelo meio há espaço para o trompete literário de Boris Vian. E ainda cabe um tema de Miles Davis, entre outros. A escolher um highlight, voto na música "Armstrong, Duke Ellington, Cab Calloway", cantada por Henri Salvador com acentuado sotaque francês que é, para além de uma doce hommage, um tema altamente swingante. Por vezes a beleza das coisas não está nelas próprias, mas nas portas que nos abrem. Obrigado Carlota e Katiuska!
Toda a gente tem de começar por algum lado. O LA do Office Lounging começou com o Miles (The Best of the Capitol/Blue Note Years). Eu comecei com o Coltrane. Assim que pus o "Blue Train" a rodar no leitor de cds fiquei preso àquele riff inicial. Depois veio a velocidade frenética do segundo tema (Moment's Notice). E o começo do terceiro tema também me prendeu (Locomotion). Depois foi seguir a viagem pela estrada (a princípio estranha, mas compensadora) da improvisação. E a partir daí a aventura não teve fim.
John Coltrane: "Blue Train" c/ Curtis Fuller, Lee Morgan, Kenny Drew, Paul Chambers & Philly Joe Jones
[Blue Note, 1957]
posted by Nuno Catarino @ 23:00
2004/10/16
Antes do Amanhecer
Chet Baker: "The Jazz Singer Sessions 1959" [New Sound, 2002]
Ainda vitimizado da melancolia imposta pelo filme "Before Sunset", deixo-me levar pelo eterno Chet Baker. Este disco reúne gravações italianas datadas de '59 de um dos mais unânimes jazzman de sempre. Milan como Paris, Jesse e Celine filtrados pelo trompete. When I fall in love e tudo o resto.
posted by Nuno Catarino @ 02:58
Antes do Anoitecer
Pode um filme ser o reflexo exacto de uma pessoa? Poderemos reviver em cada pormenor de cada frase, em cada pedaço de cada imagem, uma vida que nunca tivemos mas que é afinal a nossa? Em Paris há um passeio e um diálogo, só. E a sombra de Nina Simone - pormenor delicioso - que é suficiente como banda sonora de um filme aparentemente simples (na forma), mas devastador (para a alma).
É inaugurada esta quinta feira a primeira loja exclusiva de jazz em Portugal:
Trem Azul Jazz Store Rua do Alecrim, 21 A
(ao Cais do Sodré)
E está toda a gente convidada para a inauguração, a partir das 17h até às 24h. Com a presença de vários músicos: Dennis Gonzalez, Carlos Barretto, Zé Eduardo, entre outros. Todos à Jazz Store, já!
posted by Nuno Catarino @ 22:03
Um Americano em Paris
Dexter Gordon: "Our Man In Paris" c/ Bud Powell, Kenny Clarke & Pierre Michelot
[Blue Note, 1963]
O grande Graham Greene ficou conhecido por infiltrar um agente inglês em Cuba ("Our Man In Havana", 1959). O enormíssimo saxofonista tenor Dexter Gordon deve parte do seu reconhecimento a um disco que resultou de uma estadia no estrangeiro. Sob influência inspiracional da cidade de Paris, Gordon fez-se acompanhar de dois compatriotas - o monstro do piano Bud Powell e o baterista Kenny Clarke - e do contrabaixista francês Pierre Michelot e gravou meia dúzia de standards num maravilhoso estado de graça. A abertura com "Scrapple from the Apple" dá o mote, "Willow Weep for Me" é triste mas bela, a gillespiana "A Night In Tunisia" é soberba (e ainda inclui uma deliciosa citação de "Summertime"). Dexter Gordon é um nome definitivo do jazz e este disco contribuiu decisivamente para impor e afirmar o seu estatuto. É tão bom voltar aos clássicos.
posted by Nuno Catarino @ 01:12
2004/10/12
Drunk on the Moon
Resolvi há dias elaborar um "best of" para servir de iniciação para uma amiga à obra do velho génio Tom Waits. Como todos os "greatest hits" existentes no mercado se limitam à obra gravada para cada editora, achei por bem tomar a iniciativa de fazer uma selecção global dos melhores temas do senhor. À falta de um título, chamei-lhe "Drunk on the Moon (The Best of Tom Waits)". E com a preciosa ajuda do pessoal do Forum Sons surgiu a seguinte compilação:
À semelhança do "broda" Eduardo, por aqui também se vai adoptar o conceito de disco-tarefa caseira/banal/doméstica. Uma vez que não faço a barba com grande regularidade não há "disco da barba", mas em compensação, e como este fim de semana houve limpezas cá em casa, temos "disco das limpezas":
Lee Morgan: "The Sidewinder" c/ Joe Henderson, Barry Harris, Bob Crenshaw & Billy Higgins
[Blue Note, 1963]
Um clássico absoluto (e está tudo dito).
posted by Nuno Catarino @ 23:03
He Stole All Hearts Away
Tenho a anunciar: a canção "First of the Gang to Die" do Morrissey é o melhor single pop do ano.
(Pronto, agora que já posso voltar para o fusilli tricolore alla mela, formaggio e oregano.)
posted by Nuno Catarino @ 21:35
2004/10/08
We Travel the Spaceways
Spaceways Inc. vs Zu - "Radiale" [Atavistic, 2004]
De um lado a equipa americana, Chicago-based: Spaceways Incorporated (os enormes Ken Vandermark, Nate McBride & Hamid Drake). Do outro lado, os italianos Zu (desconhecidos). O jogo começa. Há temas originais, em toada quase rock, de início. E depois chegam as versões: há "free jazz classics" máximos, "Theme de Yo-Yo" (Art Ensemble of Chicago) e "Space Is the Place" (Sun Ra), para além do funk do mestre George Clinton ("You And Your Folks, Me And My Folks"). Um disco devastador, uma delícia para os apreciadores do género. Um empate, mas com goleada.
posted by Nuno Catarino @ 21:27
2004/10/07
Guimarães Jazz 2004
Depois do êxito das edições anteriores, pelas quais que passaram nomes como Brad Meldhau ou Bobby Hutcherson, a programação deste ano conta com Ron Carter, Kenny Wheeler, Terence Blanchard, Mark Turner e o gigante Cecil Taylor faz este festival crescer cada vez mais - definitivamente o meu festival local favorito. A programação completa:
11 Novembro, 22h00
Kenny Wheeler & Big Band (Big Band incluindo Nguyên Lê, Bernardo Moreira, Claus Nymark...)
12 Novembro, 22h00
Terence Blanchard
13 Novembro, 17h00
Sei Miguel Quarteto (c/ Rafael Toral)
13 Novembro, 22h00
Cecil Taylor / Tony Oxley / Bill Dixon Cecil Taylor – piano
Bill Dixon – trompete
Tony Oxley – bateria
16 Novembro, 16h00
Orquestra de Jazz de Matosinhos
16 Novembro, 16h00
Mark Turner + OAM Trio
18 Novembro, 22h00
Vienna Art Orchestra 04
Big Band Poesie
Cecil Taylor está de volta ao nosso país. Depois do concerto do CCB com Tony Oxley, o grande génio/louco toca em Guimarães, agora no formato trio (c/ Tony Oxley & Bill Dixon). Desta vez não há desculpas.
O melhor disco de jazz português do ano (até ver). Um inusitado trio, onde ao omnipresente Delgado - o nosso Marc Ribot, com a omnipresença de Vandermark - se junta o (provavelmente) melhor baterista português, Alexandre Frazão, e o homem da tuba, Sérgio Carolino. Para além de bons originais ("Pascoal Joins the Dark Force" é o melhor título do ano), há grandes versões de "Só" (Jorge Palma), "Black Dog" (Led Zeppelin), "Un Poco Loco" (Bud Powell) e "Brilliant Corners" (Monk). A produção nacional revela grande nível.
posted by Nuno Catarino @ 01:20
2004/10/06
Um Sorriso do Tamanho do Mundo
Um dia, um génio de nome Brian Wilson teve um sonho. Já tinha gravado com os Beach Boys o genial "Pet Sounds", mas ainda não lhe chegava. Quis subir mais um degrau. E sonhou fazer uma sinfonia adolescente dedicada a Deus. O projecto nunca se concluiu, pelo caminho fugiram umas canções e alguma sanidade mental, mas o disco nunca chegou a sair da gaveta. Isto, até ao ano da graça de 2004, em que foi tudo refeito como havia sido idealizado em 1967. E é então que nos chega a perfeição sob a forma de um sorriso. Smile.
Um esclarecimento/aviso à navegação: o blog "a forma do jazz" não é um blog de jazz. Aos interessados, os verdadeiros blogs nacionais de jazz, feitos por gente que sabe, sempre actualizados de notícias, discos e informação jazzística, são:
- Jazz No País do Improviso O mais antigo, mais clássico e também mais conservador, da autoria de um colaborador da revista All Jazz (parabéns pelas visitas, João Moreira dos Santos!)
- Improvisos Ao Sul O blog que surgiu a partir de um programa de rádio alentejano (sempre actualizado com informação interessante).
E agora há um novo lugar dedicado à musica do improviso, da autoria de um dos maiores connaisseurs/divulgadores nacionais do jazz avant-garde/marginal/fronteiriço, Eduardo Jorge Chagas. O novo sítio de passagem obrigatória é:
Felicidades para o Blog, J.!
posted by Nuno Catarino @ 20:33
2004/10/03
Don't Explain
Joel Frahm & Brad Meldhau "Don't Explain"
Por vezes, um saxofone e um piano são suficientes para enriquecer toda uma noite. E, se em frente ao piano se sentar um estimado moço de nome Brad Meldhau, aumenta a possibilidade de a música ser gratificante. É apenas um dueto - não há mais nenhum acompanhamento, mas não é necessário. Dá-se nova vida a um conjunto de belos temas, como "Oleo" (Sonny Rollins), "Turnatound" (Ornette), a monkiana "Round Midnight" (em duas versões diferentes) ou a beatlesca "Mother Nature's Son". Apesar da aparente simplicidade, é um óptimo disco. Decididamente, da melhor colheia de '04.
posted by Nuno Catarino @ 01:00
2004/10/01
A Hard Day's Night
É lixado assitir ao registo da passagem de um quarto de século na nossa pele e perceber que já se gastou um terço da esperança média de vida.
posted by Nuno Catarino @ 01:05