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stereo (2K)
2004/09/29

Talkin' Blues

Atenção: Os Blues voltam a Lisboa! Na próxima quinta feira, dia 30, o grupo de blues e afins chamado Nobody's Bizness actua no nosso favorito Catacumbas [Trav Água da Flor 43, ao Bairro Alto]. E conta com a voz da Petra. Imperdível, pois claro.

NOBODY'S BIZNESS
Petra: voz
CatMan: voz, kazoo, harmónica
Luís Ferreira: guitarras
Pedro Ferreira: guitarra
Luís Oliveira: baixo

Como diziam os outros aqui há uns meses atrás... EU VOU!

Some Girls Are Bigger Than Others

E agora é tempo de tecer algumas leves e vagas considerações, próprias de um jovem licenciado em publicidade e marketing, sobre anúncios de televisão. O anúncios Lipton Ice Tea featuring José Cid são geniais. O anúncio Sagres do "Ó Daniela, agora não dá" é muito bom (tal como a protagonista). O anúncio das Páginas Amarelas, para além de ser um quasi-plágio do anúncio Sagres pela ideia da utilização de "brasileiras de bom porte", é de um extremo mau gosto - sem graça e com Juliana Paes que, apesar de eleita como a mais bela do Brasil (mas como, meu Deus?), tem uma beleza falsa, ninguém com bons princípios pode aspirar à partilha da felicidade com alguém com um cara de saloia/labrega/burra (com todo o respeito). Julgo que finalmente surgiu na minha vida a oportunidade de utilizar a expressão "faz-me espécie".

(I Heard that Was a Secret Chord that) David Played and It Pleased the Lord

Este blog merece destaque. E não é só pela amizade ao David, é porque o gajo escreve tão elegantemente que chega a ser obsceno. Ele fala n'a desordem das coisas.

Inner Circle

Por hoje, andou a rodar:



Greg Osby, "Inner Circle". Blue Note, 2002.
Greg Osby (sax alto), Jason Moran (piano), Steffon Harris (vib), Tarus Mateen (baixo), Eric Harland (bat)

As composições são quase todas originais, à excepção de "All Neon Like" de Björk e "Self-Portrait In Three Colours" de Charlie Mingus (o homem dos títulos geniais). Globalmente é um disco morno - equilibrado, sem grandes oscilações nem momentos especialmente quentes. Os destaques vão para as versões e para o tema "Fragmatic Decoding", onde há um frenético diálogo piano-vibes.

Osby vai passar (com outra formação, que não a deste disco) pelo Festival de Jazz do Porto. O que vale é que no jazz as prestações ao vivo costumam ser mais compensadoras que em disco. Depois da passagem de Sasseti (a 24 deste mês), ainda vai haver bom Jazz no Porto:

02/Out: Andy Bey Quartet
14/Out: DEP (Hugo Danim, Eduardo Silva, Peixe)
14/Out: Nuno Ferreira Quinteto (feat. John Ellis, Jesse Chandler, Bernardo Moreira, Bill Campbell)
15/Out: Lee Konitz Nonet (feat. Billy Hart, among others)
16/Out: Dee Dee Bridgewater
03/Nov: Jacky Terrasson Trio
05/Nov: Greg Osby Five (feat. Jason Palmer, Megumi Yonezawa, Matt Brewer, Tommy Crane).
2004/09/27

::Onde For My Baby (And One More For The Road)

Às vezes, sob um naufrágio de palavras, fica a boiar à tona uma qualquer nota musical que perdura durante uma certa eternidade (uma noite, um amanhecer). Não é obrigatório que nesse momento tudo faça sentido, desde que a luz passe, a musica permaneça, a esplanada fique deserta e o copo esvazie: vermelho com limão.

:Ouvindo «Ain't Misbehavin'» por Petra e Georgios:

Dois Amores Também Eu Tenho*

Haverão outros notáveis portugueses com quem se deveria seguir este exemplo. Porque não?

"Decidiu um grupo de cidadãos criar uma Associação de Amigos/Admiradores da violoncelista Guilhermina Suggia, com os objectivos de preservar a sua memória, divulgando a sua vida e obra, lutando para que os seus desejos testamentários sejam devidamente cumpridos, talvez – sonho grande – criar a Casa-Museu daquela que foi uma das mais importantes figuras da música do seu tempo."

http://suggia.weblog.com.pt


*Obviamente, nem todos artistas portugueses serão possuidores da mesma elevação e dignidade artística...


[Cortesia Forum Sons]

Gee, But It's Great To Be Back Home

We're back!
(Be afraid...)



E aproveite-se para avisar: "Vol. I" do Dead Combo é um dos discos pop-tugueses do ano. Ou outra coisa qualquer.
2004/09/21

Obrigado, Donnalee!

Ele há gente do caraças... não lhe bastava ter uma voz maravilhosa, também tinha de escrever do mesmo modo que canta. Querida Petra, um texto destes não pode ficar confinado à esfera reservada de uns quantos sortudos. Permite-me a partilha deste teu texto:

"Jump up and down like your life depended on it

O nome dele é Jaco Pastorius e é, foi e será sempre o maior baixista de todos os tempos. Um génio consciente da sua própria genialidade que se auto-destruiu e acabou por morrer de um espancamento à porta de um bar (curiosa e triste o raio da história, o homem a querer entrar no local porque estavam a passar a música dele,as bestas a dizerem "não, não, aqui não entras" ele a insistir"hey, deixem-me entrar!, sou eu que estou a tocar!" e ser espancado até à morte), após nove longos dias de coma. Um homem que nunca se privou de afirmar ser um génio e a quem nunca ninguém foi capaz de contradizer, repetindo a soberba e tão verdadeira frase "It's not bragging if you can back it up" quando alguém não tinha a visão de entender que ele sabia perfeitamente o que estava a dizer. Atrevo-me, oh sim, com estas letras todas, a dizer que não existia o baixo eléctrico até o Pastorius decidir que ele existia. Ninguém antes dele se tinha atrevido a tocar harmónicos e acordes e usar efeitos simultâneamente e ser guitarra, baixo, trompete, bateria, uma orquestra inteira no braço de um fender escavacado, com o verniz estalado e a tinta lascada, ninguém. Ninguém a não ser ele.
Quando o Charlie Parker compôs o "Donna Lee" que me dá nome aqui, não podia imaginar que um dia um maniaco-depressivo ia pegar num baixo, fazê-lo soar como um trompete e elevar o tema às esferas celestais com um virtuosismo sem precedentes, mas ninguém preparou o mundo para o Pastorius e mesmo assim, ele veio. O seu primeiro disco, homónimo, foi um soco na cara da música, uma carta de apresentação bombástica a pingar mel e lava, com temas sublimes como este "Donna Lee" ou o seu mágico "Continuum" (por zeus, aqueles harmónicos sobrenaturais) e nesse mesmo ano, foi convidado por Joe Zawinul para integrar os Weather Report. Nem o Zawinul sabia o que ia significar trazer um gigante como o Jaco para o seu lado, e apesar de dizerem que foi graças a eles que finalmente brilhou, eu digo que foi graças a ele que eles finalmente brilharam. Ao Miroslav, o antecessor de Pastorius neste all-star-project que foram os WR, concedo o mérito de um virtuosismo técnico irrepreensível, mas faltava-lhe a paixão que Pastorius levou para o seio da banda e que fez dela uma das maiores histórias de popularidade na História do Jazz. Que se compare " I sing the Body Electric" com, por exemplo "Heavy Weather", ou com o meu favorito de sempre, o duplo ao vivo "8:30". É impossível não sentir exactamente onde é que a entrada do Pastorius na banda fez TODA a diferença e ao vivo isso sente-se mais que nos discos de estúdio. Este homem, acreditem, era um génio. Não se explicam momentos como " A remark you made", nem se explica o solo extraordinário em que este homem sózinho é uma banda inteira, o inverosímil "Slang (Bass solo)". Era um génio e pronto, a música fala por si e não há homenagem que se lhe possa fazer que não passe exclusivamente por reconhecer-lhe o mérito de ter sido o maior baixista de todos os tempos, independentemente de se gostar ou não da corrente musical que o imortalizou. Talvez não seja acessível a toda a gente, este tipo de fusão, mas temas como o "Birdland" ou o "the Chicken" são marcos incontornáveis na história da música e fazem parte do imaginário de muitos de nós, que conhecemos estas canções na infância ou na adolescência, no genérico de algum telejornal ou programa de televisão sem sabermos o que era. E para mim, os Weather são os Weather porque ele existiu.

Li a biografia dele há cerca de quatro ou cinco anos atrás e não consegui evitar que a frustração tomasse conta de mim com o caminho que Pastorius escolheu para si. A decadência dos seus últimos anos de vida só é comparável em intensidade ao valor da obra que nos deixa. Ele fez de si próprio um pária e desde a sua saída dos Weather Report e apesar de ainda nos ter brindado com o magnífico "Word of Mouth" (hmmm, também editou o belíssimo "Invitation" ao vivo, mas se calhar isto não conta:D) em 81, ano da sua saída da banda (por zeus, eu ainda nem devia saber juntar mais que quatro palavras compridas numa frase:D), foi sempre a descer até ao tal dia em 87 que foi espancado na terra que o viu crescer e entrou no coma que, aos 35 anos, o roubou de nós.

Pastorius, meu grande cabrão, porque é que não ficaste na tua? Tinhas de entrar naquele clube, não tinhas? Tinhas de fazer tudo para te partirem o corpo aos bocados, já que sózinho com as drogas e o alcool não conseguiste, não é? Tinhas de fazer isso tudo, como tinhas de ir para um campo de Basket no meio do Bronx, tu o branquinho, de baixo e amplificador, bradar aos céus que tu e Jimi Hendrix inventaram o Estados Unidos enquanto tocavas o "God bless America", porque tu só fizeste da tua vida o que bem entendeste, e fodeste-nos a todos porque deixaste que o teu génio te sufocasse. Fazes falta, meu palhaço. Se tu visses o que são os músicos de jazz agora, esses emproados obcecados com a técnica que se esquecem que o virtuosismo não serve de nada se não tiverem um coração do tamanho do teu, rias-te muito e davas-lhes palmadas condescendentes nas costas. Se te encontrasse agora, acho que ia também eu querer bater-te porque ouve, meu estúpido, ninguém se deixa morrer como tu fizeste. És o maior. Todos querem tocar como tu, mas tu sabes e eu sei, e quem sabe o que fizeste quando arrancaste os trastes ao baixo e fizeste do fretless uma varinha de condão sabe, que o teu lugar nunca vai ser preenchido por mais ninguém. Jaco Pastorius, John Francis Pastorius III, faço-te uma vénia e espero que a vejas, aí onde estás. Representas para mim o que de mais grandioso e de mais triste podemos aspirar a ser enquanto seres humanos.
Bem hajas."

Donnalee
[Original stuff from www.livejournal.com/~donnalee/105398.html]

Obrigado Petra
e um beijinho.
2004/09/17

BTW

Só para anunciar que é desta que vou de férias. Uma semana, só. Volto Já.

The Real Jacko




Em 1976 o virtuoso do baixo eléctrico Jaco Pastorius editou um disco que fez escola, fez história e fez-se mito. Já alguém disse que Pastorius está para o baixo eléctrico tal como Charlie Mingus para o contrabaixo. Uns quantos temas bastaram para a imortalidade:

1. "Donna Lee"
A apresentação breve e concisa do virtuosismo num magnífico rendilhado bebop.

2. "Come On, Come Over"
Soul/funk de boa colheita, o baixo traça o caminho, as vozes de Sam & Dave fazem o resto - o registo mais pop do disco.

3. "Continuum"
Lembranças dos Weather Report num tema espacial.

4. "Kuru / Speak Like a Child"
Os amantes (aka cromos) da electrónica talvez reconheçam a épica introdução deste tema numa criação do Trüby Trio ["Donaueschingen/Galicia"].

5. "Portrait of Tracy"
Um delicado momento solo.

6. "Opus Pocus"
Um dos melhores temas do álbum, fundo eléctrico de Hancock e espaço para o génio de Wayne Shorter.

7. "Okonkole Y Trompa"
Uma melodia suave soprada sobre um fundo bizarro.

8. "(Used To Be A) Cha Cha"
O mais ortodoxo e (provavelmente) o melhor tema do disco.

9. "Forgotten Love"
O fim. A edição cd de 200 traz mais dois temas: uma diferente versão de "(Used To Be A) Cha Cha" e ainda "6/4 Jam". Enfim, uma enorme demonstração de talento de um génio que a morte não teve vergonha de ceifar cedo demais.

O Activismo Necessário




Sábado, 18 de Setembro, 17H, Parque Eduardo VII.

[Obrigado: à Val, pelo aviso; à Sara, pela imagem.]
2004/09/15

Bad, Bad, Leroy Brown

O ano 04 tem sido feliz em edições de música pop. No entanto sempre há coisas que não passam pela nosso (parcial) filtro. Como por exemplo estas:

Spektrum / "Enter the... Spektrum"
Há electrónica da boa lá pelo meio. Mas as vozes irritam. E alguns trejeitos rebuscados do caixote do lixo dos 80's bem se dispensavam. Há algumas ideias com valor que efectivamente são exploradas, mas por vezes o resultado não é o mais conseguido. Difícil de aguentar sem o efeito analgésico de uns copos valentes.

Sufjan Stevens / "Seven Swans"
Ok, a lição foi bem aprendida, há pozinhos de todas as boas influências que interessam para qualquer folk-singer-songwriter-de-guitarra-a-tiracolo-que-se-preze. As cançõezitas chegam a ter uma certa névoa de forma, mas nunca a conseguem alcançar completamente, parece sempre que se fica a meio de algo. Mas que grande seca, caramba... não há nada que faça eriçar os pêlos. O Festival Para Gente Sentada (Sta. Maria da Feira, 1/2 Out.) apresentará nomes bem mais apelativos - o louco Devendra Banhart (uma vénia) e a linda Rosie Thomas (ajoelhai-vos) convidam à mais serena atenção, Sufjan convida a uma boa soneca.
2004/09/13

Holy Ghost, I Just Wanted To Be Your Housewife

Não, ainda não é desta, as férias serão apenas na próxima semana. Um inesperado acontecimento de última hora permitiu a alteração e por esta semana ainda continuamos por aqui, a entrada de férias é adiada uma semana. Entretanto, vai-se consumindo a lista referida ali abaixo. Especialmente:


Obviamente, Ayler é um monumento de free jazz. E faz sempre bem voltar a ouvir o génio absoluto.


E, mudando de dimensão, "La Maison de Mon Reve" das CocoRosie tem entrada directa para a lista dos melhores discos pop deste ano.
2004/09/10

Don't Leave The Light On, Baby

Vamos outra vez de férias, só mais uma semanita. Companhia para os próximos dias:

- "Memória de Elefante", António Lobo Antunes
- "On The Road", Jack Kerouac
- "Velvet Goldmine", Todd Haynes
- "The 39 Steps", Alfred Hitchcock
- "La Maison de Mon Reve", CocoRosie
- "En Carnegie Hall", Chavela Vargas
- "Seven Swans", Sufjan Stevens
- "Sung Tungs", Animal Collective
- "Buddy's Blues", Buddy Guy
- "Tabula Rasa", Arvo Pärt
- "Goin' Home", Albert Ayler
- "Lörrach, Paris 1966", Albert Ayler
- "A New Perspective", Donald Byrd
- "The Sweetness of the Water", Spring Heel Jack
2004/09/08

O Cinema é um Milagre

Aqui pelo tasco (expressão muito em voga à qual não conseguimos fugir, apesar de semi-plagiar o estabelecimento do jamiroo) tem-se andado a ouvir a banda sonora do novo filme de Emir Kusturica, "A Vida é um Milagre". Desta vez não há Goran Bregovic, nem o trio do "Gato Preto Gato Branco", mas as peripécias sonoras da No Smoking Orchestra (da qual Kusturica é membro efectivo) remetem para o universo do costume, rocambolescas voltas e reviravoltas de loucura e alegria. Um aperitivo a fazer crescer água na boa para quem aguarda com grande ânsia pelo filme que está ai a chegar.


2004/09/04

O Beijo

Sem minimamente imaginar à altura em que foi escrito, o post anterior acabou por ser extremamente premonitório... É que hoje, ao passar por uma loja de arte, avistei uma réplica d'"O Beijo", belíssimo quadro de Gustav Klimt, e não resisti. Trouxe a "cópia expressamente não autêntica" para decorar a sala da casa nova. E, já agora, fica outra réplica a embelezar este blog.


Gustav Klimt, O Beijo (1907/08)
2004/09/02

Prelúdio para um Beijo




O mais-que-magnífico-excelso-sublime trio do jazz está de volta com novo disco. Keith Jarrett, Gary Peacock & Jack DeJohnette acabam de lançar "The Out-of-Towners", registo de um concerto de Julho de 2001, que inclui: I Can’t Believe That You’re In Love With Me, You’ve Changed, I Love You, The Out-of-Towners, Five Brothers e It’s All In The Game. Por cá ansiamos grandemente por lhe por as mãos em cima.

E para quando a vinda do tio Jarrett e amigos ao CCB? A notícia da vinda do Trio à Casa da Música (a que se seguiria gente como Tom Waits e Chico Buarque) não passou de um maldoso boato. Mas nós queremos o Keith por cá. Já!

Hoje, por aqui ouviu-se o duplo de 2000 "Whisper Not". E hoje, especialmente, a faixa "Prelude to a Kiss" de Duke Ellington rodou mais vezes que as outras.

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