E agora, intervalo para um devaneio confessional (mais um). Do tempo em que trocava as tardes de estudo para vibrar com o Dragonball, essa mais-que-mítica série de tv, havia uma personagem que me fascinava mais que todas as outras. O Songoku era um herói fácil, o Coraçãozinho de Satã era demasiado verde, o Vegeta demonstrava demasiada instabilidade psicológica. Aquele por quem ganhei mais afeição surgiu logo na primeira série e foi, talvez, o mais difícil adversário que Songoku teve alguma vez de enfrentar. Na ingenuidade daqueles primeiros tempos, em que as lutas ainda não se faziam à base de raios laser, Ten Shin Han demonstrou a sua valentia e defrontou o herói previsível com uma coragem desmedida. Enfrentou lutas renhidas, das mais belas que alguma vez se viu. No entanto, apesar da valentia, como já era esperado, o bem venceu. Ten Shin Han compreendeu que estava do lado errado e juntou-se aos bons. A partir daí, e até ao fim, a sua participação limitou-se a incursões secundárias, a um papel de apoio, limitando-se a ser apenas mais jogador de equipa. Mas foi sempre leal e corajoso, como mais nenhum. Ten Shin Han foi um guerreiro maior que os outros. Combateu Songoku num plano de igualdade, num tempo em que ainda não se jogavam super poderes electricos, cheios de efeitos especiais e vanguardas tecnológicas marca Z. A força do seu poder ficou gravada na memória dos adeptos daquela primeira séria. Ten Shin Han, és o maior!
Voltamos ao jazz. Ao clássico, como é bom. A escolha do dia vai para este disco, onde o saxofone de Lou Donaldson partilha o espaço com a guitarra de Grant Green e o orgão de John Patton. Este invulgar quarteto, completo com a bateria de Ben Dixon, dá-nos música fresca, solta... Groovy, é o termo certo. Ideal para os dias (e noites) quentes deste verão que já chegou.
[Produced by Alfred Lion; recording engineer: Rudy Van Gelder; Blue Note, 1963]
posted by Nuno Catarino @ 22:41
A Menina Dança?
A noite é quente. A música afaga-nos os sentidos. Fica a sugestão: dancemos no mundo?
posted by Nuno Catarino @ 22:04
2004/06/28
Um Homem na Cidade
Chegou-me recentemente às mãos a gravação do concerto de Carlos do Carmo no Coliseu de Lisboa. Agora que o fado está na moda, um dos gigantes da nossa canção reclama, sem grande esforço, o seu trono. Relembra os eternos clássicos que o próprio registou na nossa memória - "Lisboa Menina e Moça", "Os Putos", "Canoas de Lisboa". Pede emprestados à deusa senhora dona Amália dois dos maiores fados de sempre - "Estranha Forma de Vida" e "Gaivota". Leva-nos à festa do povo através de temas como "O Homem das Castanhas" ou "Por Nascer Uma Andorinha". Canta o belo tema "Nasceu Assim, Cresceu Assim" (Vasco Graça Moura, dedique-se em exclusivo às letras, sff). E ainda nos dá brindes, como a versão fado do tema "Bailarina", do grande José Medeiros, e o fado-tango "Dois Portos", colaboração de Walter Hidalgo. Aliás, as colaborações só engrandecem a prestação do grande cantor: Carlos Bica, Ricardo Rocha, Júlio Pereira e a Sinfonnieta de Lisboa não desvirtuam o espectáculo, dão-lhe antes outra amplitude, uma maior abrangência. Mas no fundo nada disto interessa quando aquela voz se abre para cantar a canção de Lisboa. Isto é classe.
Tenho para mim que a passagem de um homem neste mundo é incompleta se não se marcar um golo num jogo de futebol na praia.
Obviamente, outro dos motivos que fazem valer uma visita pela terra são alguns discos que nos fascinam. Como este:
PS: E já repararam que ela voltou?
posted by Nuno Catarino @ 22:51
Manifesto Anti-Scolari
A selecção nacional ganhou uns jogos e Scolari foi elevado à categoria de herói genial. Recuperemos a verdade: Scolari é um nabo. Não se põe em causa o seu conhecimento técnico-táctico do jogo – ele sabe da coisa, pelo menos tanto como qualquer Humberto Coelho ou algum adepto que veja futebol com regularidade. O problema é a sua presunção. Teimoso como um burro, recusou-se a fazer coisas óbvias - não convocar o campeão europeu Vítor Baía é de uma extrema injustiça (e se houver justiça divina Felipão irá pagar por este erro na eternidade do Inferno).
Mas, pior que isto, é a sua sorte. Não se vê relação directa entre trabalho metódico e resultados. Ele limita-se a escolher onze jogadores e estes cumprem com a sua parte. Aconteceu com o Brasil em 2002, no pior Mundial de que há memória… Gerindo um equipa que incluía Ronaldinho, Ronaldo, Rivaldo, entre outros matraquilhos da arte de fintar, adoptou uma táctica absurdamente defensiva e mesmo assim conseguiu ganhar o torneio. Mérito do treinador?
Neste Euro 2004, começou com a habitual pose de teimosia estúpida. Ignorou as vozes que clamavam pela desde há muito pela inserção de Ricardo Carvalho na equipa – e talvez a defesa fosse mais segura se Carvalho tivesse a companhia de Fernando Couto, que apesar da falta de velocidade jogaria com mais calma que Jorge Andrade. Mas as coisas correram mal no primeiro jogo e Scolari, com a corda no pescoço, fez o mínimo que se exigia. Trocou a defesa e incluiu Deco – criativo mas trabalhador a recuperar. Mas mais do que jogadores, a equipa mudou de atitude e os resultados apareceram.
Scolari, para nosso bem, continuou com sorte. Teve sorte nas substituições – os marcadores saíram quase sempre do banco. E, mesmo assim, não fez nada que não se esperasse – tirar jogadores defensivos para pôr atacantes, quando se está a perder, é algo que qualquer comentador de café sabe.
Ainda assim não evitou erros: no jogo com a Inglaterra a saída de Figo aconteceu demasiado cedo. Figo é o incontestado líder e, apesar do azar na marcação de livres durante esse jogo, era necessária a sua presença em campo para carregar a equipa em direcção à reviravolta. Aqueles que reclamam a saída dos “veteranos” da selecção devem ter esboçado aqueles seus sorrisos manhosos. Porque, com vistas curtas, falam em renovação e não se lembram quem foi fundamental em quase todos os jogos dos últimos anos (fundamental nos jogos recentes, sim!). E, falando em Figo, a sua atitude poderá não ter sido a mais correcta, mas percebe-se a dificuldade em aceitar um afastamento incompreensível. Mas Luís Figo saberá, como bandeira do país, da importância desta vitória e certamente também a terá saboreado.
Scolari deu o braço a torcer, fez o que se esperava, os resultados apareceram. O adepto tuga, que é de fraca memória, tomou o braço e cumprimentou-o com força, felicitou-o como se tivesse descoberto um genial padrasto. Dizia-me a minha amiga Luísa, que não percebe nada de futebol: quando os jogadores são bons o treinador só tem é de deixá-los jogar. É verdade. Assim até eu.
posted by Nuno Catarino @ 22:13
2004/06/25
Dos Dias do Futebol Europeu #4: A Final Não Era Dia 4 de Julho?
Portugal 2 - 2 Inglaterra [6-5 GP]
Uuufffff! Sem dúvida, o mais emocionante futebol que vivi na minha vida... O golo inglês obrigou à ofensiva portuguesa, mas a habitual falta de eficácia levou dez milhões a sofrer até quase aos 90 minutos - obrigado, Postiga! O golo genial de Rui Costa (definitivamente um dos melhores golos deste Europeu) levou a pensar que tudo estava para terminar por ali, mas a água fria que a frieza britânica nos entornou adiou o alívio até à lotaria do penalty. Beckham falhou, como já se sabia. Rui Costa também. Os outros marcaram todos. Postiga imitou Panenka. O inglês #23 chutou e o Ricardo atreveu-se a defender. Ricardo (sim, o guarda-redes!) rematou e fez golo. O país explodiu.
Aqui por casa, hoje ouviu-se o álbum "Heroes of Reggae In Dub" dos The Skatalites com King Tubby. Reggae, dub e fumaradas à volta. De vez em quando por aqui também se gosta disso e, já agora, aproveita-se a ocasião para lembrar três discos essenciais:
- Augustus Pablo, "King Tubbys Meets the Rockers Uptown" Um clássico absoluto do género, que junta o rei da melódica Augustus com o mixmaster e regente autoproclamado King Tubby - o título do disco é dos meus preferidos de sempre.
- Bob Marley and The Wailers, "Catch a Fire" Bob em fase ingénua e ainda com poucas pulgas no cabelo, num disco fundamental para a divulgação universal do reggae. E a capa é bastante elucidativa...
- Lee "Scratch" Perry, "Arkology" Numa caixa de três cd's, junta-se algum do melhor material produzido pelo velho louco; ou de como a genialidade não pode ser razoavelmente justificada. O título deste post é uma música incluída nesta caixa, uma das minhas "all time favourites", que também dá o nome ao modo "vibratório" do Nokia, na versão personalizada. Vibrate on! posted by Nuno Catarino @ 22:10
2004/06/22
Coffee & Cigarettes
Jim Jarmusch está de volta. Desta vez não nos traz um "filme", no sentido clássico do termo, mas uma colagem de episódios. Trata-se de uma colecção de conversas que gente pouco comum tem em volta de mesas cheias de café e cigarros. Ou uma espécie de apologia dos vícios (ainda)legais. Em cada sketch, várias personagens, usando o seu nome real, entram em conversas, pequenas situações, diálogos absurdos. O nível do filme não é sempre o mesmo, há momentos elevadíssimos e outros mais humildes. O primeiro momento, non-sense e humor cruzado entre Roberto Benigni e Steven Wright, dá o mote para o resto do filme. O diálogo Tom Waits/Iggy Pop vale por nos mostrar os ídolos bem de perto - Iggy nem parece ele, tão calmo; Tom parece saído de uma das suas canções. Algumas partes são mais fraquitas, como aquela em que intervem os White Stripes... Mas os três sketches finais compensam o filme. O encontro Alfred Molina/Steve Coogan é um delicioso jogo de simpatia com o espectador. O rendez-vous de Bill Murray com os membros do Wu-Tang Clan mostra que o Bill percebe o hip-hop. E a conversa entre os velhotes Bill Rice e Taylor Mead, sob a sombra de Mahler, é ternura absoluta - comovente. Sai uma bica p'ra esta mesa!
posted by Nuno Catarino @ 23:23
2004/06/21
Devoção a São Francisco
Francisco Buarque de Hollanda festejou 60 anos de vida. E, entre navegações blogueiras, constato: a primeira divisão da blogosfera nacional é toda devota. A Praia, Avatares, BdE, Barbabé, Babugem, Glória Fácil, Terras do Nunca... todos se curvam perante a grandeza do mestre. Por fruto do acaso, também este blog partilha com Chico Buarque o dia 19 de Junho como data de nascimento - o que nos deixa babados de honra pela coincidência. Parabéns, Chico!
Aqui ficam alguns albuns, os que mais me marcaram:
posted by Nuno Catarino @ 22:28
Dos Dias do Futebol Europeu #3: Isto é Futebol!
Que jogão! Domínio (quase) completo do jogo, dribles que nunca mais acabam, ocasiões de golo e emoção do princípio ao fim. Os portugueses mostraram como se joga e os espanhóis nem perceberam o que se passou... Passamos aos quartos-de-final, o primeiro objectivo foi alcançado. E a festa foi bonita. Mas agora o próximo adversário é a Inglaterra. Figo, lembras-te como foi da última vez?
Há muito, muito tempo, existiu o dia 19 de Junho de 2003. Nesse dia, um dos mais quentes desse ano, fui para a praia, para o sol da Caparica (depois de ultrapassadas mais de duas horas de trânsito). Na praia li a edição do Público do dia, que continha (mais) um artigo de José Pacheco Pereira sobre os blogs. Quando cheguei a casa, roído pela curiosidade, fui experimentar: www.blogspot.com, www.blogger.com. Ia registar o endereço, mas faltava-me um nome. Lembrei-me das razões das escolhas dos outros, como por exemplo o Pedro Mexia, que foi buscar o “Dicionário do Diabo” a um livro de Ambrose Bierce. Pensei em usar um nome que servisse como caução cultural. Tentei livros e filmes, não encontrei nada que servisse. Tentei música, campo onde me sinto mais à vontade, e experimentei “The Shape of Jazz to Come” de Ornette Coleman, numa tradução (bastante) livre: “A Forma do Jazz a Vir”. Havia a referência à música e era pretencioso q.b. Ficou. Escrevi umas linhas, fiz post & publish e lembro-me que pensei: bolas, isto é muito fácil! Durante os dias seguintes não voltei a ligar à coisa, tinha sido só um teste. Alguns dias depois falei com a Lénia, que me disse que tinha um blog, o Outro Lado da Lua. Então eu, para não ficar mal visto, disse: “eu também tenho!” – ok, só havia um post, mas já era alguma coisa... A partir daí passei escrever com regularidade. Durante o mês de Agosto, em que estive duas semanas de férias e mudei de casa, deixei o blog de lado. Mas quando voltei, em Setembro, dediquei-lhe mais atenção. Comecei a fazer uma lista de links, que obedecia apenas a um critério: "blogs que gosto". Comecei por poucos, mas à medida que ia descobrindo a lista crescia. Entre os blogs linkados, alguns obrigatórios, outros simpáticos, a lista cresceu tanto que se transformou no monstro que habita ali ao lado. Obviamente que agora é impossível ler todos, mas há muitos que leio todos os dias, os outros são para visitar de tempos a tempos. Quem conheça este blog desde o início já sabe que a "linha editorial" nunca foi muito rígida – começou num registo pessoal, incluiu algumas tentativas literárias, fez-se algum humor irónico e corrosivo, deram-se sugestões auditivas… Ultimamente, até análise de futebol se faz! Aos interessados, ou não, partilhei a minha vida, os meus gostos, os meus discos… Para limpar deste blog os textos "literários", resolvi transferi-los para outro espaço, o blog Se Esta Noite Formos Vento, espaço partilhado com a amiga Felisbela Fonseca. Outra partilha bloguística que se fez, neste caso com a Lénia, foi o Chá de Magnólia. Durante todo este tempo de bloganço tempo aprendi muita coisa. Descobri que havia pessoas que gostavam do que escrevo (e outras não), mas percebi também até onde vão os meus limites. Li muitos posts, muitos blogs, muitas pessoas. Tive a possibilidade de ler diariamente as palavras soberbas de gente como o Bonifácio, o Mourinha... e as observações geniais da Xobineski. E estive envolvido em polémicas (não muito agressivas) com o Quinto Galarza, o T.M.M. e o António. Aprendi muito, subscrevi muitas palavras, partilhei sentimentos. E, como há sempre a curiosidade de saber como é quem está do lado de lá das palavras, conheci pessoas. Soube que as pessoas são sempre mais que um blog. Tive o prazer de conhecer pessoalmente a Valentina, a Catarina, a Sofia, a Sara, o Fernando e a Vânia. E espero ainda conhecer outros, como a Sara, o Rodrigo, o Nuno, a Sofia e o Tiago, o João, o António, a Fata Morgana, o Assador e o Mário entre outros… Eventualmente, qualquer dia iremo-nos cruzar em concertos ou festivais. Haveria outras pessoas, outros blogs a citar, mas é sempre impossível falar de todos.
Hoje, o blog "A Forma do Jazz" comemora um ano de vida. A todos os visitantes, muito obrigado. Por ora, como me disse a Inês quando nos cruzamos na Feira do Livro, keep on blogging!
posted by Nuno Catarino @ 13:50
2004/06/18
De Espanha...
Vou à caixa de correio e encontro um invulgar envelope, maior que o costume. Vejo que o remetente é o meu amigo Vidal Lorenzo Marcos, que me enviou directamente de Salamanca um disco de Chano Dominguez: "Oye Como Viene". Fiquei agradavelmente surpeendido pelo presente - não que desconfiasse do bom gosto do Vidal, mas porque o artista me era desconhecido. Gostei de descobrir esta impensada colaboração entre jazz e flamenco. O jazz é que trabalha a maior parte do tempo, mas também há espaço para o flamenco se exibir. O melhor do disco é a fácil integração dos estilos, não se percebe onde começa uma coisa e termina outra. A ligação faz-se através do piano de Chano, que nivela com qualidade todo o disco. A fusão resulta optimamente, o disco é bastante bom. Gracias, Vidal! Só por causa disto, não me importo que Portugal ganhe o jogo de domingo por menos que três golos...
Decorre de 9 a 26 de Julho a primeira edição do "Cool Jazz Fest". Este evento decorre em espaços de quatro concelhos diferentes do distrito de Lisboa: Mafra, Sintra, Oeiras, Cascais. O nome do festival é um bocado abusivo, uma vez que não se trata de um festival de jazz, mas a paleta de artistas convidados é alargada e bem escolhida. O concerto (mais que) obrigatório será o de Roy Ayers, mas os outros também são bem recomendados. O programa completo é este:
Dos Dias do Futebol Europeu #2: Afinal Eles Sempre Sabem Jogar à Bola
Portugal 2 - 0 Rússia
Os jogadores entram em campo, seguros e motivados, e finalmente revelam que afinal não é só bluff, também jogam mesmo futebol. Os jogadores que entram de ínico são uma boa surpresa, pela fácil integração no jogo. A equipa domina, controla e o golo é arrancado cedo. O resto do tempo é passado a controlar o jogo, de forma menos aventureira mas inteligente, mas o golo da confirmação é teimoso e não quer aparecer - há uma óbvia falta de concentração ofensiva (poucos remates, poucas oportunidades). Antes do jogo acabar, R Costa desenha com Ronaldo o golo do alívio. Quanto às substituições relativamente ao primeiro encontro, foram de louvar - todas deram bom resultado. Era obrigatório que R Carvalho estivesse presente (mas isto logo no primeiro jogo e melhor seria a fazer parelha com Couto). Miguel e N Valente estiveram bem. Deco mereceu o lugar. Pena que Pauleta esteja num claro momento de apagamento. Figo foi excelente, como sempre. E Ronaldo deixou de ser uma brincadeira, é obrigatória a sua presença na construção atacante da equipa. Só falta um jogo, para passar à próxima fase. Por agora viu-se que o mais difícil foi ultrapassado - agora já ninguém tem medo da bola.
Como é hábito, hoje de manhã, antes de sair de casa, escolhi (quase aleatoriamente) alguns discos para ouvir durante o dia. Um dos que levei na mala foi "Third / Sister Lovers" dos Big Star. Nos anos 1970's, Alex Chilton e Chris Bell, dois génios perdidos do mundo, juntaram-se, formaram uma banda e gravaram umas musiquitas. O primeiro disco, "#1 Record", já inclui temas belíssimos como "Thirteen", "The Ballad of El Goodo" ou "India Song" e é genial. O terceiro ("Third / Sister Lovers") é ainda mais lindo. Do início ao fim do disco corre-se um mundo longínquo onde tanto se rocka bem como se tocam baladas de sonho. Inclui ainda versões, como "Femme Fatale" dos Velvet Underground e o clássico de Eden Ahbez, "Nature Boy". Neste disco há também temas que depois outros fizeram versões, como "Kangaroo" (This Mortal Coil) ou "Take Care" (Yo La Tengo). Os Big Star são justamente considerados, a nível alternativo, das mais influentes bandas de sempre. Mas que interessa isso quando nos conseguem levar a viajar até às nuvens mais fofas do céu? Às vezes até conseguimos tocar numa estrela.
posted by Nuno Catarino @ 21:51
Como o Blog Mudou a Minha Vida #947
Depois de muitos anos a ser cliente de "Romance" [by Ralph Lauren], decidi mudar de perfume. Por causa do nome, fui experimentar o "Live Jazz" [by YSL]... Trouxe-o para casa! Agora, o gajo d'a forma do jazz usa o perfume do jazz...
posted by Nuno Catarino @ 21:25
TartNoir (As Coisas Más Acontecem)
Mulheres confessam crimes, homicídios. As diferentes mulheres revivem os crimes, as personagens trocam de lugar. Os homens são objectos, elementos secundários, vítimas. Esta peça é uma boa encenação criativa de Luís Borges (Produções Fictícias) e a produção é dos Hipócritas. Os actores já passaram quase todos pela Escola Superior de Comunicação Social e pelo seu grupo de teatro 2º a Circular. Esta peça é patrocinada pela Martini (e com sorte ainda levam umas mini-garrafitas p’ra casa…) e está no Belém Clube [Calçada da Ajuda, 76] até ao dia 27 de Junho. Por isso, não percam!
Horários: Quinta a sábado às 22h00; domingo às 18h00.
Preço: 6€ (normal) / 5€ (estudante)
Bilheteira: 213636906 / 917857269.
posted by Nuno Catarino @ 00:13
2004/06/13
XXIII Estoril Jazz / Jazz Num Dia de Verão ‘04
Já é conhecido o programa do Estoril Jazz, um festival por onde já passaram nomes inesquecíveis. A edição deste ano, apesar de alguns bons nomes, não tem a pujança de outrora, apresentando um cartaz desequilibrado, não sendo diferente de muitos outros festivais que ocorrem em outros pontos do país. O festival está velho, com a imagem gasta… e o design gráfico também não ajuda nada. No entanto, eu talvez apareça para saudar a vinda do Marsalis mais novo e do meu amigo pessoal (e também melhor sax alto do mundo) Kenny Garrett. Aqui fica o programa:
Dia 3: Trio de Mark Shim Dia 7: Quarteto de Kenny Garrett Dia 8: Quarteto de Brandford Marsalis (c/ Jeff “Tain” Watts)
Dia 9: Randy Brecker / Bill Evans Soulbop Band
Dia 10: Clayton-Hamilton Jazz Orchestra
Dia 11: Jazz At Pamela Park (c/ Wycliff Gordon, Vincent Herring, Lewis Nash…)
O ambiente num metro cheio de ingleses grandes, gordos e com cerveja na mão a gritar "Engaland, Engaland" não será o mais acolhedor... Os franceses são mais simpáticos e menos violentos, ouvi-los a cantar "A Marselhesa" até é giro... Por isto, que o Euro corra bem aos "Bleus", preferencialmente com o Rei Zidane (aquele que faz amor com a bola) em grande estilo.
posted by Nuno Catarino @ 19:46
Dos Dias do Futebol Europeu #1: Ainda Agora Começou
Grécia 2 - 1 Portugal
Isto do Euro começou mal. Uma derrota impensada com a Grécia é o suficiente para deitar abaixo a esperança de um país, coisa aliás muito nossa – tanto entramos em excessivas euforias como em pessimismos desmesurados, de um momento para o outro. Como diz o Abrunhosa, é preciso ter calma.
O que aconteceu? A equipa não soube lidar com a pressão, como vem sendo hábito, e entrou mal. Erros defensivos cometidos por jogadores muito nervosos (Paulo Ferreira, Costinha estiveram muito abaixo do expectável) atraiçoaram o destino do jogo. A incapacidade de responder ao golo grego foi fatal. A subestimada Grécia fez um pressing elevadíssimo e não deu espaços, a equipa nacional não os conseguiu criar e atacou sempre mal. Um golo antes do intervalo era o necessário para dar a volta ao jogo, mas esse tal golo foi sendo adiado.
Na segunda parte as substituições foram determinantes no rumo do jogo. Primeiro, Ronaldo fez o penalty que afundou a esperança da equipa. Mas a sua prestação em campo foi notoriamente superior às dos seus companheiros – esteve em quase todos os ataques da segunda parte. Deco também fez melhor figura que Rui Costa, esteve em alguns bons momentos. A substituição de Nuno Gomes por Costinha foi um acto de coragem – há muito tempo que não via em Portugal em treinador a tirar um médio para pôr um avançado (foi em desespero de causa, mas era a única solução possível). O golo ainda surgiu, fora de tempo de dar uma volta ao jogo.
Com a falta de paciência habitual, pedem-se já cabeças, demissões e substituições para o próximo jogo. A troca de jogadores só porque um jogo correu melhor não é um bom método. Veja-se o que aconteceu no Mundial 2002: Ricardo passou a temporada toda em boa forma e efectuou os jogos de apuramento quase todos; Baía fez um bom jogo de preparação (contra a China) e, só por isso, deram-he o lugar de titular na baliza durante o campeonato – mas o Mundial correu mal e Baía foi um dos piores. Ontem Deco esteve melhor que Rui Costa, de Simão pouco se viu e Pauleta não se mostrou (mas também não teve ocasiões para tal). Ronaldo fez um bom jogo, mas ainda é demasiado imaturo para começar um jogo de início (e é ao entrar na segunda parte que ele surpreende, pode mudar um jogo). Façam o favor de não tirar as bandeiras das janelas. O Europeu não acabou, é fazer as escolhas acertadas e melhor sorte para a próxima futebolada.
É votar, rapaziada! Infelizmente, por um problema burocrático (estou inscrito numa freguesia a mais de 400 kms de Lisboa), não poderei contribuir com a minha cruz no papel. Mas, já se sabe, eu não sou exemplo para ninguém - façam o que eu digo, não façam o que eu faço. A Europa precisa de nós, tudo às urnas.
posted by Nuno Catarino @ 14:50
2004/06/12
Let the Show Begin
Começa hoje. A alegria nacional depende das pernas de onze jogadores. Força!
Depois dos falecimentos de Sousa Franco e Lino de Carvalho, foi a vez de Ray Charles se despedir deste mundo. O desaparecimento de uma vida é sempre uma tragédia. Hoje o dia de Portugal, apesar de mais embandeirado que o costume, foi triste.
Para visitar outros pensamentos, deixo a recomendação a um disco de uma banda portuguesa. O álbum “Exílio” do Quinteto Tati, liderado por J.P. Simões, distribui doses altas de melancolia e é muito bonito (e até conta com a voz da Petra)! Viva Portugal!
Não tenho memória de ver coisa assim (penso que este pensamento é partilhado por muitos). Por todo o país, bandeiras nacionais dançam ao vento, uma quantidade imensa de vermelho e verde pinta as cidades, vilas e aldeias do nosso país. Um pouco por todo o lado vive-se uma atmosfera de esperança e confiança, faz-se a festa. Pode-se ver nesta alegria colorida uma dose de nacionalismo reaccionário, mas não há nada mais falso. É só uma festa, cor, alegria e esperança. Com muita razão, argumenta-se que construir dez estádios é um despesismo idiota. Que as expectativas na recuperação económica só com base no Euro são de um simplismo ingénuo. Fora politiquices absortas a despropósito, trata-se apenas de um campeonato europeu. Quem espere mais que isto sairá defraudado. É só um evento raro, espaço de grandes espectáculos para os adeptos do futebol. Mitos da bola como Platini, Panenka ou Poborsky (só para não sair da letra P) fizeram a sua fama nos europeus. Quem aprecia os malabarismos de Zidane e Figo, o killer-instinct de Van Nilsteroy e Raul, a classe de Rui Costa e Nedved, vai vibrar com o show. Para o nosso país, que alberga o evento, é ocasião de viver a festa com ainda mais intensidade - e muita gente já entrou no espírito. Amanhã o Expresso oferece bandeiras do nosso país, para trajar ainda mais gente com as cores da estima lusa, habitualmente tão avessa a entusiasmos e alegrias. Sim, por aqui também nós rendemos e durante o Euro2004 o boneco ali de cima, ao canto, estará conveniente equipado – por uma festa bonita.
[O trabalho gráfico foi, mais uma vez, da amiga Luísa Gonçalves.]
posted by Nuno Catarino @ 01:00
2004/06/09
Grandes Momentos de Celestial Felicidade
Perguntem-lhe, ela é que sabe... ;) Obrigado, Vânia!
posted by Nuno Catarino @ 20:11
2004/06/08
Pequenos Momentos de Impagável Felicidade (Um Contributo)
I. Dançar e delirar ao som de "Take Me Out" dos Franz Ferdinand, no Triplex às 02h45 de uma madrugada marota de domingo.
II. Receber os raios envergonhados do sol deitado numa rede presa a duas palmeiras, numa tarde de domingo desocupada de preocupações.
III. Num autocarro expresso, chato e demorado, ouvir pela rádio a voz mágica de João Gilberto e ser de imediato transportado para outro lugar, doce e belo.
posted by Nuno Catarino @ 00:07
2004/06/07
Steve Lacy [1934-2004]
Mais uma má notícia. Depois do recente falecimento de Elvin Jones, foi a vez de Steve Lacy nos abandonar. Lacy dominou o saxofone soprano como ninguém (é considerado dos melhores sopranos de sempre) e deixou um enorme legado discográfico. Há um par de anos tivemos oportunidade de vê-lo num programa televisivo apresentado por José Duarte. Os gigantes vão-se embora e o mundo fica mais pobre. Paz à sua alma.
posted by Nuno Catarino @ 23:51
A Festa de Serralves, a Música de Chris Potter
Durante este fim de semana, Serralves esteve em festa. O público aderiu em massa - as expectativas foram superadas pelo dobro (muito ao contrário do ultra-falado Rock In Rio, que ficou pela metade do previsto). As gentes, ao magotes, aproveitaram para passear pelo parque e pela oferta cultural envolvente.
O concerto de Chris Potter foi arrasador. O seu saxofone superou largamente as previsões. Na maioria dos temas começava a viagem a demonstrar a sua técnica, sem exibicionismo mas com classe, para seguir por caminhos próprios, perder-se para se voltar a encontrar, deitar fogo às notas e terminar completamente abrasivo. Nas baladas, em três sopros Potter pôs o saxofone a verter lágrimas de sentimento, derreteu a música. Mais incrível foi o modo como fez tudo aquilo, e tudo pareceu tão fácil... é isso o que distingue os sábios da mediania. Arrisco dizer: um dos grandes concertos do ano.
Não fui ao concerto dos míticos Television, mas afinal, parece que não foi grande coisa - segundo o que nos diz a ampola. Também não se conseguiu entrada para a "Tennis Shoe Party", por isso a noite terminou num Triplex perto de si.
posted by Nuno Catarino @ 21:35
2004/06/05
Mónica, as Cartas Estão a Chegar!
O manuscrito é ainda o mesmo que perscrutaste há um ano sem autorização: insisto em escrever com canetas de aparo, cuja tinta desbota sobre as ruidosas e frágeis folhas de papel vegetal. Os rabiscos passo-os com precisão para o documento word, formatado a 500% com letras de tamanho quatro.
- Paneleirices de pseudo artista, disparas, cruel, indiferente às palavras que desenho.
Sei que não sou escritor, possivelmente nunca o serei, mas não é por isso que deixo de tentar. Se tentar alcançar a lua, pode até ser que não lá chegue, mas com os pés na terra não fico, digo. E ris-te na minha cara, primeiro um sorriso breve, depois uma gargalhada que te ocupa a totalidade do rosto. Chamas-me:
- pateta
e continuas a comer a maça que resgataste da mochila, limpa à pressa na manga do casaco. A primeira vez que falámos tinhas esse casaco. A última também. Tenho dificuldades em imaginar-te sem ser com esse casaco. Tenho dificuldades em imaginar-te. Ponto
Este pedacinho de prosa é apenas um curto exemplo do talento literário do meu amigo Paulo Ferreira. O Paulo começou por espalhar as suas palavras num blog, mas elas ganharam tal força que se transformaram em livro. O livro "Cartas a Mónica" vai ser agora lançado, acrescentando aos textos já divulgados na internet alguns outros inéditos. No livro vem também incluído um texto de Jorge Reis-Sá - "Uma Matéria dos Sentidos". E a capa é linda. Serão necessárias mais razões para fazer a encomenda?
Encontros de divulgação da obra:
26.Junho.2004 (16h)
Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira Apresentação da obra por José Luis Peixoto
05.Julho.2004 (19h)
Delegação Regional de Lisboa do I.P.J. Apresentação da obra por Jorge Reis-Sá [Parque das Nações, Rua de Moscavide Lt 47]
posted by Nuno Catarino @ 00:30
2004/06/04
Serralves, Here We Go!
É festa, é festa! Serralves faz anos e comemora com dois dias de eventos gratuitos. Vai haver música, exposições, cinema, comida... No fundo, como é próprio do sítio, vai haver arte - contemporânea. Não vai haver free jazz, mas jazz for free (que sabe ainda melhor). Chris Potter, saxofone americano, toca sábado à tarde. Domingo à noite vai-se ouvir Bruno Chevillon, contrabaixo europeu. Na noite de sábado há concerto (a pagar, mas pouco) dos raros Television - apresentados no programa como "a banda de Tom Verlaine". Em 1977 saiu o disco "Marquee Moon", que marcou a história da música popular. A propósito disto, na canção "When She Sings About Angels" dos The Go-Betweens, a certa altura diz-se de Patti Smith:
Once she sang about a boy
(Kurt Cobain)
I thought "what a shame"
it wasn't about Tom Verlaine.
Sim, no sábado passo por Serralves. E sim, para mim o Porto é Serralves. Mas o Norte é mais que o Porto e domingo vou à praia - do Ofir.
posted by Nuno Catarino @ 20:27
And His Mother Called Him Bill
Já por aqui falei de Bill Evans, por alturas da fascinação de "Waltz for Debby" e agora, alguns álbuns depois, retorno. Depois de participar no supra-mítico "Kind of Blue", Evans gravou meia dúzia de obras daquelas que ficam para a eternidade e tornou-se influência obrigatória para todos os pianistas que se seguiram. Ultimamente ando perdido de amores pelo disco "You Must Believe In Spring" - agora há nas lojas uma reedição recente (da nova série Warner Masters). "Theme from M*A*S*H (aka Suicide Is Painless)", numa interpretação sublime, termina da melhor forma um disco que é assim a modos que soberbo.
Discografia seleccionada:
posted by Nuno Catarino @ 19:20
2004/06/03
Free Jazz à Borlix
A Future Reference Recordings é uma editora de Chicago dedicada à música improvisada. Através do seu site, para além de vender cds, disponibiliza gratuitamente música dos seus artistas (via mp3). Uma das gravações disponíveis é um dueto do grande Ken Vandermark com o contrabaixista Brian Dibblee. Para os interessados, deixo o link - é fazer o download a partir daqui:
Atente-se na qualidade da grafia, através da substituição de letras pela utilização de simbologia de forte impacto - para escrever José usa-se uma cruz e de coração; ao escrever Cid, o "i" é substituído por uma nota musical. Ou como o génio consegue dizer tudo em pouca coisa. Ele há poucos assim.
Obrigado pelo autógrafo, Jorge Maia!
posted by Nuno Catarino @ 22:49
2004/06/01
Por Aqui Ouve-se...
Desde 2002 que andam nas lojas várias compilações de artistas da editora ECM com a designação :rarum Selected Recordings. A música nestas colectâneas é escolhida pelos próprios artistas a partir das suas gravações antigas (e também algumas recentes). Já se sabe da minha aversão a bestofes, mas estes discos permitem descobrir outras facetas dos artistas, colaborações, gravações raras. Ou, simplesmente, servem de introdução ao trabalho (desconhecido) dos músicos. Sempre com a reconhecida qualidade ECM.
Encontram-se disponíveis "Selected Recordings" de:
Keith Jarrett, Jan Garbarek, Chick Corea, Gary Burton, Bill Frisell, Art Ensemble of Chicago, Terje Rypdal, Bobo Stenson, Pat Metheny, Dave Holland, Egberto Gismonti, Jack DeJohnette, John Surman, John Abercrombie, Carla Bley, Paul Motian, Tomasz Stanko, Eberhard Weber, Arild Andersen e Jon Christensen.
Só para dizer... hoje, por aqui andou a ouvir-se Bobo Stenson.
posted by Nuno Catarino @ 23:33
A Mala e a Educação
Amor, cinema, homens, religião e decadência fazem a Má Educação. Mas Pedro Almodóvar é um cineasta de mulheres. Será então a ausência de mulheres que faz com que o recente "La Mala Educacion" seja um bocadinho menor que essas obras máximas "Todo Sobre Mi Madre" e "Hable Con Ella"? Este filme é "mais um" Almodóvar e, tal como Woddy Allen, é sempre sinónimo de qualidade. Vivemos num período em que tudo o que Almodóvar faz é bom - estejamos gratos.
posted by Nuno Catarino @ 19:58
Da Impossibilidade de Ser Feliz #129
Quarta feira, dia 26 de Maio, 19h00. A final da Liga dos Campeões disputa-se dali a 45 minutos. Subitamente, ela sente-se mal, problema na vista. Vamos para o hospital de Braga. Depois da habitual espera, somos atendidos pelo médico que informa que o oftalmologista já saiu - já passava das 20h. Como só há oftalmologistas no Porto, vamos de ambulância para o Hospital de Sâo João. Depois de atendidos, já perto da meia noite, vamos passar a noite a casa dos meus pais em Esposende - no dia seguinte temos de voltar ao Porto. Na quinta feira, depois de muitos guichets e horas de espera, saímos definitivamente do São João. Chegamos a Braga tarde e a más horas (por isso, o almoço teve de ser anulado, Fernando, mas fica adiado para uma próxima vez). Para esquecer os azares dos dias anteriores, na sexta-feira voltamos para Lisboa. Ainda a tempo do Ronc In Rio e de um domingo de festa familiar - uma festa de primeira comunhão+baptizado, muita comida e ainda mais líquidos etílicos. A semana de férias, mais atribulada que o esperado, foi-se. Entretanto, perdeu-se a final do Porto, os golos foram espreitados pela tv da sala de espera do hospital. Em 1987 eu era muito novo e ainda não ligava muito ao futebol... Este ano o destino impediu-me de viver novamente a festa do Porto, perdido entre azares e burocracias hospitalares. Agora só espero compensar, para o próximo ano, com a festa do Benfica (recheado de Rui Costa, Couto e João Pinto) na final dos Campeões Europeus.
posted by Nuno Catarino @ 19:27
Conversa com Deus
No sábado fui à Feira do Livro. Foi só uma pequena volta, ver alguns stands e dar um passeio, mas levava a secreta esperança de O encontrar ("Ele" = António Lobo Antunes). Quando passei pela tenda da editora D.Quixote lá estava ele. Tinha começado a dar autógrafos. Pensei para mim: não posso perder a oportunidade de ter um breve contacto com ele - comprei o "Memória de Elefante", o primeiro dele, que nunca li, e fui ao autógrafo...
LA - Boa tarde.
Eu - Boa tarde.
LA - Como se chama?
Eu - Nuno Catarino.
LA - [Olha para a capa] É o primeiro que lê?
Eu - Não. Já li metade...
LA - [Interrompe] Já leu metade deste livro?
Eu - Não, metade da sua obra...
LA - E já leu algum do Pepetela? [Sentado na mesa, ao lado]
Eu - Ainda não, com pena minha...
LA - O que faz?
Eu - Sou recém licenciado em Publicidade e Marketing...
LA - Ah... Já leu este aqui? [Aponta para "A Morte de Carlos Gardel"]
Eu - Esse sim, já tenho, mas outra edição...
LA - E já leu algum estes? [A apontar para outros livros sobre a mesa]
Eu - Sim... Sim... Sim... Só ainda não li este [apontei para o seu último livro, "Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo"]
Então, agarra o livrou, autografa-o e oferece-mo - diz ao tipo da editora, ao lado, em jeito de justificação para a oferenda: "já leu metade da minha obra..."
Bolas, além de génio, é simpatico.
posted by Nuno Catarino @ 00:10