Mais um excelente trabalho da excelente Luísa Gonçalves.
posted by Nuno Catarino @ 23:44
São Festas, Luiz
Adoptando uma postura de divulgação, coisa para a qual esta forma não se sente muito vocacionada, divulgamos hoje um evento interessante. No proximo fim de semana há a 2ª Festa do Jazz no Teatro São Luiz. À primeira vista parece muito aconselhável. São várias nomes/bandas a tocar durante o dia todo, das 13h00 até às tantas - sábado e domingo. Os bilhetes custam 15 euros (só para a partir das 19h) e 20 euros (o dia todo). Infelizmente, não vamos poder ir. Mas recomendamos. E ficamos a aguardar que vão, para que depois contem como foi.
posted by Nuno Catarino @ 23:26
Percurso de Blogger Imperfeito #2
Lá se passou mais um fim de semana, nova oportunidade para tentar um percurso de blogger perfeito. Eu tentei. Começou com uma passagem à fnac do Chiado, fui aos bilhetes para Lambchop [Fernando, encontramo-nos lá!]. O ponto de encontro pré-jantar foi no Café dos Teatros, ao São Luiz. O jantar foi mais uma descoberta bairraltistica, tipicamente lá do sítio na vertente acolhedor/espaço minimal: a Baiúca. Depois, os copos foram nas Catacumbas - definitivamente, o meu spot (encontro sempre lá alguém conhecido, sábado não foi excepção). Por fim, e porque a entrada foi "à pala", uns breves momentos de dança no Frágil - tenho de deixar de frequentar estes sítios, já começa a ser um hábito. Bolas, ainda não foi desta que segui o mapa do padroeiro JPP... mas admito que tenha sido mais uma boa tentativa de definição de percurso de blogger imperfeito.
posted by Nuno Catarino @ 00:20
2004/03/30
Esta Noite Somos Vento
O outro blog para o qual contribuo com alguma (ir)regularidade mudou de nome. A partir de agora, conforme sugestão proposta pela Lénia, passará a chamar-se: Se Esta Noite Formos Vento. Definitivamente, o endereço passou a ser: http://estanoite.blogspot.com. Vão agasalhados.
posted by Nuno Catarino @ 23:59
2004/03/29
Lénia vs. Garbarek
Eu não vejo televisão. Mas há excepções, claro. É uma situação de excepção quando há um jogo de futebol importante. Ou então quando alguma amiga minha muito gira, muito querida e com franja participa em concursos televisivos. A linda Lénia participou no concurso “Um Contra Todos”. Não percebi ainda bem as regras do jogo, mas vi que do enorme grupo inicial ela foi “sobrevivendo” à cascata de perguntas e conseguiu chegar ao trio finalista. Surgiu então a seguinte pergunta:
- «Os álbuns “The Köln Concert”, “Paris Concert” e “The Melody at Night, With You” são de que pianista?»
Foram dadas três hipóteses de resposta: Diana Krall, Keith Jarrett ou Jan Garbarek. Chegado a este trágico momento, o concorrente principal errou a resposta e abria-se a porta a um dos 3 finalistas, caso tivessem acertado a resposta. Diz o apresentador:
- “Vamos lá ver quem é que errou a resposta (se é que alguém errou)...”
(pausa)
- “A 45...” - era a Lénia. Uma luz vermelha acendeu-se sobre a bela franja a acusar a inocência do seu sorriso. Uma pena.
O programa foi transmitido hoje, mas já foi gravado na semana passada. Logo no fim da gravação a Lénia ligou-me a penitenciar-se da falha. Tinha respondido Garbarek. Obviamente que uma falha destas para o comum dos mortais seria absolutamente imperdoável... Mas como a Léniazinha é um amor, e prometeu passar o resto da vida a ouvir só gravações do Jarrett e do Garbarek, eu perdoo-lhe. Bem, e para começar podes começar por este: “Belonging”. Keith Jarrett (no piano) acompanha Jan Garbarek (que é saxofonista!) num maravilhoso disco de 1974 [imagem abaixo]. Eu gosto muito do Garbarek, é um excelente músico, tem obras espantosas. Mas, sem dúvida nenhuma, gosto mais de ti.
A leitura incompleta é uma coisa perigosa (e preguiçosa). Se há coisa que não pretendo é mostrar conhecimentos que não tenho. Uso este espaço (público) apenas para revelar objectos que me entusiasmam. Especialmente música – pop, jazz.
Falei uma vez de erudita (contemporânea). E fui logo acusado de querer parecer “bem”, porque supostamente falar de Stockhausen é fazer “show off”, porque se duvida de que seja possível gostar (mesmo) de música contemporânea.
Explico o meu percurso. Comecei no pop-rock. Encontrei alguns nomes contemporâneos através de afinidades com o experimentalismo pop. Porque a contextualização é sempre importante, fui descobrindo nomes que se afirmavam como referências dos artistas de que gostava. Se uma banda de pós-rock de Chicago mencionava algum compositor desconhecido, procurava-o. Por exemplo, descobri Steve Reich através da inclusão de um excerto de “Come Out” na remistura de uma música dos Tortoise (“Djed”) efectuada pelos UNKLE [uma confusão, pois é, mas a remistura vale mesmo a pena, tal como o já de si excelente original]. Descobri os “Early Works” de Reich e gostei (mesmo). Tal como descobri e gostei de outros compositores que entretanto me foram surgindo. Nota: afinal é possível gostar (mesmo) de contemporânea!
Obviamente que na descoberta da música o ideal seria efectuar sempre o correcto percurso cronológico. No entanto essa tarefa afigura-se impossível. Desconfio que exista alguém no mundo que, para conhecer o jazz, por exemplo, oiça de início só Jerry Roll Morton, depois Armstrong, depois Lester Young, depois Parker, depois Miles “and so on, and so on”. A evolução do conhecimento na música, especialmente quando se trata do caso (mais comum) auto-didacta, é sempre temporalmente desconexa: hoje ouve-se Ben Webster, amanhã Andrew Hill, depois Django Reinhardt... E o prazer da audição não resulta da lógica evolução natural, mas antes sai destas ilógicas arritmias – e cada um tem a sua. No fundo podemos gostar todos do mesmo, mas o caminho para lá chegar é diferente para toda a gente.
Se falei de Stockhausen foi porque estive recentemente em contacto com uma obra que me fascinou. Claro que gostava de poder falar de Bach. Gostava de saber dizer coisas interessantes sobre Mahler. Mas, confessei logo no tal post atrasado, pouco ou nada sei. Assumo é que estou disposto a aprender. Quero saber, saber tudo. É uma tarefa que tenho pela frente, descobrir os nomes fundadores da arte clássica. Mas por favor não julguem pedantismo onde há só uma declaração de amor à Música. A confusões destas não acho piada nenhuma.
posted by Nuno Catarino @ 00:50
2004/03/23
The Top10 Series Continuum: Memória dos Dias da Televisão
E agora, o regresso das listas! Lembrei-me hoje de listar as minhas séries de televisão preferidas. Poderão não ser as melhores, as mais fantásticas ou as mais espectaculares de sempre... mas foram certamente as que mais mexeram comigo, as que mais me prenderam à "caixa mágica". Como estas listas são sempre curtas haveria outras a referir, mas podendo haver só dez, estas serão mesmo as minhas all-time favourites. Ou a apologia do sedentarismo, aplicada à faixa etária infanto-juvenil.
Soldados da Fortuna
Mission Impossible
Allo, Allo
O Barco do Amor
Family Ties
Life Goes On
Twin Peaks
MacGyver
Seinfeld
League of Gentlemen posted by Nuno Catarino @ 23:19
Esplendor Humano
Vinha eu ontem no comboio Intercidades de regresso a Lisboa, quando recebi uma mensagem: American Splendor, amanhã no King às 19h50. Apesar de não estar com muito apetite para aquele filme, lá acedi ao convite da minha amiga Carla - há algo melhor que estar com as pessoas de quem gostamos? O encontro-surpresa com o desaparecido Mogas foi outro (inesperado) motivo de alegria. Mas entretanto houve um filme. Como disse, acedi ao convite para o filme quase só pela companhia. Achava eu, parvamente, que se tratava de um banalíssimo documentário sobre mais um autor de BD alternativa para quem não havia mais paciência. O quão equivocado estava... O filme é lindo! Trata-se de um documentário sobre Harvey Pekar, autor da banda desenhada "American Splendor". O filme balança num regime híbrido, entre a história recriada por actores a sério e pequenas intervenções das pessoas reais (Pekar, mulher, amigos). Ao usar um registo indefinido, o filme tem a coragem de se auto-parodiar, ao mesmo tempo que revela a história de um homem - que por acaso se tornou semi-famoso através de uma original BD. E porque mostra a história de um homem - na sua tragédia, comicidade, parvoíce, ternura - o filme transcende a tela do cinema. A banda sonora é muito boa. Uma vez que Harvey Pekar é um jazzófilo (já foi critico de jazz, até), o jazz está lá sempre: o filme é atravessado por um soft-jazz ("So What" aqui e ali repescado) e no mais radioso momento do filme entra "My Favourite Things" do Coltrane - um bom exemplo de como a música valoriza as imagens. Afinal esta é só uma história mal contada de um homem (imperfeito, como somos todos) mas que nos comove pelos detalhes da sua transbordante humanidade. O cinema devia ser isto mesmo. Obrigado, Carlinha!
posted by Nuno Catarino @ 00:47
2004/03/22
À Sandra Dias Fernandes
Às vezes esquecemo-nos dos clássicos. Andam connosco, estão sempre presentes, mas às vezes esquecemo-os. Tal como os amigos. Fazem parte de nós, mas há vezes em que não nos lembramos deles. Acontece até que esquecemos os seus aniversários, esses dias magníficos em que se convencionou oferecer uma espécie de felicidade mínima obrigatória. Querida Sandrinha, a minha habitual falta de memória para datas não pode justificar o injustificável. Por favor aceita as minhas maiores desculpas. E um beijinho de dimensão inversamente proporcional.
Ah, o 'Round About Midnight do Miles é um clássico. É a minha prenda para ti.
Aprecio o ecletismo. Gosto de música, sem barreiras estilísticas. Tanto ouço jazz como pop ou rock - mas na erudita ("most commonly known as" clássica) ainda sou um nabo. Tento gostar de tudo o que é bom - e isto é que é importante para mim, apesar de se tratar de um conceito quase indefinível. Às tantas um ouvinte perde-se em referências, que são sempre mais e vão aumentando à medida que se cresce também no conhecimento. Mas por outro lado é bom saber que arte não se acaba, que a beleza do mundo é quase infinita. Adiante.
Estou a tentar principiar-me na Música Contemporânea. Já comecei por alguns nomes obrigatórios... John Cage, Steve Reich, Philip Glass, Iannis Xenakis, Gyorgi Ligeti e Karlheinz Stockhausen já fazem parte da colecção. Mas ainda estou apenas num nível sub-iniciático. Nos dois últimos dias estive a ouvir "Helikopter-Quartett" [1995] do génio Stockhausen. Trata-se de uma improvável combinação de um conjunto de cordas clássico (Ardetti String Quartet) com o som (ruído/barulho/música?) das hélices de um helicóptero. Ou o modo como Stockhausen faz a subversão das vicissitudes da música actual: uma vez que ouvimos a música quase sempre com ruído de fundo, o barulho passa a fazer parte, é incluído na própria composição. A gravação prolonga-se por 31 minutos. De um certo modo, num contexto referencial absolutamente deslocado, será uma experiência sensorial semelhante a "Ascension" ou "Free Jazz". Durante meia hora de vida fica-se imóvel, pergunta-se "o que é isto?", experimenta-se uma espécie de sacrifício e ao mesmo tempo sente-se uma forma diferente de ver a vida, pensa-se em algo maior. A revolução está a passar por aqui? Sim, dentro da minha cabeça.
posted by Nuno Catarino @ 00:03
Era este o blog que faltava! Literário/ébrio/humorístico/alucinado/delirante? Esqueçam as classificações vulgares que os objectos radicais de génio fogem à normalidade. Mas afinal quem é o Nuno (a/k/a Marinhez)? Dizer que é dos mais criativos criativos (não é redundância, é publicitário mesmo) portugueses é ser modesto. Já foi meu flat-mate e o meu principal mentor musical, responsável por boa parte do desenvolvimento dos meus conhecimentos - muito do que sei hoje das rodelas de música devo-o a ele. Bem-vindo à blogosfera. Boa sorte para a Egoteca! Um abraço e um bagaço!
posted by Nuno Catarino @ 23:04
2004/03/17
Um Peixe Graúdo ou A Máquina do Tempo Mesmo Aqui ao Lado
Fui ontem ao "Big Fish" de Tim Burton. Atrasado, bem sei, mas a verdade é que o peixe graúdo não me chamava muito. A maioria dos especialistas (que eu respeito muito) não dizia grande coisa e àqueles que falavam bem não dei importância, julgando tratar-se só de burtonmania exacerbada (muito comum em alguns críticos). A obra de Burton é bastante inconstante. Apesar de genialidades óbvias ("Estranho Mundo de Jack", "Eduardo Mãos de Tesoura") há algumas manchas (cedências, banalidades) no currículo - por exemplo, "Planeta dos Macacos" e "Marte Ataca" [desculpem, não consigo perceber a graça deste último por muito que me esforce]. E depois há outros que, não sendo super-geniais, ajudam a sedimentar o cobiçado estatuto de "autor" - como o bom filme "A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça". Julgo que "Big Fish" se pode enquadrar neste lote. É daqueles filmes que, se estivermos dispostos a entrar no jogo, nos envolve num universo muito próprio, situado à margem da normalidade. E então retribui-nos com pedaços sortidos de magia e emoções.
Isto tudo só para dizer que ontem voltei a ter doze anos. E gostei. Muito.
posted by Nuno Catarino @ 01:01
Para Esbanjar Dinheiro à Parva Preferia Ir ao Elefante Branco
...que sempre contribuía para a melhoria das condições de vida de parte das comunidades imigrantes (brasileiras e ucranianas) residentes em Portugal.
Ameaça de bomba no edifício do call center da EDP em Odivelas. Edifício evacuado, polícia, rua cortada e a inevitável câmara da tvi (letras minúsculas, como o seu nível jornalístico). Duas horas de descanso laboral inesperado, passado a observar as movimentações em redor do edifício. Polícia e coletes laranja da protecção civil. Por uma tarde, Póvoa de Santo Adrião no centro do mundo. Depois das buscas frustradas, o regresso ao edifício. Ameaças destas acontecem em média duas vezes ao ano naquele edifício. Fosse um caso a sério e este vosso blogger já não estaria por aqui. Felizmente trabalho em Odivelas.
posted by Nuno Catarino @ 22:11
Ornette, Ornette!
A pedido da corneteira Sofia, aqui deixo umas pequenas dicas para introdução à obra do gigante Ornette Coleman. Eu não sou mais que um aprendiz, ainda estou só nos primeiros discos, mas como me pediram deixo as minhas preferências (a título apenas de gosto pessoal).
"THE SHAPE OF JAZZ TO COME"
"THIS IS OUT MUSIC"
"CHANGE OF THE CENTURY"
Qualquer um destes três discos de 1959 é perfeito para a introdução ao génio. A escolha só por um é difícil. O "This Is Our Music" tem a melhor capa (os músicos de óculos escuros em pose convencida/alucinada). O "Change of the Century" é o segundo tomo ("una muy bonita", tocam eles). O "The Shape of Jazz to Come" tem o título mais revelador (é o meu título preferido, claro) e inclui "Lonely Woman". Clássicos absolutos, os três. E depois passa-se para o nível seguinte:
"FREE JAZZ (A COLECTIVE IMPROVISATION BY THE ORNETTE COLEMAN DOUBLE QUARTET)"
Para quem já conheça "Ascension" este disco não terá o mesmo impacto, não causará a mesma surpresa, no entanto é necessário notar que esta obra foi lançada 5 anos antes da obra prima do Coltrane - revolucionou o mundo em 1960. Sem dúvida, este é o disco de Ornette mais que obrigatório.
Nota: Os discos ornettianos que mais se encontram nas nossas lojas são os "Live In Stockholm" 1 & 2 (1965), "Dancing In Your Head" (1971, uma experiência diferente num tempo mais à frente) e agora uma edição nova de "Ornette!" (reedição de 2004, original de 1961). Será difícil encontrar as minhas sugestões nas lojas, mas, com muita procura, who knows? Já dizia ele, "beauty is a rare thing"!
posted by Nuno Catarino @ 01:23
2004/03/15
Braga Jazz e as Filhós
Como prometido, lá fui ao Braga Jazz. Apesar da trabalheira danada que foi para arranjar bilhetes, lá se conseguiu. Era suposto que a noite de sábado estivesse associada ao conceito "Max" - porque o primeiro grupo a tocar seria o Max Nagl Big Four; e porque a estrela seguinte, Carla Cook, grava para a editora Max Jazz. De "max" a noite não teve muito, mas houve bons momentos.
A primeira parte do espectáculo esteve a cargo da invulgar formação Max Nagl Big Four: saxofone, trompete (ou trombone), contrabaixo eléctrico e guitarra. Até aqui tudo bem, a ideia da formação até foi inspirada num histórico ajuntamento do qual fez parte Sidney Bechet. O que é mau é ver a incompatibilidade dos músicos a tocar ao vivo: o saxofone do líder sempre demasiado contido; o trompete frenético (isto é bom) e excessivamente clássico (comparado com o restante grupo); o contrabaixo... eléctrico (mas não é por aqui que o gato vai às filhós); a guitarra é que estragou tudo! Não há mal nenhum em integrar uma guitarra eléctrica numa formação jazz. O mal é juntar a uma fomação de matriz clássica um guitarrista do mais free que possa haver, onde a única função é provocar sons (que não acordes ou semelhantes, mas sons arrancados à força da guitarra), ao estilo mais vanguarda que se possa imaginar. A exuberância do guitar-man contrastava por demais com os restantes e não se percebia o sentido daquela união. O momento em que o guitarrista, enquanto dedilhava as cordas, se descalçou e atirou os sapatos para o chão para marcar o ritmo foi um momento de antologia (no contexto, cómica, não musical). Ainda assim houve momentos agradáveis - a maioria deles devedores da prestação magnífica do trompete.
Parte dois. Quarteto de Steve Wilson. Discípulo dos clássicos (facção coltraniana pré-impulse), Wilson tocou uma mão cheia de temas instrumentais antes da entrada de Carla Cook. Depois a grande (sim, mesmo fisicamente) cantora negra tomou conta da sala. "Misty" foi provavelmente o mais belo momento do concerto, a interpretação vocalizada de "So What" foi muito interessante e ainda houve lugar para um tema de Milton Nascimento. Um grande concerto, mas que, dada a divisão do concerto entre o quarteto e a cantora, soube a pouco. Quando saímos da sala olhamos para o relógio: 01h20? Já? É mesmo verdade, como diria a PGA, os bons momentos passam a voar.
Post Scriptum em Registo Pessoal: A Sofia diz "Escondam-se, aquele foi meu professor!"; o meu irmão: "Desviem-se que aquel'ali é meu professor!".
Constatação #1: Os professores frequentam todos o jazz.
Constatação #2: Não deve haver nada pior que ser reconhecido por um professor num festival de jazz.
posted by Nuno Catarino @ 23:57
2004/03/11
Do Fim de Semana em Braga... Jazz
Neste fim de semana que se está a aproximar viajo ao Norte. Passo estes dias entre Braga e Esposende. Sábado é dia de encerramento do Braga Jazz e eu vou lá estar no concerto de Carla Cook. Não conheço muito desta senhora, mas sei que é do melhor feminino-cantante que por aí anda actualmente [não sejamos preconceituosos, jazz vocal legisla]. Ao contrário do rival de Guimarães, o Festival de Braga ainda não adquiriu essa projecção elevada, no entanto espero um grande concerto. Daqui a dois dias volto, trazendo uma crónica sobre a coisa às costas (escreverei pouco para que não pese muito). Por isto, e com pena minha, terei de me baldar à "Sessão #1" do Fórum Sons - espero que seja um sucesso, que apareço nas próximas edições. Já agora, e a despropósito como convém, a audição do dia: "Curtis", do magnífico Curtis Mayfield - a isto é que se devia chamar "disco de ouro", ouro negro. E, já agora, força SLB!
posted by Nuno Catarino @ 19:16
2004/03/10
2004, A Melhor Colheita Pop de Sempre?
Musicalmente, 2004 ameaça tornar-se no ano de melhor produção pop de que há memória em tempos recentes. Este ano saiu o magnífico disco dos Air, o álbum em que eles aprumaram a sua sonoridade ao máximo. Também este ano foram editados dois muito bons álbuns dos Lambchop, discos que mantém o nível alcançado com o genial "Is A Woman". Este 2004 também já recebeu/vai receber (quando é o lançamento oficial?) o novo dos Tortoise, "It's All Around You", mais um passo na consagração como o mais importante agrupamento artístico do pop-rock das últimos anos. Ainda houve mais um álbum dos Stereolab, os subversores/adoradores da pop que lançam discos sempre magníficos (sim, ao contrário do desprezo a que muita crítica o votou, também este "Mangerine Eclipse" é excelente - como alguém disse, tal como os filmes do Woody Allen, os discos dos Stereolab são bons). E, já falei aqui dele, mais uma grande edição das Blue Series: "High Water: Mark" de El-P. Outra novidade é o novo Zero 7, "When It Falls". Tal como os Air, também estes seus afilhados se esmeraram neste registo. Veja-se então só o que já saiu nos primeiros três meses deste ano:
- Air "Talkie Walkie"
- Lambchop "Awcmon / Noyoucmon"
- Stereolab "Margerine Eclipse"
- Tortoise "It's All Around You"
- EL-P "High Water: Mark"
- Zero 7 "When It Falls"
Seis excelentes discos. Só no primeiro trimestre. Agora multiplique-se por 4 e veja-se a quantidade de "masterpieces" que vamos ter de ouvir. Será que o nível de qualidade sonora se vai manter pelo resto do ano? Esperemos.
posted by Nuno Catarino @ 00:01
2004/03/09
Desde Pequenino
Eu já previa, o Mourinho só fez adiar o momento do golo para não dar tempo de resposta aos ingleses. Genial. Eu sempre gostei do FC Porto. Ainda me lembro, muito miúdo, de uma colecção de cromos, de um cromo do Frasco... Fui do FCP até aos cinco anos, altura em que mudei para o Benfica – foi um desgosto para o meu pai. Mas hoje, assim que o Porto marcou, telefonei-lhe. Ele, claro, estava ainda mais feliz que eu. Há muito que eu não sofria assim com um jogo, e não era o Benfica. E agora? Depois da UEFA, a Champions?
PS: Já agora que o SLB siga o exemplo com a Internazionale... é que ganhar a um grande clube da Europa parece que não custa assim tanto.
posted by Nuno Catarino @ 22:59
Viva a Carla Matadinho, Viva!
Muito obrigado pela sua existência, cara senhora de comprovadas virtudes (e bem visíveis a olho nú). Pois fique sabendo que desde que referi o seu nome neste aspirante a pasquim electrónico de alguma dignidade [objectivo copiosamente falhado] chegam todos os dias visitantes à sua procura - são pelo menos cinco visitas diárias garantidas! Como forma de lhe agradecer e, já agora, para não deixar tanta gente desiludida deixo aqui uma foto. Divirtam-se, rapaziada! É um facto: às vezes somos obrigados a fazer concessões em favor da promoção e visibilidade das nossas ideias. Mas que ideias? É só uma má desculpa para não ter de confessar pela milionésima vez que sou um vendido. Já agora, alguém interessado numa alma em bom estado e com pouco uso? Vende-se barata. Anyway, deixo-vos a amiga, exemplar raro da tipíca beleza sub-suburbana-com-tendência-para-se-deixar-fotografar-em-intimidades-mais-ou-menos-escabrosas. Apreciai.
(c) 2003/2004(?) Playboy (não vá o malandro do Hugh Hefner lembrar-se de instaurar um processo a este reles blogzito)
posted by Nuno Catarino @ 00:02
2004/03/07
White Light, White Heat
Jackson Pollock, “White Light” (1954) [Capa do álbum “Free Jazz” de Ornette Coleman]
posted by Nuno Catarino @ 22:35
De Como a Felicidade Nocturna é Enganadora ou Sempre a Bombar!
Fui este sábado a uma discoteca. O facto nada teria de anormal se eu não tivesse um elevado grau de aversão a este tipo de estabelecimentos de suposta diversão nocturna. Prefiro locais bem mais acolhedores onde a música (boa) acompanha as conversas, sem as abafar, onde se bebe o que apetece sem sermos forçados a ficar bêbados gastando três contos em bebidas brancas. Mas à minha princesa deu-lhe a vontade e eu - já que por ela faço tudo (ou quase) - acedi. Serviu esta noite de regresso a uma época em que o fascínio por estes locais era enorme, essencialmente devido a quase nunca me permitirem o acesso – e o facto de ir integrado num grupo de cinco rapazes não justifica o desprezo com que sistematicamente me barravam a entrada! Agora os tempos são outros e a facilidade de entrada é inversamente proporcional à felicidade proporcionada. Mas nem foi mau, aturar as batidas gordas (ou gordurosas) não foi difícil – apesar do mau serviço, o dj de serviço resistiu á pimbalhada que atormenta o mundo. E até foi giro. Para além do lado nostálgico, permitiu-me uma observação quase sociológica dos frequentadores: as patéticas tentativas de engate, as pretensas distribuições de charme-gel-e-brilhantina, o fenómeno do subir às colunas – este actualmente já tem algo mitológico, quem sobe este degrau da escala social ganha uma notoriedade que nunca mais se esquecerá: "ó Tóne, arrasta lá esse balde da massa, da outra vez em cima da coluna mexias-te mais depressa!" De qualquer forma, uma próxima vez numa discoteca só se for no Lux (o piso de cima é óptimo). E mesmo assim vão ter de pedir com jeitinho.
posted by Nuno Catarino @ 22:23
2004/03/05
Divulgação Cultural do Máximo Interesse
O Fórum Sons, espaço de discussão musical e outracoisital do qual mui honrosamente às vezes faço parte, irá realizar o seu primeiro grande evento de cariz público. O "Club Fórum Sons" (Sessão #1) será, sem sombra de dúvida, um espaço de "cumbíbio" músico-bebedeironal do maior interesse. Mas não digam nada a ninguém!
3 de Março de 2004, Lisboa, Teatro Maria Matos, 21h30m. O concerto começa. Primeiro o contrabaixo, como que a medo, segue-se a bateria e por fim lá entra o saxofone – e nesses poucos segundos percebe-se logo, a segurança daquelas primeiras notas é marca registada dos clássicos, dos grandes, lembro-me de Stan Getz. Trata-se do espectáculo de apresentação do novo cd do grupo “Tripleplay”: Ken Vandermark (saxofones), Nate McBride (contrabaixo) e Curt Newton (bateria) - disco editado pela portuguesa Clean Feed. Vandermark não facilita e toca como sabe – modo excelência activado. De início com calma, depois em crescendo e a liberdade total já ali. O concerto é equilibrado na perfeição, oscilando entre momentos arrasadores de euforia e a também necessária contenção. Há espaço para todos. No contrabaixo, McBride demora pouco para mostrar as qualidades. Das músicas tocadas, muitas são da sua autoria (e “Standard Ideal” é perfeito como peça free, uma introdução violenta para o desbravar seguinte). Um excelente músico, tanto a acompanhar como a solar. Já do baterista não gostei tanto - esteve bem, mas houve momentos desnecessários, como tentar tocar nos pratos todos da bateria... ao contrário de Hamid Drake, por exemplo, trocou o essencial (o ritmo) pelo acessório (os efeitos espalhafatosos). Mas isto aconteceu só em alguns momentos, na maior parte do concerto esteve muito bem. No global, o trio esteve excelente. E o melhor ficou guardado para o fim. Ao último tema, um “free-turbo”, Vandermark sopra energia do início ao fim da música, imparável. Que fazer depois da passagem de um furacão? A pedido de várias famílias, ainda houve espaço para um encore: “The Thing” de Don Cherry. Como se a perfeição já não bastasse.
posted by Nuno Catarino @ 20:57
2004/03/03
AnAnAnA for Free
Seguindo o conselho do Diogo, lá fui eu aos saldos da AnAnAnA – ainda tentei resistir mas foi uma força maior que me empurrou até ao Bairro Alto. É verdade, está (quase) tudo a 3 euros, uma maravilha. O pior é que os discos são tão alternativos, mas tão alternativos, que dos expostos poucos conhecia. Ainda assim resolvi trazer, por 15 euricos, cinco pérolazinhas - quase tudo jazz (do bom, do free):
JOE McPHEE & DAUNIK LAZRO, “Élan. Impulse.”
Disco completamente free, o genial McPhee improvisa com os saxofones, o trombone e até com a voz. O (para mim) desconhecido Lazro acompanha na perfeição. O subtítulo é delicioso: “7 Avril 1991, 3éme Nuit Culturelle Nancy”. Viva o elitismo cultural! Viva! Agora a sério, o disco é mesmo muito bom.
JEROME COOPER, “In Concert. From There to Hear”
A descoberta de um fantástico “multi-dimensional drummer”. Um percurssionista que sozinho utiliza uma variedade enorme de instrumentos para criar uma sonoridade muito consistente. A sobreposição das várias camadas de som é fantástica. Uma grande descoberta, um excelente disco.
GEORGE MARSH, JOHN ABERCROMBIE & MEL GRAVES, “Upon a Time”
Um disco composto por duas partes: a primeira, do encontro da percussão de Marsh com o grande Abercrombie; a segunda, de Marsh com o baixista Mel Graves. Um disco com alguns momentos altos, outros nem tanto, mas no geral é bom.
QUARTETT, “No Secrets”
Um invulgar quarteto que inclui o “standardizado” Gary Peacock. Muita improvisação e pouco jazz (no sentido tradicional) num disco que se revela compensador.
ZEENA PARKINS, JOANE HÉTU, TENKO, DIANE LABROSSE, DANIELLE P.ROGER, “La Légende de la Pluie” Finalmente um álbum não-jazz, mas que também não é pop nem pode ser facilmente catalogado. Uma daquelas raridades que fica bem em casa para mostrar aos amigos que já não se satisfazem com o novo dos Tortoise (lê-se "tórtóise", bolas!). Experimental como poucas coisas, ainda assim pode-se chamar rock à coisa. E 100% feminino (o que é bom).
E pronto, é este o programa do estágio que tenho seguido para o grande concerto de amanhã/logo. Tenho ouvido especialmente (em modo repeat) os álbuns do McPhee e do Jerome “multi-dimensional” Cooper. Vandermark, here we go!
posted by Nuno Catarino @ 00:22
2004/03/01
Amor, Cão & Chilli con Carne (Da Cinefilia Findesemaneira)
Na passada sexta-feira confirmei: não gosto do Alejandro Gonzalez Iñarritu. Depois de não ter apreciado o abuso de montagem de "21 Grams" - que à força de mostrar diferença sujou aquilo que seria um bom filme, vi o anterior "Amor Cão". Três histórias interessantes, separadas, com um mínimo denominador comum mas que podiam bem ser três filmes (ou curtas) independentes. A realização não mostra habilidade suficiente para as interligar, para fazer a colagem que falta. Sinceramente [desculpa lá, David] não percebo o hype à volta deste realizador.
Sábado à noite. Depois do jantar home-made que serviu de introdução à cozinha mexicana (versão "chilli con carne"), a descoberta de um dos maiores filmes da nossa época: "Ondas de Paixão"/"Breaking the Waves". É dos mais belos, senão mesmo o mais belo, filme de "amor" que já vi. A divisão do filme por capítulos é deliciosa, principalmente o exercício de reconhecimento dos clássicos da pop (David Bowie, Leonard Cohen, Elton John). Emily Watson é um anjo maravilhoso. Com este filme Von Trier alcançou o céu. Depois de se ver este monumento percebe-se que tudo o que ele fez depois é trabalho menor (até mesmo "Dancer in the Dark", muito bom, apesar do supremo maniqueísmo - fica tudo abaixo desta obra-prima). Foi para classificar filmes como este que foram inventados os superlativos.
No domingo o filme que correu no dvd foi "Frida". Já se sabe: ao tentar-se enlatar vidas inteira dentro de 1h30/2horas de filme, os biopics ficam quase sempre aquém de toda a plenitude cinematográfica. Este filme sobre a pintora de bigode também sofre do mesmo, mas observado de uma perpectiva documental é um objecto agradável. As histórias entrelaçadas de Frida Kahlo e Diego Rivera (e ainda, lá pelo meio, Leon Trotski) valem pelo retrato. Aplauda-se o empenho pessoal de Salma Hayek neste empreendimento, como antes já Ed Harris havia feito com "Pollock". Sem serem brilhantes, estes filmes revelam bocados das vidas dos que deram arte ao mundo e mostram um bocadinho dos seus mundos (muita coisa fica por explicar, claro). "Basquiat" de Julian Schnabell será o exemplo do biopic quase-perfeito, mas nem sempre é possível um trabalho desta magnitude (BSO incluída). Por isso são louváveis estes esforços, exercícios interessantes, especialmente pela divulgação que se promove. Que se façam mais.
posted by Nuno Catarino @ 22:07
#0035 (Uma Certa Forma de Despedida)
Enganamo-nos. Constantemente, a nós e aos outros. Por isso, de cada vez que alguém parte, de cada vez que alguém se levanta, nos cumprimenta e vai embora, de cada vez que nos vamos embora, fazemos despedidas dizendo coisas improvisadas, se fossem pensadas soariam a disparate
- Depois encontramo-nos, depois vemo-nos por aí... Ok, depois levo-te os cd's!
e no depois não há tempo, é longe, desfazem-se os laços nesse tempo que, despercebido, passa. E quando se tem vontade de voltar a esse tempo em que essa companhia tinha um significado maior é tarde, tarde demais, já não se consegue lá voltar
- Ok, depois levo-te os cd's
é só uma maneira pobre de dizer até sempre, amigo, até sempre, a menos que nos encontremos por um feliz acaso da vida numa rua perdida de Vila Nova de Gaia, mas eu nem costumo passar por lá, talvez no Pinhal Novo, também não faz parte das minhas rotas, mas quem sabe, se te encontrar de certeza que direi
- Ok, depois levo-te os cd's
como forma disfarçada de dizer que não me esqueci, que dessas manhãs no café do Campo Grande, tu chegavas primeiro e guardavas a mesa, sempre entre as ciganas e as miúdas do secundário, eu chegava sempre atrasado e tomava o café à pressa, há algo que ficou preso porque
- Ok, depois levo-te os cd's
na verdade os cd's não interessam para nada, interessa todo um resto que não se vê e é dificíl de expressar quando não se quer parecer maricas. Eu depois levo-te os cd's.
posted by Nuno Catarino @ 01:05