Agora é que é, agora é que vou falar a sério dos discos da minha vida. Vou listar os discos que me fizeram ouvir música de outra forma, me abriram portas para outros universos, discos dos quais gosto muito e aos quais volto com uma frequência maior que aos resto. Claro que falar de vida é muito relativo [a tragicidade recente a que todos assistimos mostrou-nos o quão relativa pode ser] e daqui a uns tempos poderão ser outros a figurar na lista. E este tipo de escolhas é sempre mais sentimental que racional. Hoje, dia 31 de Janeiro de 2004, os discos da minha vida são estes:
- AIR "Moon Safari" [1998]: Eu só ouvia rock e não gostava de “marteladas”. Este disco mostrou-me que a electrónica podia ir muito mais além do que eu sabia, conseguindo ao mesmo tempo ser lúdica, pop e belíssima.
- NIRVANA "Nevermind" [1991]: As camisas de flanela e o grunge da adolescência afinal podem ser intemporais, se nós quisermos (talvez a música mais que as camisas). Agora já não quero imitar o Kurt Cobain, mas de cada vez que ouço este disco volta a “smells like teen spirit”.
- CHET BAKER "The Best of Chet Baker Sings" [1953]: A fragilidade do trompete e da voz... O convite ao romance em vinte dos mais belos standards. Let’s get lost.
- GODSPEED YOU BLACK EMPEROR! "Lift Your Skinny Fists Comme Antenas To Heaven" [2000]: A descoberta (tardia, como sempre) do pós-rock, ao lado dos Tortoise, Sea and Cake e Gastr Del Sol. Um álbum de viagens infinitas, entre prazer e dor.
- THE GO-BETWEENS "The Friends of Rachel Worth" [2000]: Alt/indie da melhor colheita, num álbum que é só excelentes canções, de uma banda irregular e genial, desconhecidos nos 80’s e desaparecidos nos 90’s. Descobri-os pela nostálgica “Surfin’ Magazines” (também eu as lia com uma prancha de bodyboard ao lado).
- KING CRIMSON "In the Court of the Crimson King" [1967]: É importante reconhecer que a loucura é uma coisa antiga... e os portões enormes do progressivo foram-se abrindo a partir desta obra fantástica. [Vincent Gallo também é fan.]
- BLUR "Blur" [1997]: Nunca alinhei pela brit-pop – os Oasis tinham umas músicas giras, mas sempre gostei mais um bocadinho dos Blur. Este álbum é uma obra-prima absoluta, entre o pop mais bem feito e a experimentação com sentido - dúsicas divinais. Perdoem-me este devaneio, mas para mim a música #7 ”You’re So Great” [And I Love You] é a mais bela canção de amor que alguma vez alguém fez (Coxon mereces o Céu).
- JOHN COLTRANE "A Love Supreme" [1964]: A meio caminho da invenção do free, a obra máxima de um génio, daqueles que nos visitam muito raramente. Uma prece grandiosa de amor a Deus, onde a alma viaja com o saxofone no caminho para a Luz.
- TOMMY GUERRERO "A Little Bit of Something" [2000]: Responsável, juntamente com os Air, pela minha adesão à electrónicas. Um disco de melodias simples, onde uns acordes roubados da guitarra acompanham batidas melancólicas num fim de tarde em que já não dá para estar na praia.
- STAN GETZ & JOÃO GILBERTO "Getz/Gilberto" [1964]: Bossa nova em jazz, foi por aqui que as orelhas se começaram a afeiçoar ao sopro do saxofone tenor [do grande Stan Getz] e à ternura sem tempo do João Gilberto [na companhia de Tom Jobim e Astrud Gilberto].
posted by Nuno Catarino @ 12:28
2004/01/30
Os Discos da Minha Vida [Volume 0]
Estava para fazer um post só sobre os discos da minha vida [vai ser o próximo] mas depois percebi que era importante ser sincero e relembrar também os primeiros discos de que gostei, afinal, como disse o Miguel Esteves Cardoso no Blitz, não se começa a gostar de música a ouvir logo o primeiro disco dos Velvet Underground [nem do "A Love Supreme" do Coltrane]. Eu comecei por ouvir coisas bastante más - felizmente nunca gostei de Bon Jovi. Isolado na freguesia de Fonte Boa, concelho de Esposende, distrito de Braga, Portugal, sem acesso aos media relevantes, a verdade é que tive infância e adolescência musicalmente pobrezinhas. Até à minha conversão ao bom gosto houve um longo caminho. Espero, com este meu exemplo de coragem, convencer mais gente a fazer o mesmo e confessar os seus gostos adolescentes de que entretanto se tenham arrependido. Bem, se ninguém o fizer serei motivo de chacota por toda a blogosfera portuguesa, mas esse é um mal menor comparado com o alívio de consciência que é fazer esta confissão pública. Não adio mais o momento... Bem, vamos lá a isso... Foram estes alguns dos discos [nos primeiros tempos quase só cassetes piratas] que me marcaram nesses tempos de hiper-borbulhência:
- Guns 'n' Roses - várias cassetes gravadas [mas nunca fui grande fã]
- Aerosmith - "Get a Grip" [rock FM do melhor, um álbum cheio de grandes músicas]
- Nirvana - "MTV Unplugged In New York" [finalmente uma coisa consensual - e eu era mesmo fan... o Kurt foi o maior!]
- Eagles - cassete gravada com "MTV Unplugged" ["The Last Resort" repetidamente e, claro, "Hotel California"]
- Eric Clapton - cassete mal gravada da rádio com algumas músicas do "MTV Unplugged" ["Could you know my name, patatipatata..."]
- Pedro Abrunhosa - "Viagens" [música portuguesa de ruptura, isto é bom...]
- Foo Fighters - "The Colour and the Shape" [no pós-Nirvana, a tentativa de regressão a 1994]
- Offspring - "Smash" / "Ixnay on the Hombre" [bem, isto foi o pior de tudo, o quanto eu gostava de apagar estas memórias!]
Mas depois, por graça de Deus, veio-me o bom gosto.
posted by Nuno Catarino @ 20:44
Brownie's Blues & The Dance of Death of John Fahey
E agora... blues. Um esclarecimento: jazz não tem nada a ver com blues! Existe vulgarmente uma associação genérica entre Jazz e Blues... coisas que não tem nada a ver. Costuma haver esta confusão porque os promotores dos dois estilos costumam ser os mesmos. Felizmente estou cá eu para salvar o mundo da terrível desgraça da confusão. [Realmente há ligações, que são fortes, mas encontram-se a um nível de investigação histórica e estilística profunda - como aqui só se fala pela superfície isso agora não interessa nada.] Blues é um preto a tocar guitarra e/ou hamónica enquanto canta as tristezas da vida, da plantação de algodão e dos barcos que navegam o Mississipi - é isso que interessa agora.
Brownie McGhee dedilha a guitarra e canta "Everyday I have the blues". Sonny Terry toca a harmónica. Há mais outra guitarra, tocada por Bennie Foster. São "Brownie's Blues". Comprei o disco na Valentim de Braga, há uns longos meses, confiando no selo da colecção "Original Blues Classics" - confirma-se, grandes blues, originais e merecedores do estatuto de clássicos. Custou-me 3,99E [tenho de parar com isto, ou ainda me hão-de alcunhar qualquer coisa como "the-less-than-5-euro-maniac-cd-buyer"]. Incrível, como pode um puto mimado como eu partilhar aquele sentir, tão intensamente vivido por outros lá longe. Ou então só a simplicidade da vida - em "Door to Success" Brownie McGhee canta:
"I don't want to get rich / I just want to wear a smile / I want finance and romance / and then I'll be satisfied". Pois é.
Ainda blues, mas agora branco, instrumental e menos ortodoxo. John Fahey foi um genial marginal da estrada azul. Acompanhado da sua guitarra, Fahey espalhou virtuosismo encantado por diversas gravações. O movimento pós-rock de Chicago adoptou-o como referência (ou avô). O senhor morreu em 2001, mas só há pouco tempo é que foi lançado o seu último registo, "Red Cross" [uma cruz vermelha na capa], do qual ainda não ouvi mas já li maravilhas (na Ampola) sobre. "The Dance of Death and Other Plantation Favourites" é um disco dos 1960s (da editora Takoma) absolutamente maravilhoso nos seus rendilhados. É a única obra que lhe conheço, foi comprado na mesma altura dos "Brownie's Blues".
Vender a alma ao diabo afinal não deve uma coisa tão fora do vulgar, estou desconfiado que estes seguiram o exemplo do Robert Johnson. Eu não tenho os blues todos os dias, raramente por cá passam, mas quando passam batem mesmo.
posted by Nuno Catarino @ 00:52
A Vida Alcatifada e o Autógrafo
Num momento de elevada pós-modernidade, comprei "A Vida Alcatifada", pequeno livro de pequenos contos da Sarah Adamopoulos [ed. Fenda, 1997] no Feira Nova da Póvoa de Santo Adrião por 2,5 euros - do que já li posso dizer que os textos estão recheados de humor, sexo, relações familiares e outras coisas desta vida. Uma bela descoberta, para ir alternando as leituras. Ainda navegando pelas letras, aqui fica uma novidade de fazer inveja: já tenho o livro "Uma Casa na Escuridão" autografado (e com dedicatória) pelo autor [emprestado à Sofia, o "Nenhum Olhar" ficou em branco]. O mal é que o curso se acabou.
posted by Nuno Catarino @ 00:51
Conta-me Estórias
Atenção! Há um novo blog onde se contam histórias e estórias, prosas desencontradas ou bocados de alguma coisa que teve de sair em palavras. É um projecto meu a meias com a Felisbela. Alguns textos que notoriamente se encontravam perdidos nest'a forma do jazz foram para lá transferidos. Outros hão-de ir aparecendo... na esperança que haja sempre alguém a pedir: Conta-me Estórias.
posted by Nuno Catarino @ 00:50
2004/01/28
Ó Óscar, É Sempre a Mesma Coisa!
Foram ontem divulgados os nomeados aos Oscares de Hollywood. Vou comentar as nomeações, mas teço algumas considerações prévias. Gosto. É uma cerimónia bonita, toda a gente engalanda, vestidos caros e jóias emprestadas, até os mais rebeldes fazem a barba, tudo aperaltado. Como é transmitida em directo pela televisão o evento ganha uma dimensão universal, mas também atinge um perigoso nível de concentração - nesse dia e para todo o mundo o Cinema é aquilo (e só aquilo). Esquece-se que se trata de uma gigante máquina industrial, oleada pelas empresas produtoras e distribuidoras, para quem os resultados de bilheteira interessam só, "aquela coisa da arte" é uma coisa bonita mas realmente só lhes interessa se puderem facturar mais alguns zeros com isso. Como qualquer votação, acaba por ser injusta, mas isto já não é exclusivo de Hollywood. Apesar das infinitas categorias, é sempre uma meia-dúzia de filmes a receber as nomeações todas. Os grandes filmes passam ao lado, de vez em quando lá se mistura um ou outro, talvez por descuido da Academia. Uma breve análise histórica confirma que os grandes momentos do Cinema passaram ao lado dos Óscares - por exempo, Citizen Kane e Pulp Fiction só ganharam prémios de argumento. Ao longo do tempo já muitos nomes foram justamente glorificados, mas muitos outros foram ignorados - e às vezes no fim da vida alguém se lembra de um "Prémio Carreira" para pobre compensação. Se o Festival de Cannes tivesse a mediatização dos Óscares, e deixasse de ser ghetto intelectual para ter uma projecção global, tratar-se-ia de um espectáculo mais digno, com maior sentido de oportunidade e justeza na atribuição dos prémios. E permitiria a divulgação de cinefilias marginais ao grande público. Mas este ano não é excepção e os Óscares estão aí. Não podendo fugir à humanidade de que sou feito já sei que vou vibrar com esta encenação.
Eu queria era falar das nomeações... vamos a isso. "O Senhor dos Anéis Nº3", "Master & Commander" e "Mystic River" encheram o lote, sendo nomeados para quase tudo. "Lost In Translation" conseguiu infiltra-se. E houve a surpresa boa d'"A Cidade de Deus" - pretendente à melhor realização. "O Regresso do Rei", fazendo parte de uma trilogia, não deveria ser considerado (como os Matrixes-sequela deste mundo). Quase todos os nomeados fizeram grandes resultados de bilheteiras mas não convenceram muito os "connaisseurs" - [assumindo uma atitude muito elitista-preconceituosa, digo:] eu não vi quase nenhum dos nomeados mas desconfio da qualidade de quase todos. À falta de concorrência de nível, que "Lost In Translation" ganhe tudo. Valha-nos Santa Sofia (Copolla).
posted by Nuno Catarino @ 19:17
2004/01/26
Jazz Enquanto Batatas Fritas
Dizia-me a minha colega Luísa (ax-amiga, depois desta conversa) a opinião dela sobre o jazz, e passo a citar de memória:
"O jazz é bom como música de fundo, enquanto se conversa com um gajo bom e se bebe uns copos... o jazz serve como acompanhamento, assim como umas batatas fritas à volta de um bife com molho de café."
Ora, se a partir deste raciocínio podemos destrinçar um silogismo positivo - quem ouve jazz é gajo bom ergo sou um gajo bom - por outro lado há nele coisas de que discordo. Para mim, jazz é mais que música de fundo, vai para além do simples acompanhamento de algo mais; jazz, na minha opinião, vale por si só, enquanto arte tem força própria.
Mas, como acontece com toda a arte, a relação com o espectador tem mais que ver com a sua entrega e menos com a arte em si. Vejamos o exemplo de três filmes, todos em exibição (e eu ainda não vi nenhum): "O Último Samurai", "Lost In Translation" e "Pai e Filho". Poderemos hierarquizá-los pala facilidade de adesão: se "O Último Samurai" [que fontes próximas me asseguram ter muitas qualidades, apesar de eu me manter céptico] não pede ao público qualquer tipo de esforço, já "Lost In Translation" necessitará de mais alguma disponibilidade; "Pai e Filho", de Aleksandr Sokurov, só poderá ser apreciado na sua grandiosidade se o espectador estiver disposto a uma grande entrega.
Nem todos e nem sempre temos a mesma disponibilidade, tempo, entrega ou paciência para dar às mais diversas formas de arte que nos aparecem pela frente. Não se pode é negar logo de início algo sobre o qual não se tem conhecimento e que de começo pareça difícil. Porque talvez noutra circunstância, e com mais álcool no sangue, a beleza se vá assim a modos que entranhando na pele. Primeiro a abanar a cabeça e quando se dá por ela já é tarde demais e estamos a trautear a melodia. Agora apeteciam-me umas batatas fritas.
posted by Nuno Catarino @ 23:54
2004/01/23
The Shape of Jazz to Come
Finalmente!
O objecto a que este blog foi roubar o título [numa tradução livre] veio-me finalmente parar às mãos: "The Shape of Jazz to Come", disco de Ornette Coleman. É um dos quatro discos mais importantes de Ornette, pai do free jazz (e da música improvisada). Entre 1959 e 1960, na trilogia de álbuns "The Shape of Jazz to Come", "Change of the Century" e "This Is Our Music", Ornette fez a anunciação do que estava para chegar; "Free Jazz [A Collective Improvisation by the Ornette Coleman Double Quartet]" (1960) foi o manifesto, a revelação desse mundo novo, livre como a pintura de Jackson Pollock na capa. A partir daí tudo foi diferente.
Mas o caminho para a revolução foi longo. Se antes já Coleman havia editado algumas gravações, foi com "The Shape of Jazz to Come" - o primeiro álbum editado na Atlantic - que a sua arte se elevou ao céu. Acompanhado por Don Cherry, Billy Higgins e Charlie Haden, Ornette desbravou melodias decompostas, ultrapassou barreiras e ignorou leis. Abandonou a melodia e tudo o que mais quis. Criou o caos e mostrou que a beleza também lá está (apesar de, já sabemos, ser uma coisa rara). Este disco inclui a belíssima "Lonely Woman" - provavelmente o seu tema mais citado - para além de "Eventually", "Peace", "Focus on Sanity", "Congeniality" e "Chronology". É um disco de prazer e descoberta. O jazz actual, na possibilidade de ilimitada liberdade, é um enorme devedor de Ornette Coleman, da sua revolução. Mas tudo começou por aqui.
posted by Nuno Catarino @ 01:24
2004/01/22
All (That) Jazz
Finalmente consegui comprar o número 9 da revista All Jazz. Comprei-a hoje, na fnac, depois de convencido pelo João Moreira dos Santos (do Jazz no País do Improviso), um dos escribas regulares da publicação. Confesso, havia algo que me afastava desta revista. Normamente há uma coisa que me faz não conseguir pegar numa revista, que é a falta de cuidado (ou mau gosto) gráfico - é o que me acontece com a Visão e a Magazine Artes, por exemplo. No caso desta revista não posso pegar por aí - há (muito) bom design, grafismo e paginação. Um dos motivos maiores para até agora nunca a ter comprado era o preço - 5 euros seriam mais bem investidos em meio cd, pensava; ora, como é bimestral o dinheiro vale por mais tempo, logo compensa. Então qual é o problema maior da nossa revista de jazz? Eu digo: é o seu formato físico, aquela coisa da dupla capa, quer se pegue de um lado ou de outro somos obrigados a olhar para a capa. Aquele aspecto, pretencioso mas desfuncional, não convence. Pessoalmente, sugiro que se corrija o problema da capa. O resto é excelente, bons artigos, bons colaboradores [incluindo Jorge Lima Barreto sempre a jazzoffar], boas críticas e - a minha secção preferida - blindfold test (também conhecido como "às escuras" - teste que consiste em fazer adivinhar o nome dos músicos e/ou dos temas). Aguardo ansiosamente que me convidem para um blindfold test, mas na condição que apenas toquem músicas que eu conheça (sugestão: "My Funny Valentine", Chet; "So What", Miles; "Lonely Woman", Ornette; "Salt Peanuts", Dizzy & Bird; "Giant Steps", Coltrane). Enquanto não me convidam fico a ler os dos outros. Uma grande revista, esta. Foi a primeira que comprei. Mas como alguém disse no fim de um (ou dois) filme(s): "Louie, I think this is the beginning of a beautiful friendship!"
PS: Já agora, só um pormenor: Chick Corea escreve-se Chick Corea e não Chic Corea (gralha várias vezes repetida na mais recente edição).
posted by Nuno Catarino @ 01:18
2004/01/21
Morte Lenta No Dia a Acabar
Quero acreditar na imortalidade. Porque o tempo que por cá nos dão não chega para nada. Mas porque é que os dias são tão curtos que depois do trabalho só nos sobra tempo para duas garfadas de obrigações antes de voltar ao dormir? No céu, a luz das dezoito horas na Póvoa de Santo Adrião flutua de tão bela, indecisa entre laranja e azul, como só é possível em Paris, Texas (na versão filmada por Wenders). Viajamos para casa, ainda sobram seis horas até à meia-noite, horas de graça, que Deus Todo-Misericordioso nos oferece. Mas esse tempo foge entre o cozer das batatas, o engolir da comida e a lavagem do prato. E damos por nós sem tempo para, livres, procurar o caminho da felicidade que, ouvimos dizer, existe. Vamo-nos adiando, no prolongar de desejos para além do prazo de validade. Tal como no filme de Wim Wenders a esperança vai-se perdendo à medida que o tempo escoa. O que eu queria mesmo dizer é que estou para sacar da net o álbum da Isobel Campbell, “Amorino”, mas ainda não consegui por falta de tempo.
posted by Nuno Catarino @ 00:09
Disto Não Há Todos os Dias
Foi uma espécie de tertúlia literária. Lá estavam eles, o novato José Luís Peixoto e o ancião Urbano Tavares Rodrigues. Um a mostrar a curiosidade dos novos, o outro num imparável desfilar de histórias e memórias. Um diálogo de saber literário, lição magnífica. Eu estive lá!
posted by Nuno Catarino @ 00:07
2004/01/20
A Libertação do Vício
Pronto, acabou-se, foi a última vez! Não torno a falar disto. É só desta vez. Prometo! Vamos lá a isto, com calma, como não volto a saborear este prazer ao menos deixem-me apreciá-lo devagar... Fui à loja do Vasco da Gama (sim, à VC!) e não resisti ao vício... Foram mais quatro, debaixo do braço.
- The Byrds - "Byrdmaniax" (1971): o pior disco dos Byrds, sem o fulgor dos primeiros, mas com uma genialidade que persiste - falamos dos Byrds! 6/10
- Plone - "For Begginer Piano" (2000): electrónica lúdica, entre o easy listening e a descoberta. 8/10
- Kid Silver - "Dead City Sunbeams" (1998): rock alternativo de boa linhagem. 6/10
- Tram - "Frequently Asqued Questions"(2001): ainda mais delicioso que Paradise Motel, mais suave e embalante. 8/10
E agora sim, acabou-se, nunca mais, Valentim nunca mais! Se por acaso alguém me vir a aproximar-me de uma destas lojas tem permissão, repito, tem permissão para me interpelar e começar a discutir a arte da produção da Blue Note dos anos '50, do grafismo das capas à qualidade do som e aí por diante, desviando-me da maldita loja para me pagar um "Jamaica blue mountain" no Café di Roma mais próximo. Se este esquema não resultar e eu ainda assim persistir em me dirigir à VC podem bater-me até ficar inconsciente. VC nunca mais!
posted by Nuno Catarino @ 00:55
2004/01/19
Derby Jazz: Solteiros Vs. Casados
Depois do sucesso da primeira convocatória da selecção dos gigantes do jazz para uma equipa futebolística, deixo agora duas equipas possíveis (todos no activo): uma equipa de consagrados "mainstream" e outra de artistas mais à margem (alguns mais que outros). Num confronto o resultado seria uma incógnita. A criatividade da equipa laranja conseguiria suplantar a coesão dos azuis? O equilíbrio do "mainstream" conseguiria vencer a inventividade dos "fora-da-lei"? Haveria faltas, penaltys e expulsões? Acabaria em empate zero-a-zero ou goleada? Alguém avança prognósticos?
PS: Erro táctico - o Stanley que deveria estar no lugar de trinco deveria ser o Stanley Jordan (formando um trio poderoso de guitarra com Scofield e Metheny) e não o Clarke que por lapso entrou no onze titular. Faz-se agora a substituição. Mas a afinidade (partilhada com o Anarca Constipado) pelo Stanley Clarke obriga-me a confessar que fez uma boa primeira parte.
posted by Nuno Catarino @ 23:25
Velha Infância
Reavivada a memória por um post do Mel de Lama, viajei até aos tempos do mítico computador a cassetes ZX Spectrum 128k, quando os jogos de computador eram (mais que) tudo na vida. Para mim houve um jogo que me marcou, mais que os outros todos: Rick Dangerous, um plágio descarado da personagem Indiana Jones, mas com muita mais pinta... e jogabilidade fabulosamente viciante! O Rick Dangerous II, apesar de engraçado, não tem o nível do primeiro. Para quando a reedição do Ricky I em Playstation? Se souberem avisem-me, que eu vou já a correr comprar uma...
posted by Nuno Catarino @ 01:17
Finalmente, a Desilusão
Vindo de um fim de semana no Norte, revelo, finalmente a V.C. deu-me uma desilusão: é que nem um cedêzito arranjei na loja de Braga! Ainda assim trouxe uma coisa para compensar, o dvd do filme "Amor Cão" ("Amores Perros"), que ainda não vi, por 7,90€.
posted by Nuno Catarino @ 01:04
2004/01/15
A Sério, Eu Não Trabalho para a Valentim de Carvalho
Antes de mais um esclarecimento: eu não trabalho, não tenho relacionamentos, nem interesses comerciais ou de qualquer outra ordem na Valentim de Carvalho. Mas, admitamos, conseguir cd's por menos de cinco euros é um acto de justiça divina... daí esta saudável(?) paranóia. Fui mais uma vez à loja do Colombo, rebuscar as sobras que deixei da outra vez... E que sobras! À excepção de "The Court and Spark" (foi 3,99), comprei tudo da lista abaixo por 1 (um) euro! Deixo algumas notas sobre as últimas aquisições e pela primeira vez na vida vou experimentar dar classificções (escala 0-10) à lá crítico do Blitz [o meu sonho desde menino sempre foi ser crítico de música, finalmente vou poder experimentar].
AAVV: "SourceLab 3Y"
Mais uma compilação da editora dos Air, desta vez de coisas de 1997. O drum'n'bass dá uns ares, mas há muitas calmarias agradáveis onde repousar. Inclui Black Strobe. 6/10
AL COHN, BILL PERKINS & RICHIE KAMUCA "The Brothers!"
Disco jazz de 1955 com um trio de saxofones tenores. Cool jazz em versão fraquinha, ainda assim merecedora de algumas audições. 5/10
THOMAS FEHLMANN: "Thomas Fehlmann, Good Fridge. Flowing: Ninezeronineight."
Electrónicas berlinenses bem maradas, como a gente gosta. O grande Maurizio também entra na festa (à última faixa). 8/10
THE COURT AND SPARK: "Ventura Whites"
Partilham a editora Glitterhouse com os Wallkabouts, Dakota Suite e Califone. Pedal steel guitar e voz arrastada, a verdadeira música americana passa por aqui. 7/10
TOSHINORI KONDO "Touchstone"
Um japoina que se faz viajar de trompete eléctrico. Disco de 1993. No inlay alguém o referiu como sucessor ao trono de Miles. Maluquices destas são sempre bem-vindas! 6/10
S.O.L.O "Out Is In"
Mais um disco de electrónica rebelde, este de 1999, sem caminho certo, mas com muita vontade de o procurar. E é disto que é feita a grande música. 8/10
FRANCO D'ANDREA & LUIS AGUDO "Enrosadira"
Obra de jazz transnacional (entre um italiano e um argentino), de 1991. Inventivo o bastante, extremamente agradável. 7/10
TEK9: "Simply"
É hip-hop... mas construído sobre tapetes sonoros bem elaborados. Por mim tirava-se a voz e seria um grande álbum. 4/10
JOSEPH COLOMBO: "Compositions 1924-1942"
Gravações da metade inicial do século passado, onde um acordeão balança valsas menores, ou "a música ao serviço do coração", como diz na capa. A B.S.O. de Amélie Poulain em versão original - percebi agora que Yann Tiersen não passa de um grande aldrabão. É música desta que nos dá vontade de amar com muita força. 10/10 posted by Nuno Catarino @ 23:39
2004/01/14
O Post Que Faltava
Era o post que faltava. Ora sendo eu um grande fã do Vincent Gallo era uma grande falha ainda não ter aqui falado dele. Vou então agora tentar explicar as causas do meu fascínio por este mito dos tempos (pós-)modernos. Este artista multifacetado tem desenvolvido nos últimos anos uma actividade artística incomparável. Depois de uma infância problemática e de uma adolescência passada com Basquiat (com ele formou a banda musical Grey), foi pioneiro do hip-hop, como "Prince Vince", trabalhou como modelo para a Calvin Klein e foi actor em filmes como “O Funeral” de Abel Ferrara (era o morto), “A Casa dos Espíritos”, de Billie August (era o filho bastardo) e até no filme português “A Idade Maior”, de Teresa Villaverde.
Lançou-se como realizador com o filme "Buffalo '66". Um objecto inegavelmente autobiográfico, mas altamente experimental, que vistas as influências reunia uma panóplia referencial alargada - falaram em Godard e Cassavettes. Foi a partir deste filme (que, confesso, fui ver só porque não havia bilhetes para “Elizabeth”) que mudei a minha maneira de olhar o cinema. A banda sonora, entre o progressivo e o jazz, inclui King Crimson, Yes e Stan Getz, para além de temas do próprio Vincent. Foi por aqui que comecei a desbravar os caminhos do progressivo, "In the Court of the Crimson King" e "Fragile", adquiridos respectivamente antes e depois, estão irremediavelmente associados a este filme. O standard “Fools Rush In”, em playback de Ben Gazzara, é inesquecível - comprei o álbum “The Unforgettable Johnny Hartman” só porque incluía esta música. O filme consegue conciliar de forma perfeita o drama mais fundo com um humor tolo e naïf, muito à maneira de Kitano. Christina Ricci, roliça e em versão loiraça dá um toque de sensualidade diferente. O filme está impregnado de ternura até ao frame final. Se tiver que escolher o filme da minha vida vou dizer “Buffalo’66”; porque estas escolhas são mais sentimentais que racionais, mas também porque realmente o filme mudou de algum modo a minha vida.
Em 2001, Gallo lançou o seu primeiro álbum de música original em nome próprio - "When", editado pela Warp. Trata-se de um conjunto coerente de canções a balançar entre melancolia terna, divagações acústicas e sentimentos à flor da pele. Até há uma música dedicada a Paris Hilton, a jovem loira, mana mais nova herdeira dos hotéis, [foi em tempos foi alvo de adoração minha e do Marinhez] e que recentemente se envolveu num escândalo sexual (um vídeo que circula pela internet já teve mais downloads que o da Pamela Anderson). A nível musical “When” é extremamente estimulante. Comparativamente, é mais interessante que a recolha “Recordings of Music for Film”. Este também é um óptimo disco, e embora se trate de um conjunto de trabalhos mais dispersos e ensimesmados, a nível geral é criativamente excitante.
No ano passado, o seu mais recente filme, "Brown Bunny", foi a Cannes e marcou o festival, embora não tenha sido pelos melhores motivos (foi mais por uma cena explícita de sexo oral)... apesar de haver críticos que repararam no filme pelo seu lado bom. Agora parece que Gallo está a remontar o filme para fazer com que os criticos que classificaram o filme como "o pior de sempre" se arrependam do que disseram. Aguardo ansiosamente por este road movie, mas já não deve faltar muito para chegar às salas.
O site vincentgallo.com (segundo lá diz, feito pelo próprio) é a melhor porta de entrada neste mundo pessoalíssimo. Está carregado de textos absolutamente devastadores, com um humor irónico "fantabulástico" (vide entrevista de Vincent Gallo a Vincent Gallo). O tipo gosta de dizer que é republicano, provavelmente só para poder mostrar mais um bocadinho o seu lado anti-politicamente correcto. O homem tem mau feitio, é narcisista, egocêntrico e chato como o raio... Mas, vão por mim, é também um génio. Eu quando for grande quero ser como ele.
posted by Nuno Catarino @ 22:27
2004/01/13
Aos Saldos (Outra Vez)
Fui mais uma vez aos Saldos, desta vez à Valentim de Carvalho do Colombo. Só trouxe três cds. Por 3,99€ trouxe "Flight Paths" dos "The Paradise Motel", banda indie de que conhecia duas músicas. Uma era a deliciosa "Cities", que percorre uma carrada de lugares escolhidos dum mapa velho, e o primeiro verso começa: "Unbearable in Portugal, miserable in Mexico..."). A outra música também já que conhecia era uma versão magnífica dos Cars, bela de arrepiar - "Who's gonna drive you home, tonight" nunca mais vai soar a 80's chunga, os violinos vão ressoar na mente até ao infinito. Por dois euricos trouxe ainda duas compilações: "Source Rocks" e "Playpen - An Album of New Acoustic Music". O segundo disco ("Playpen") é uma colectânea de uma nova geração de singer-songwriters ingleses, quase todos desconhecidos, mas que inclui no alinhamento Billy Bragg e Kathryn Williams (e só por esta já valia a pena). "Source Rocks" é uma compilação da Source, editora dos Air. Já tinha visto este cd há uns meses, mas nessa altura não o trouxe para não andar muito carregado... Veio hoje. Inclui artistas muito Air-like, como Sébastien Tellier e Bertrand Burgalat, que acompanham outros músicos a brincar com moogs e outras electrónicas engraçadas - este álbum é de 1998. Acho que para hoje não foi mal.
posted by Nuno Catarino @ 23:42
No Código Penal, Jazz!
Como na blogosfera não se pagam direitos de autor, roubo esta ideia genial ao Assador de Bifes (diz, quem provou, que são bons). Disse ele:
"Li há uns dias no Expresso que o Paulo Pedroso ouvia Jazz na prisão. A quem é que interessa isso? Já estou a imaginá-lo em tribunal:
Juíz: Condenado a 10 anos de prisão no estabelecimento prisional de Caxias, sem direito a visitas e com uma refeição diária.
Advogado: Mas o meu cliente ouve Miles Davis!
Juíz: Ah! Sendo assim, reduzo a pena para 1 ano de prisão domiciliária"
Eu proponho uma adopção imediata desta lei, mas prevendo várias situações devido ao seu grau de especificidade:
- Escutar Keith Jarrett: redução do tempo da pena para metade;
- Ouvir Kenny G (e gostar): passagem prisão domiciliária para pena de prisão efectiva;
- Ouvir Chet Baker: passagem de pena de prisão efectiva a prisão domiciliária;
- Possuir um (ou mais) disco(s) de Diana Krall: agravamento da sentença em dois anos de prisão;
- Ouvir Sonny Rollins: passagem de pena de prisão para liberdade condicional;
- Possuir mais de cinco discos de John Coltrane: liberdade total;
- Ouvir João Gilberto: liberdade total e oferta de um cartão que no futuro dará acesso ao Céu.
posted by Nuno Catarino @ 23:10
2004/01/12
Eu, Que Não Gosto de Hip-Hop
Fui ontem ver "Bully", filme de Larry Clark anterior a "Ken Park" mas com distribuição atrasada. Enquanto objecto cinematográfico não passa de um objecto curioso, como tantos outros por aí há. É a história um grupo de jovens americanos, oriundos da classe média mas com vivências que se aproximam do white-trash, que um dia decide matar um outro rapaz. O filme mostra a história, desde a tomada de decisão, passando pela atabalhoada definição do plano, até à prossecução(?) do mesmo. O interessante da coisa é que se trata de um caso verídico. Aquilo realmente aconteceu! Mas a acumulação de parvoíce é tanta que parece absolutamente irreal. Já se sabe que na adolescência a propensão para o disparate atinge níveis de perigosidade, mas aquela gente abusa! O tom geral do filme não é pesado - apesar do elevado drama de algumas cenas o humor constante alivia-lhe alguma dureza. Como alguém já disse, trata-se de um filme de "sexo, drogas e hip-hop". O meu momento favorito do filme é quando entra na banda sonora a música "When the sh*t goes down" dos Cypress Hill. Eu até não gosto de hip-hop, mas Cypress Hill é outra onda... E parece que nos filmes a sua música ganha outra vida. No filme de Abel Ferrara "Os Viciosos" ("The Addiction"), fantástica transposição metafórica do vampirismo para a toxicodependência, o hino legalize "I Wanna Get High" está presente no filme todo como uma assombração constante, tão importante como a fotografia a preto e branco. O álbum de '93 "Black Sunday" junta os meus temas preferidos todos ("Insane in the Brain", "I Wanna Get High" e "When the Shit Goes Down"), numa espécie de best of antecipado. Quase um guilty pleasure, para quem não aprecia o hip-hop... Mas completamente "insane in the brain"!
posted by Nuno Catarino @ 20:20
2004/01/11
Jantar de Turma ou Indian Tandoori Meets Habermans
Participei ontem num acontecimento social do mais alto nível: o jantar de turma, ou da ex-turma, o jantar dos antigos colegas da faculdade. Estes eventos ocorrem de tempos a tempos, numa média de duas vezes ao ano, sem regras bem definidas e com a participação média de 6 pessoas (não está mal, para uma turma que tinha 30 alunos). A marcação da hora é feita apenas para confundir eventuais colegas que não tenham o espírito da turma (já todos sabem que se marca às 9:00-9:15PM mas ninguém aparece antes das 21:45). Contrariamente ao que estava previsto de início tivemos que efectuar uma troca de restaurante, pelo que o “Toma Lá Dá Cá” de boa memória foi abandonado em favor do maldito “Calcutá 2” onde tinha jurado nunca mais lá por os pés, após uma reunião de má memória (alimentar) com o clã Caxias. Felizmente desta vez a coisa não correu mal, pelo menos para mim, já que os bifinhos de frango não foram acompanhados pelos dois quilos de picante de que o resto dos colegas se queixava. Acho que a única coisa que aprecio verdadeiramente na cozinha indiana é o molho de “menta líquida, verde-claro quase fluorescente”, de que falou Jorge Mourinha. O resto passa-me ao lado, naquela exuberância de condimentos. Ao contrário do Mourinha [senhor crítico de cinema do Blitz, perdoe-me a familiaridade] ainda não percebi o fascínio e a sensualidade da coisa (pelo menos, que eu visse, ninguém subiu às mesas para fazer strip-tease enquanto se degustavam os alimentos). O resto do tempo foi a habitual converseta de reencontro (então o que fazes, onde estás, como te chamas, etc). Ainda houve gargalhadas, por exemplo, quando a propósito de uma mítica e dificílima cadeira se falou em Habermas e alguém perguntou muito ingenuamente “Quem é esse gajo?”. A Lénia chegou atrasada mas ainda apareceu, belíssima (franja muito gira) [aliás, as colegas são todas], e houve fotos e tudo. A noite acabou no Estádio, o espaço tascunço mais marcante da nossa pós-modernidade. Já não fomos atendidos pelo Senhor Manel, soubemos que faleceu, e não nos conseguimos habituar à simpatia do novo servente – “Então e agora ninguém nos insulta?”. Entre sorrisos e recordações deixamo-nos levar ao passado, que fica cada vez mais longe. Nova viagem marcada para o próximo jantar!
posted by Nuno Catarino @ 16:41
Modernices
A partir de agora o boneco que fica no topo direito da página passa viver dentro de uma bolha e a ter uma personalidade alterável, pelo que, conforme os dias e os posts, o seu estado de espírito (bem como a cor da camisola) será diferente. A arte esteve mais uma vez a cargo da querida Luísa Gonçalves, uma magnífica designer e ilustradora (podem enviar as propostas de emprego e/ou eventuais trabalhos para abf0026@edis.edp.pt).
Descobri hoje que nas lojas Valentim de Carvalho (ou pelo menos na do Fonte Nova) voltaram as promoções. Agora até há cds a 1 euro! O resto varia entre 3,99, 6,99 e 9,99 euros. Claro que há pouca coisa disponível mas mesmo assim, e após alguma procura, conseguem-se achar algumas maravilhas. "Lodger", álbum da genial trilogia de Berlim de David Bowie está lá a 6,99E (nunca o vi tão barato). Também vi o "Aoxomoxoa" dos míticos Grateful Dead, por 3,99E. E olhei um álbum absolutamente desconhecido, mas com uma capa gira, meia psicadélica (letras gordas, cores fluorescentes): "Out There In the Dark" dos Outrageous Cherry. Nunca tinha ouvido falar, nem do álbum nem da banda. Conhecia a editora, Del-Fi, por causa de um álbum de Eden Ahbez - um Cristo perdido numa ilha deserta a nadar em easy-listening, que em 1960 lançou "Eden's Island" (e ainda compôs o standard "Nature Boy", que Nat King Cole cantou). Depois desta recordação resolvi comprar o tal dos Outrageous Cherry, afinal foi só 1 eurico. Em casa fui ouvir o que estava lá dentro. E então a surpresa (esperada): muito boa música, definitivamente rock mas encaixável na secção alt/indie, com algumas influências 1960's, escola psicadélica - afinal a capa "tripalhoca" não está lá só "porque sim". As músicas variam entre as de aguda sensibilidade pop e as outras que se deixam levar em espirais ou viagens para onde não sabemos o destino (como a última "There's No Escape From the Infinite", de 11:35'). O álbum é de 1994. Dez anos depois chegou a altura de o descobrir.
posted by Nuno Catarino @ 22:26
Aconteceu
Foram trinta minutos de nervosismo, aflição e sofrimento. Nos entretantos ia lançando sorrisos visivelmente amarelos na tentativa de disfarçar o meu indisfarçável estado d'alma. Foi meia hora terrível de inquietude e angústia. O desespero esteve perto. No fim saí de lá um homem novo. Sim, fui cortar o cabelo.
posted by Nuno Catarino @ 22:01
2004/01/08
Música de Gaja
Para justificar a sua adesão e a minha discordância relativamente à qualidade de alguma música negra actual (Rn'B ou como raio se chama), uma colega de trabalho [nº36 do postal] define-a como música de gaja. Utiliza ela este termo muito rebelopintiano para classificar o tal género que não aprecio (mas onde também se incluem algumas coisas de que gosto muito, como Nicole Willis). Ao ouvir um cd, descobri hoje que música de gaja, verdadeira, é Carole King. Em "Tapestry", disco editado oito anos antes de eu vir ao mundo, está lá tudo. Os amores e a vida, sem maquilhagem (ao contário de quase tudo o que se faz agora). E porque uma mulher é sempre um mistério único também o disco se faz de preciosas peculiaridades. O álbum inclui hits fantásticos como "You've Got a Friend", "Like a Natural Woman" e "Will You Love Me Tomorrow" (versão das Shirelles, original incluído na colectânea pessoal de que já aqui falei). E baladas maravilhosas, que crescem e nos surpreendem, como que se tivessem sido semeadas ao acaso e de repente damos pela sua grandeza. Não se trata, como muitas vezes acontece, de uma manta de retalhos; é tapeçaria do mais fino recorte. Na capa do disco um gato figura ao lado da mulher que dentro da rodela canta. Vou ali buscar o cobertor, acendo a lareira e o gato mia. Prefiro esta calma quente à barulheira pseudo-glamorosa da outra tal música de gaja, artificial e desalmada. Descobri afinal que um dos discos pop que muito me acompanha nesta vida é "música de gaja". E se a minha consciência hetero não fica abalada por cantar "(You Make Me Feel) Like a Natural Woman" é porque a boa música não se restringe a rótulos patetas. Mas eu até gosto tanto deles...
posted by Nuno Catarino @ 23:30
Mudança Insignificante e Inconsequente
Mudei de nome. De Katz passei a assinar Nuno Catarino. Katz é mais simples e curto de escrever. Pelos comentários da blogosfera vou continuar a assinar assim, que é mais rápido; aqui no blog vou postar com o meu nome verdadeiro. Pronto, confesso, é só uma tentativa de recuperar a credibilidade perdida por ter falado na Shakira.
posted by Nuno Catarino @ 23:20
Da Legitimação de Shakira II
Já aqui falei antes do meu fascínio por essa coisa que se chama Shakira. Escusado será dizer que o meu entusiasmo tem menos que ver com algum aspecto musical mas exclusivamente com o aspecto erótico-soft que a moçoila exibe em permanência. Pois retorno agora a este assunto, tão do nosso agrado, devido a um post de Alta Fidelidade e à descoberta deste blog: Shak-Attack! Esqueçam que a rapariga canta, ponham um disco do Chick Corea (por exemplo "Now He Sings, Now He Sobs", Blue Note 1968) e atentem nas fotos. Aquele arzinho de menina natural do subúrbio, que nem com muito esforço se consegue alcançar, provoca os sentidos de forma irresistível. Kirsten Dunsts, Scarlett Johanssons e Merche Romeros deste mundo: afastai-vos, que a Shakira vai passar. Até o Gabriel Garcia Marquez concorda.
posted by Nuno Catarino @ 23:16
Do Ano Que Passou
Do ano que passou há muito para dizer. Entre os registos que a história tratará de gravar e as levezas que daqui a um mês já se foram, a memória de 2003 é muita. A memória guardada de algo é sempre mais o que se sentiu do que o relato exacto do que foi. Neste universo extremamente umbiguista que é a blogosfera, a importância do sentir ganha contornos ainda mais relevantes. Assim, consciente do egocentrismo em que me meto, conto do que vi, vivi e senti.
2003 foi para nós, bloggers ilustres e bloggers anónimos (a ordem ao contrário estará mais correcta), o ano dos blogs. Como fungos, blogs apareceram, cresceram, multiplicaram-se, desapareceram e alguns houve até que, imagine-se, se mantiveram até hoje. A opinião do cidadão anónimo, que dantes se mostrava exclusivamente em círculos fechados de amigos, ganhou um palco de ampla divulgação, uma dimensão pública. Como muito bem explica a minha amiga Carla Luís (num trabalho a apresentar brevemente para o mestrado de Comunicação e Indústrias Culturais da Católica), sob o apadrinhamento de figuras como Pacheco Pereira, Pedro Mexia e Pipi, deu-se a criação de um novo espaço público. Para nosso bem, nós que partilhamos isto.
Para a história mundial, 2003 ficará como o ano do regresso à guerra. Para mim a guerra seria sempre algo a evitar. Mantendo uma opinião que sigo desde os tempos da mais tenra e borbulhenta adolescência, digo que a guerra é feia e deveria apenas ser usada para defender os princípios básicos que regem a Humanidade. É pena que assim não seja sempre. Do ponto de vista pessoal, definitivamente marcou-me a manifestação em Lisboa contra a guerra, prova do imenso poder de adesão quando se trata de uma causa justa e universalmente unificadora (continuo idealista e sonhador, tenho de me deixar destas tretas).
O nosso país continuou a curtir a recessão de que tanto gosta, só parar contrariar as sempre optimistas previsões desse mago da economia, geopolítica e administração de condomínio que é Luís Delgado. O desemprego continuou a aumentar, tal como os impostos, o custo de vida e mais essas coisas todas que fazem com que a nossa carteira, num cálculo de proporcionalidade inversa, ande mais leve. E o governo continuou o mesmo (pronto, isto agora foi uma redundância...).
A nossa Europa, depois de dividida pela guerra, voltou a unir-se e esteve quase para ter uma Constituição, mas felizmente alguém reparou a tempo que uma comunidade da nossa dimensão deveria ter como guia supremo um texto plural, claro e divulgado, ao contrário do tal projecto do senhor Giscard. Eu estive para apresentar uma pequena proposta, mas desisti, por receio de criar alguma celeuma nos países do norte: a referência à herança futebolística - acho até que a palavra Benfica deveria constar no prefácio (talvez este ano ganhe coragem de apresentar esta sugestão, que certamente colherá muitos apoios).
Mas, fora politiquices absortas a despropósito, houve cousas boas. Fellini voltou às salas, e foi um enorme prazer ver "Amarcord", tal como "State of the Things" (Wenders), "Dolls" (Kitano), "Gerry" e "Elephant" (Gus Van Sant). Foram lançados grandes álbuns de música pop, como "1972" (Josh Rouse), "Give Up" (The Postal Service), "Passionoia" (Black Box Recorder)... E também de jazz, como "Standard of Language" (Kenny Garrett), "Up For It" (Standards Trio), "Past, Present & Futures" (Chick Corea). Foi um ano de grandes concertos, como Sigur Rós, Bobby Hutcherson e Kenny Garrett, que eu tive o prazer de conhecer pessoalmente um dia antes do concerto, na fnac do Chiado enquanto remexia nos cds pela letra K. Ainda houve Francis Bacon em Serralves, o FC Porto ganhou a Taça Uefa e inventou-se em Portugal o stand-up comedy (devedor de muito sucesso à personagem José Castelo Branco, que inspirou mais de metade da produção humorística nacional). Pessoalmente fiquei a conhecer melhor a bonita cidade de Braga, tomei a decisão de usar barba (uma decisão tomada muito antes de Morais Sarmento) e iniciei-me nas aulas com mestre Peixoto.
Isto foi só um bocadinho de 2003, apenas o mais visível, sobra muita coisa que não cabe aqui e outro tanto que, por ser demasiado importante, não pode vir para aqui. 2003 foi blogs, foi uma imensa partilha e comunhão. Que em 2004 a comunhão continue e as ideias deixem de ser só nossas para ser de todos, nem que sejam só alguns bocadinhos.
posted by Nuno Catarino @ 02:00
2004/01/07
Coisas Que Eu Não Percebo
Depois de ter percorrido quase todas as listas blogueiras dos melhores cd's pop do ano apercebi-me de uma coisa que não consigo compreender: uma unanimidade quase total na reverência aos álbuns dos The White Stripes e OutKast. O "Elephant" dos Stripes não me pareceu em nada absolutamente fabuloso, como muitos querem fazer crer. Concordo que tem algumas música boas, como "Seven Nation Army" (grande single), "In the Cold, Cold Night", "I Just Don't Know What to Do With Myself" (de Burt Bacharach) e "Well It's True That We Love One Another" (a surpresa que encerra o álbum, a lembrar os dialogos de Lee Hazlewood com Nancy Sinatra). Mas não tem nada que justifique o recente hype. A salvação do rock? Isso já foi antes. Em 2001 com os Strokes, em 1991 com os Nirvana, em 1976 com os Sex Pistols, em 1963 com os Beatles, em 1956 com o Elvis. O rock salva-se quando mostra que é bom. Este álbum é bom, mas não chega para ser considerado como o melhor de todos em 2003 e que se usem adjectivos excessivos como "obrigatório" e "genial".
O álbum duplo dos Outkast ("Spearboxxx/The Love Below") só ouvi recentemente, depois de confrontado com a sua presença no topo de quase todas listagens. Foi outra desilusão. O primeiro álbum, chamado "Spearboxxx", é quase só um desfile de hip-hop, na sua vertente menos imaginativa. Eu, assumo, genericamente não gosto de hip-hop - quando a música se resolve auto-limitar não pode esperar que eu adira. Mas à excepções, claro. Bem visto, este primeiro cd alinha pela mediocridade. Sobra o segundo, "The Love Below". Há claramente mais variedade de propostas sonoras, não há vergonha em assaltar o baú dos 70's (soul), mas também se misturam batidas actuais. O single "Hey Ya!" é divertido, mas não mais que isso. A versão de "My Favourite Things" talvez seja o que mais me agradou no álbum todo. Mesmo assim, o máximo que conseguiu foi dar-me vontade de ir buscar à prateleira a colectânea pirata onde Mr. John Coltrane destila o mesmo "My Favourite Things" em 21 minutos e 11 segundos de sofrimento, redenção e luz.
posted by Nuno Catarino @ 01:10
2004/01/06
Do Prazer
O mui honorável Crítico considera este vosso blog um blog do prazer, pelo que fez um link pr'aqui, colocando-o numa secção assim designada. Fico agradecido e ao mesmo tempo aliviado com tal classificação, finalmente alguem diz que eu propicio prazer... É que começava a ter a sensação de que era tudo fingido.
posted by Nuno Catarino @ 21:45
Air French Band
Através de meios ilícitos (bendita Santa Tecnologia!) já tenho ao meu dispor o novo álbum dos franceses Air, que só deverá sair no mercado lá para o final do mês. O nome do álbum é "Talkie Walkie" (eles nunca tiveram muito jeito para os títulos). O que se espera de mais um álbum dos Air? O que nos fez gostar deles a princípio foi aquele modo simples de fazer cantigas, suaves mas ao mesmo tempo electrónicas, polvilhadas com um apuradíssimo sentido pop. No últimos tempos os rapazes pareciam um bocado perdidos, os singles não eram a mesma coisa, parecia cada vez mais difícil voltar a encontrar o caminho para um safari na lua. Atenção, temos boas notícias! Este novo álbum, sem se aproximar muito do registo de "Moon Safari", mostra que os moços não perderam a capacidade de nos fazem levitar, apenas andavam brincar às escondidas. Agora voltaram para mostrar que está tudo bem. Somos diferentes do que éramos, mas sabemos que quando quiseremos que um sorriso nos apareça ou que os pés descolem do chão é só carregar no play.
posted by Nuno Catarino @ 01:42
2004/01/05
Do Takeshi Kitano
Fui finalmente ver "Zatoichi", o novo filme de Takeshi Kitano. Ao primeiro olhar poderá parece uma espécie de "Kill Bill" dos pobrezinhos, também com sangue a jorrar, mas numa produção com menos dinheiro para gastar em molho de tomate. Não nos esqueçamos, no entanto, que por vezes as primeiras impressões enganam. O sangue está lá, é verdade, mas a violência sempre foi uma marca de Takeshi. O filme é gobalmente muito bem conseguido, apesar da pobreza da história. A sua arte de filmar continua extremamente engenhosa. A acrescentar, Takeshi inclui momentos de humor. Um humor infantil, naïf e non-sense, do mais puro e belo humor que pode haver. E o filme passa-se todo neste jogo de contrastes, entre a mais terrífica violência e o humor cândido e inesperado. Desde a obra-prima "Hana-Bi" ("Fogo de Artifício") que Kitano vem experimentando registos diferentes. "Kikujiro" é belíssimo, na esplosão de sorrisos e sentimentos a nos obriga. "Brother" terá sido um objecto menor, mas o seu cinema está todo lá. Com "Dolls", Takeshi Kitano alcançou o mais alto patamar, filmando o amor com uma graça e beleza como antes muito poucos o haviam feito. Este "Zatoichi" poderá não ser do seu melhor, mas mantém as coordenadas da sua arte muito acima da mediania. Já tinha dito que é um dos meus realizadores preferidos?
posted by Nuno Catarino @ 01:58
2004/01/04
O Empate Que Não Serve a Ninguém
Terminou o Benfica-Sporting. Um resultado razoável, afinal. Tendo em conta que os dois penaltys são inexistentes, fica o 1-1, o que até não é um mau resultado...
posted by Nuno Catarino @ 21:00
O Meu Reino Por Uma Bolacha
De caminho para a visita domingueira à Gulbenkian deparei-me com o nome de uma loja que me surpreendeu. Como estava de passagem não cheguei a perceber bem o que vendia, mas vi que se situava em Benfica, na Avenida do Uruguai: O Meu Reino Por Uma Bolacha. Um nome lindo, não é? Fosse o comércio tradicional todo assim...
posted by Nuno Catarino @ 20:26
2004/01/03
Eu Conheço Este de Algum Lado, Não é Aquele dos (...)?
Voltando à febre dos testes, agora um roubado ao Juramento Sem Bandeira: adivinhar nomes de álbuns clássicos da pop através das suas capas, só que em versão "pixelizada". Só aconselhado a melómanos devotos que não tenham mesmo mais nada para fazer ou a donas de casa enquanto esperam que as batatas fiquem cozidas. O meu resultado, sem ajudas, foi 40 (ao todo são 70). Façam o teste:
XFM’s Crimbo Album Cover Quiz posted by Nuno Catarino @ 15:10
2004/01/02
Os Quintetos
Eles eram cinco, do melhor que já se viu a actuar, a essência do espectáculo. Peyroteo, Travassos, Vasques, Jesus Correia e Albano: os Cinco Violinos. Formavam uma frente de ataque imbatível. Apesar do meu anti-sportinguismo reconheço que o Sporting pode ser um grande clube... Mas, se o é deve-o, e muito, à prestigiada fantasia que estes senhores espalharam pelos campos. O futebol enquanto arte, assim foi durante muitos anos.
Estes também eram cinco, do melhor que já houve, o próprio espectáculo. Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Charlie Mingus, Bud Powell e Max Roach. Um dia, a convite de Mingus, tocaram todos juntos num concerto que para bem da Humanidade alguém gravou. Os melhores executantes da época, cada um no seu respectivo instrumento, juntos num momento único, em Toronto. Talvez o melhor conjunto All-Star possível de aglomerar. Estávamos em 1953. Ao quinteto chamou-se simplesmente "the Quintet". Bastou. O registo desse mítico concerto chama-se "Jazz at Massey Hall". Preciosidade absoluta.
posted by Nuno Catarino @ 19:51
2004/01/01
Selecção All-Stars
Continuando na onda futeboleira que por certo irá marcar este '04, apresento a convocatória para uma (im)possível selecção. Não me querendo substituir ao senhor Scolari (não fazia mal nenhum pôr o Baía como suplente), proponho uma equipa alternativa. Como todas as selecções esta não pretende ser unânime... mas penso que com estes nomes em campo se ganharia, por goleada, a qualquer equipa num duelo musical.
O onze: na baliza Mingus; Blakey e Roach ao centro, Ellington e Monk nas alas da defesa; meio campo com Dizzy e Satchmo, Miles como organizador de jogo; Bird e Ornette na avançada e Trane como striker. Chet Baker, Count Basie, Lester Young, Sonny Rollins, Bud Powell, Dexter Gordon, entre muitos outros, tinham de ir para o banco.