De novo um artwork by Luisa Gonçalves, variação sobre o mesmo tema, agora versão futeboleira e optimista (temos de ser).
Fomos todos convocados para entrar da melhor forma no novo ano...
Um excelente '04 para todos! posted by Nuno Catarino @ 01:46
2003/12/29
Nightclub
Um sopro, um sopro, um nada, perdi o compasso e reencontrei-o, plim plim plim na bateria, o fumo cega-me de ver e o baixo fica só, o barulho dos copos desfaz atenções, regressa tudo ao refrão, mais um pouco antes do rebentamento, o refrão na memória e as palmas por fim, um silêncio breve e um copo cheio, o João sussurra "stardust", retorna o frenesim, mais sopros, mais palmas, ainda mais fumo e um copo vazio.
posted by Nuno Catarino @ 19:54
2003/12/28
Benfiquismo do Dia
Em jeito de desejo para o novo ano, uma obrigatoriedade: que o Benfica seja campeão! Aqui fica um belo poema da minha maninha Susana, um soneto clássico, decassilábico e não sei que mais. Apreciai:
Planando sobre a selva és grandiosa
Não há rugido ou bicho fumegante
Que atemorize o teu voo pujante
Ó águia, sobre a relva gloriosa
Revelas uma alma pundonorosa
Em teu coração vermelho, berrante
Cada garra trespassa fulminante
Quem não quer tua sina vitoriosa
Milhões veneram teu poder real
Seguem-te e gritam sempre a alto brado
A tua luz é a nossa catedral
Mesmo quando o canto soa calado
Não perdes teu encanto triunfal
Brilho, força e poder em corpo alado
[Susana Oliveira Catarino]
posted by Nuno Catarino @ 01:42
2003/12/26
Que Artista de Jazz Seria Você?
Foi só uma tentativa. O meu irmão já me avisou que não é grande coisa: para os desconhecedores é muito específico e para os conhecedores é muito básico... Para a próxima vai sair melhor, prometo. Façam o teste:
A todas as visitas, aos leitores, aos que fazem comentários, aos que fizeram links, aos amigos, aos conhecidos, aos desconhecidos e aos que tiveram a sorte de nunca por aqui passar:
Um Natal Feliz.
posted by Nuno Catarino @ 01:00
2003/12/23
Já Só Falta Um Dia
Pelo que me contaram, parece que no domingo perdi um fabulástico momento televisivo: José Cid, no Herman Sic, a cantar em cima de um cavalo. Realmente eu perco muita coisa ao me alhear da tv. Ainda a propósito do nosso ídolo favorito: a loucura e a falta de consciência do ridículo fazem parte do misticismo próprio dessa coisa que é o ser-se grande artista. Ou, como pregou há dias a Voz do Deserto, sobre este mesmo autor, "a um artista popular não se pede sensatez, pedem-se músicas".
Tentando sobreviver entre as últimas compras de Natal, descobri que me tinha esquecido de referenciar uma música de Natal belíssima, talvez a minha preferida para este ano: John Lennon - "Merry Xmas (War Is Over)", na versão original, claro.
posted by Nuno Catarino @ 23:43
Numa de Trilogias (Mas "Lord of the Rings" Ainda Não é Desta)
O álbum chama-se "Paper" e é a última parte da trilogia "Stone. Scissors. Paper." da editora Play. Como todas as colectâneas este é um disco com temas de origens e registos diversos. No entanto, ao contrário do que é hábito, revela uma rara uniformidade. O nível da música é sempre extremamente elevado. Os artistas chamados a esta selecção são nomes como Susumu Yokota, Tikiman, Fila Brazillia e Howie B, entre outros. Ora planando entre os fumos aromáticos do dub, ora insistindo num minimalismo quase infantil, o álbum não se esgota num rótulo, acabando sempre por fugir em viagens experimentalmente difusas, mas sem se desfocar das referências centrais que convoca. Comprei o cd nas super-promoções da fnac por 1 (um) euro. É apenas mais uma colectânea de música electrónica. Mas, baseando-me no critério qualidade/preço, acho que foi a melhor compra que já alguma vez fiz.
posted by Nuno Catarino @ 01:03
2003/12/21
O Futebol Pode Ser Uma Coisa Divertida
E, se não acreditam, tirem as vossas dúvidas no Futeblog Total, o blog reflexivo sobre o pós-modernismo no futebol.
posted by Nuno Catarino @ 18:54
Bird Revisitado
Um trio de gente nova - Roy Hargrove, Christian McBride e Stephen Scott - presenteia o velho Charlie Parker com uma bela homenagem. A formação foge aos cânones; não há bateria, só trompete, contrabaixo e piano. Tocam-se músicas de Parker mas não só. E apesar de este ser um álbum longo (65 minutos, distribuídos por 16 temas) não se repete. Sem inventividades, que não se esperariam, mas com um sentimento que remete frequentemente ao homenageado. Um álbum que merece ostentar o nome de "Bird" Parker na capa. "Parker's Mood" saiu em 1995 mas é assim "a modos que" intemporal. Recomenda-se (bem).
posted by Nuno Catarino @ 15:50
2003/12/20
Coincidências Descoloradas
São ambos humoristas de grande sucesso da tv nos seus países. Recentemente ambos pintaram o cabelo de amarelo. São eles Herman José e Takeshi Kitano. Estará Herman a pensar enveredar por uma carreira paralela de realizador de filmes de culto? Ou estará Beat Takeshi a planear envolver-se em algum processo de pedofilia? Fica a dúvida.
posted by Nuno Catarino @ 15:38
Antes o João Sebastião [1685-1750]
Fui ontem assistir ao Concerto de Natal do Instituto Gregoriano de Lisboa. O espéctaculo foi na Sé de Lisboa. Os coros gregorianos não me entusiasmam muito. Principalmente desde que surgiu a moda de vender cantilenas pop como se os obscuros cantores fossem monges, com túnicas à Delfins. Mas o espectáculo foi interessante. Não houve tanta gregorianice como o nome do instituto organizador fazia prever. Musicalmente foi dos interlúdios entre as obras cantadas que mais gostei: obras de J.S.Bach em órgão. Apreciei especialmente a última, Fantasia e Fuga em Sol menor, BWV 542.
A monumentalidade do local foi de encontro à ambiência pretendida para envolver a música. Seriam bem dispensáveis alguns factores de distração, como o inevitável toque do telemóvel ou as conversas paralelas. Os velhos bancos de madeira também rangeram mais do que era suposto, mas vá-se lá ensinar boas maneiras a madeira centenária... Apesar de tudo foi giro (e a irmazinha da Sofia canta muito bem).
Ah, é verdade o que dizem, o Ministro da Cultura é mesmo invisível. No início do concerto anunciaram a sua presença mas eu não o vi.
posted by Nuno Catarino @ 14:40
2003/12/19
Premonições Capilares e Mestre Cid
Já é quase Natal, só falta uma semana. Lembro-me do que disse o maldito do barbeiro... ele bem me avisou que lá teria de voltar antes do Natal. Teve razão, esse adivinho-tosquiador, o cabelo já passa do limite socialmente aceitável para quem não se penteia. Mas, só para não dar a razão a essa versão masculina da astróloga Maya com pêra e bons conhecimentos capilares e de futebol, vou ignorar a trunfa que se aproxima. Depois da passagem d'ano logo se vê. Para já, não. Há vezes em que temos de dar razão a quem a tem. Mas há casos em que, mesmo tratando-se de maiorias, não lhes podemos dar razão, porque a não tem. E temos de, justamente, contrariar. Como acontece com o desprezo que o país vota actualmente a José Cid.
Sabendo da minha afeição pelo artista, um amigo emprestou-me uma colectânea de mestre Cid composta por 4 (quatro!) cds, edição Readers Digest de 1995. Nos últimos dias ouvi os quatro cds intensamente. Confesso, já não me lembrava de muita melodia bonita que a passagem do tempo levou. Mas outras estão bem presentes, como se as tivesse ouvido ontem pela primeira vez.
José Cid começou nisto da música antes de toda a gente; e fez mais êxitos que os outros todos juntos. Nos anos '80 seria do mais popular que por cá havia, ultrapassou as barreiras possíveis, os limites da pop. Actualmente o artista é ostracizado pela classe instalada, que pretenciosamente se acha bem-pensante, mas renega a classe pop de José Cid para erguer lá no alto as melosidades gastas de Rui Veloso (nada contra o artista). Cataloga erroneamente Cid como pimba, ou proto-pimba, obrigando-a a actuações em palcos menores, como natais dos hospitais ou outros que tais. Pois deixai que vos desengane. O artista, já aqui o referi antes, será o nosso mais importante nome da música popular. E deveria ter o merecido respeito. A sério.
PS: Em compensação de tanta maledicência agora até há um blog, feito por gente de bom gosto, chamado Clube de Fans do José Cid.
posted by Nuno Catarino @ 00:50
O João Leitão, colega do Back-Office, iniciou-se há dias nestas coisas da blogosfera. O rapaz tem jeito, ao combinar elementos de formação filosófica com trivialidades mínimas num humor certeiro. Vale a pena adicionar o blog aos favoritos ou linká-lo. O nome do blog é do melhor que vi ultimamente: Sócrates Era Assim Tão Feio? posted by Nuno Catarino @ 22:57
Das Pós-Modernas Evoluções Culinárias
Estou a aprender a cozinhar. Quando tenho os condimentos e ingredientes necessários na cozinha tento fazer receitas que me dizem. No entanto tento também impôr sempre um toque pessoal... que resulta na adulteração da receita original (e nem sempre para melhor). Penso que esta minha tendência culinária tenha ascendência no pensamento desconstrutivista de Jacques Derrida.
Hoje, no metro, ensinaram-me como fazer bifinhos de cebolada. Pareceu simples. Chegado a casa, tentei. Cerca de uma hora depois fiquei com qualquer coisa pronta, que não seriam bifinhos, nem cebolada, mas algo que, a custo, serviu de jantar. É necessário notar, no entanto, que segundo a lei da identidade de Derrida, "o que é, é" - ou seja, tratou-se efectivamente de um jantar. É com os erros que se aprende; e se alguém provar a minha próxima tentativa certamente me irá sugerir uma cadidatura à cozinha do "Bica do Sapato". Entretanto registo algumas evoluções recentes, essenciais para o sucesso nas lides gastronómicas: compra da varinha mágica e abastecimento regular de mercearias. Nos próximos tempos, em matéria de cozinha, vou tentar o afastamento de Derrida e seguir a filosofia escorreita dos clássicos. O disco para acompanhar estas violentas práticas é, obrigatoriamente, "Cookin' with the Miles Davis Quintet".
posted by Nuno Catarino @ 22:35
A Sociedade do Espectáculo
Comprei hoje o jornal "A Bola". Foi só mesmo por causa da oferta de uma bolinha saltitona - durante esta semana todos os dias há uma diferente, hoje saiu a versão ténis. Pelo nome da bolita ainda pressupus que fosse algo malandreco, mas afinal não. E, uma vez que tinha gasto os 65 cêntimos, aproveitei o papel do jornal, li-o. No metro, logo quando o abri, senti-me observado e percebi que era alvo de desprezo pela falta de nível cultural... Para me superiorizar e abstrair tentei dar ares de quem compenetradamente lê Guy Debord.
Eu até nem costumo ler o jornal. Só o li hoje por causa da saltitona... E agora só volto a comprar no dia seguinte à consagração do nosso país como campeão europeu (é já no próximo ano). Mas não percebo é o ódio que pessoas pretensamente enculturadas têm a quem aprecia o futebol. Eles simplesmente não compreendem a importância da entrevista do capitão do Benfica, a eleição do Zidane como melhor do mundo, a ida do treinador do Sporting ao circo (esta última também eu não percebo, já que isto acontece todos os dias). Não percebem o fascinío inexplicável e aderem ao sistemático e fácil "bota abaixo".
Para me distrair destas preocupações apetece-me ouvir Leandro "Gato" Barbieri, que com o saxofone finta as notas como Maradona driblou os defesas da Bélgica em 1986 - é a magia da "Latina América". Já o outro - o golo contra a Inglaterra na meia final - esse só é comparável a Coltrane, "A Love Supreme".
posted by Nuno Catarino @ 01:16
2003/12/15
Jarrettices
Tenho para mim que é muito difícil alguém dizer qual é o melhor álbum do Keith Jarrett. Ou então é impossível. Afinal, o homem já teve tantas encarnações... Este pianista começou por apoiar grandes nomes, como Miles, e depois seguiu o seu rumo. Teve o seu período fusionista, ainda Miles como influência, e álbuns como "Death and the Flower". Ao mesmo tempo trilhou um percurso individualizado e como performer livre esbateu a fronteira jazz-clássica; "Köln Concert" talvez seja o mais conhecido, mas há outros importantes, como "La Scala". A partir da década de 1980 criou o Standards Trio, formado em parceria com Gary Peacock (contrabaixo) e Jack DeJohnette (bateria). É com esta formação que se tem mais ocupado nos últimos tempos, lançando discos quase todos os anos, revitalizando velhos standards e o jazz mais clássico. O último disco, "Up For It", é maravilhoso e inclui alguns dos meus standards preferidos de sempre ("Someday My Prince Will Come", "Autumn Leaves" e "My Funny Valentine"). Ainda assim acho que o meu álbum preferido do trio é o duplo "Whisper Not". Abre com "Bouncin' with Bud", segue com "Groovin' High" e "Wrap Your Troubles In Dreams". E nem falo do segundo disco. Mas eles são tantos e tão bons que quando acabo um disco o acho o melhor de todos. Este gajo não se cansa?
posted by Nuno Catarino @ 20:41
2003/12/14
Last Night Eurico Cebolo Saved My Life
Tinha 14 anos e ouvia uma cassete mal gravada com o concerto "unplugged" dos Nirvana. Passava os dias a ouvir a cassete. Era das poucas que tinha e era da que mais gostava. Queria ter o cabelo como o Kurt Cobain. E queria tocar guitarra como o Kurt Cobain. Pedinchei durante meio ano e o Pai Natal, já chateado de me ouvir, fez-me o gosto. O pior veio depois. Depois de desembrulhar o embrulho gigante pensei, e agora? Ficamos eu, que não sabia tocar a guitarra, e a guitarra, que não se sabia tocar a si própria. Por sorte a guitarra vinha acompanhada por um livro de introdução à técnica. Queria aprender sozinho, recusei-me a ter aulas, e com o livro do sr. Eurico Cebolo não consegui descobrir sequer o que era um acorde. Felizmente.
Imagino o que teria acontecido se aprendesse realmente a tocar. Começava a fazer músicas. As rádios passavam-nas, as pessoas iam gostar e tornar-me-ia numa espécie de David Fonseca, mas melhor, ocupadíssimo entre gravações e concertos, sem tempo para as coisas boas da vida. E, pior, quando fosse para a faculdade obrigar-me-iam a tocar na tuna. Do que me safei!
Agora a guitarra está no meu quarto a servir de decoração e a apanhar pó. Obrigado, senhor Eurico Cebolo!
posted by Nuno Catarino @ 14:43
Mais Uma
Acabei de interromper a audição do Stanley Clarke ("Journey to Love") para me entregar a "Another Beginning" de Les McCann. E não sinto qualquer espécie de remorso.
posted by Nuno Catarino @ 02:03
Escolhas Impensadas
Há momentos na vida em que se fazem escolhas. Escolhas que nos marcarão pelo resto do tempo, longo, esse em que a lembrança permanece. Por exemplo, hoje tivemos de escolher entre o Eterno Retorno e a Ler Devagar. Escolhemos a segunda. Ouvia-se ao fundo um piano não identificado. Entre os livros, chá e discussões sobre a nudez do Prado Coelho e a barba do Morais Sarmento passamos um tempinho agradável. Mas nunca saberemos o que aconteceria se fossemos para a primeira opção. Ao menos o Benfica ganhou.
posted by Nuno Catarino @ 01:58
2003/12/13
Pré-Natalidades Pipiescas
A filha do Fernando está quase-quase para nascer, mas ainda não foi hoje. Parece que paciência é coisa que não falta à Beatriz.
Hoje foi Natal na empresa (chamemos-lhe assim, para simplificar). Houve a habitual troca de prendas. E, à noite, jantar de Natal. Na troca de prendas ofereci um livro d'O Meu Pipi ao colega que me calhou na rifa, o Titi [ficou bem, o Pipi para o Titi]. Não fui muito original, houve alguém que teve a mesma ideia (e antes) que eu. Mas acho que ele gostou. A Felisbela também gostou e depois de ler umas passagens convenceu-se a comprar também o livro. No caminho de regresso do almoço passamos por uma rapariga que, sentada no passeio, enquanto sorvia um sol radioso mas inverno lia o já clássico livro da capa amarela. Acho que foi o dia que vi mais Pipis a passearem-se fora das estantes de livrarias e hipermercados.
O jantar foi um espéctaculo, num restaurante em Alcântara. Muitos copos, muita alegria, muitas fotos de câmara digital. E muitos colegas, alguns que já não via vai tempo. Destaque também para os barretes de Pai Natal. A noite não terminou tarde. Oiço "One for My Baby (And One More for the Road)", por Ruth Cameron, antes de dormir.
posted by Nuno Catarino @ 02:00
2003/12/11
Shoppings a (Contra-)Gosto
Fui hoje ao Colombo. Às vezes sou obrigado a ir às compras, é verdade. Parece-me incrível a quantidade de gente que se passeia pelos centros comerciais nesta época. Anda tudo a pensar nos amigos, nas prendas para oferecer? Ainda há subsídio de Natal que aguente?
Primeiro dei uma voltinha por lojas de roupa. Procuro um cachecol (para o pescoço) às riscas, a variar entre o laranja e o castanho, giro. Se alguém o encontrar que me avise. Não gosto de lojas de roupa. Há algumas de que fujo, mesmo. Quase sempre está muito calor, um ambiente abafado, quase irrespirável. Em algumas, com a música ambiente altíssima, sinto-me transportado para uma discoteca de Caneças ou Massamá. As cores mirabolantes da roupa embebedam-me e só vejo fosforescências em espiral. Retomo a custo a consciência e arrasto-me até à porta. Por sorte o porteiro não pede para pagar o consumo mínimo e deixa-me sair à borla.
Depois fui ao Continente. Gosto do Continente no Natal. Passa música de Natal e eu gosto. É um desfile de músiquinhas irresístiveis. Primeiro acompanho o refrão de "All I want for Christmas is you!". Depois passam mais algumas cantarolices. E chega então o grande momento: "Last Christmas"! Ouvir o "Last Christmas" enquanto se escolhe o dentífrico que nos há-de acompanhar durante o proximo mês é um momento único. Primeiro há que disfarçar para que as pessoas não percebam que estamos a playbackar os Wham. Os movimentos dos lábios devem ser disfarçados e principalmente devem-se evitar gestos coreográficos mais exuberantes. É a nossa credibilidade está em jogo e nem os sapatos Camper novos nos salvam.
Tento passar pelo meio da secção dos brinquedos, que é um atalho até à caixa. Tanta gente que se passeia, como se observasse o Sena num deleite delirante; o espanto perante as montras, quais paredes do Louvre forradas a génio. Deixem-me passar, por favor, eu só quero pagar um champô e dentifríco herbal-white!
posted by Nuno Catarino @ 22:46
Roger e Eu
Num olhar de soslaio que lancei a uma revista feminil de pequeno porte, no quiosque onde comprei o Público, fiquei a saber que o Roger [jogador do Benfica, organizador de jogo, grande criativo] anda com a Marta Cruz. Eu sempre disse que o Roger deveria ser titular.
E para acabar de vez com estas listas, aqui vai a última, de cinema:
- DOLLS de Takeshi Kitano
- ELEPHANT & GERRY [ex-aequo] de Gus Van Sant
- THE 25TH HOUR de Spike Lee
- AS SEGUNDAS AO SOL de F.L. Aranoa
- GOODBYE LENIN! de Wolfgang Becker
Menções Honrosas:
- HOLLYWOOD ENDING de Woody Allen
- BOWLING FOR COLUMBINE de Michael Moore
- INTOLERABLE CRUELTY dos Irmãos Coen
posted by Nuno Catarino @ 00:45
Top5 #4: Álbuns Internacionais
Este ano, como acontece sempre, houve revelações, confirmações e, também, desilusões.
- JOSH ROUSE "1972"
- BLACK BOX RECORDER "Passionoia"
- TOSCA "Dehli9"
- THE POSTAL SERVICE "Give Up"
- ROSIE THOMAS "Only With Laughter Can You Win"
Mas há outros que também poderiam fazer parte do top5:
- THE STROKES "Room on Fire"
- MADLIB "Shades of Blue"
- KENNY GARRETT "Standard of Language"
- BELLE & SEBASTIAN "Dear Catastrophe Waitress"
- JAGA JAZZIST "The Stix"
- BONNIE PRINCE BILLY "Master and Everyone"
- KEITH JARRETT, GARY PEACOCK & JACK DeJOHNETTE "Up For It"
- THE GO-BETWEENS "Bright Yellow Bright Orange"
- BONOBO "Dial M for Monkey"
- BROADCAST "Haha Sound"
- GRANDADDY "Sumday"
- YO LA TENGO "Summer Sun"
- MANITOBA "Up In Flames"
- THE SEA AND CAKE "One Bedroom" (de 2002 ou 2003?)
posted by Nuno Catarino @ 00:10
2003/12/10
Top5 #3: Álbuns Nacionais
Da colheita nacional 2003 ainda se safaram algumas coisas. O acontecimento mais importante talvez tenha sido a visibilidade ganha pela Borland, gostei de Old Jerusalem. Para o fim da lista, uma inevitabilidade.
- SÉRGIO GODINHO "O Irmão do Meio"
- JACINTA "Tribute to Bessie Smith"
- AZEMBLA'S QUARTET "Esquece Tudo o que te Disse"
- OLD JERUSALEM "April"
- JOSÉ CID "Nasci P'rá Música: Antologia"
Menções Honrosas:
- MÚSICA PARA CARLOS PAREDES "Movimentos Perpétuos"
- DAVID FONSECA "Sing Me Something New"
posted by Nuno Catarino @ 20:16
2003/12/09
Top5 #2: Música ao Vivo
Foi uma grande pena os cancelamentos de João Gilberto e Karlheinz Stockhausen. Seriam provavelmente dos acontecimentos mais marcantes da década. Houve, no entanto, outras coisas boas:
- SIGUR RÓS (Coliseu Lisboa);
- KENNY GARRETT (Monsanto);
- SCLAVIS, TEXIER & ROMANO (Serralves);
- BOBBY HUTCHERSON (Guimarães);
- BETH GIBBONS & RUSTIN' MAN (Coliseu Lisboa).
posted by Nuno Catarino @ 22:34
Top5 #1: Artes de Palco
Nos fins/inícios de ano é comum assistir-se nos jornais a um interminável desfilar de listas dos melhores acontecimentos culturais do ano. Revelando uma capacidade de antecipação imensa, vamos aqui botar as nossas escolhas. Começamos pela categoria de artes do palco. A primeira lista:
- MI-NOUS (Culturgest);
- OH QUE RICOS DIAS (TE Mário Viegas);
- TITO ANDRÓNICO (D.Maria II)
- A FESTA (Taborda);
- STAND UP TRAGEDY (Maria Matos).
posted by Nuno Catarino @ 22:28
E, Como Estamos na Época...
Mais uma maravilha da Luisinha, desta vez ela retocou e pintou no Corel Draw.
São os desejos deste blog.
posted by Nuno Catarino @ 00:12
Foi Só Um Susto
Já tenho, graças aos préstimos do Gallagher Jorze, o computador a bulir*. Tenho que domesticar este bicho, de vez. Já estou farto destas brincadeiras dele.
*Termo usado pela geração tuning para designar algo que se encontra em correcto funcionamento.
posted by Nuno Catarino @ 00:08
2003/12/08
O Declínio do Meu PC, Tochas, Habermas & Outras Audições
Começou mal, o fim de semana. Mais uma vez, como vem sendo hábito, o pc crashou. Com a minha especial arte para afinar máquinas apliquei-lhe um format c: [tomei-lhe o gosto] o que o deixou em pior estado do que antes. Antes só não dava para aceder a sites. Agora nem liga... Tentei compensar o resto do f.d.s para me esquecer desta infelicidade.
No sábado, com a Carlinha, o CCB teve a sorte de assistir às nossas discussões sobre Espaço Público, candidatos presidenciais de esquerda, Habermas e quotas obrigatórias de música portuguesa na rádio. O jantar foi uma maravilha descoberta em Belém; o filme que se seguiu "O Declínio do Império Americano" [num artigo o Prado Coelho convenceu-me a lá ir] foi uma comédia notoriamente datada mas interessante.
O domingo também foi agradável. A Sandra convenceu-me a assistir a uma actuação do Tochas ao pé da Mexicana. Foi giro. Mais giro do que estava à espera. O que mais me agradou foi a capacidade dele em interagir com factores surpresa. Comédia "real time" em género mimo. Muito bom. A noite foi um reencontro com o Clã Cachelini (apesar da falta de alguns membros). Ultrapassado o problema logístico da falta de restaurante para 8 pessoas [na rua da Barroca, não vi o nome], assistimos ainda à vitória esmagadora do SLB por 3. Dias assim são poucos. A noite terminou com uma discussão sobre "catalogações" em música. O Pico defendia que a catalogação, apenas feita se necessário, deveria ser feita com base em critérios unicamente técnicos. Eu considerava que a subjectividade é que faz o leitor ter uma ideia do que realmente se trata. Mantenho.
O meu pc entretanto também se mantém, avariado. Pelo menos as aquisições recentes do Cash Converters anima-me:
- Gal Costa "Gal Tropical": brasilidades que são sempre bem vindas;
- Donovan's "Greatest Hits": um 60's songwriter que me faltava;
- Lou Donaldson "Good Gracious!": um quarteto em formato alternativo (sax alto, guitarra, orgão e bateria);
- Cliff Jordan "Cliff Jordan": quatro sopros (sax alto, tenor, trompete e trombone), qualidade Blue Note.
e ainda um guilty pleasure (já são tantos): a colectânea com o melhor dos Ban: "Num filme sempre Pop" (o João Loureiro é mais bem aproveitado na música que no Boavista).
posted by Nuno Catarino @ 16:04
2003/12/05
Umbiguismo
Dizem que isto dos blogs é o cúmulo do umbiguismo. Mentira. Eu não olho assim tanto para o meu umbigo só porque tenho um blog. Aliás, olhei hoje para ele e encontrei lá uma pequena bola de cotão.
posted by Nuno Catarino @ 22:54
Dias Tristes Como Hoje
Tomam-me desprevenido. Devia faltar pouco para o pico do inverno pois estava frio muito frio, chovia e lembro-me bem do fumo queimado das castanhas. Há dias assim e não lhes consigo fugir.
posted by Nuno Catarino @ 20:48
75 Cents
Na cadeia de lojas Cash Converters vendem-se discos (vinyl) por 75 cêntimos de €uro. Os singles custam 37 cêntimos. Entre muito lixo consegue-se lá encontrar verdadeiras pérolas. Eu comecei há dias a minha colecção vinyl, com quatro aquisições, grandes álbuns da história do rock, todos em estado razoável:
LOU REED - "Rock and Roll Animal (Live)", 1974
STEVE MILLER BAND - "Fly Like an Eagle"*, 1976
VAN DER GRAAF GENERATOR - "Still Life", 1976
ROXY MUSIC - "Avalon", 1982
(* Pode-se considerar como o benfiquismo do dia.)
posted by Nuno Catarino @ 00:22
2003/12/04
Coisas de Ouvir de Ontem e Hoje
Uma espécie de Jeff Buckley, mas sem estar morto, é o que me parece o Ed Harcourt. As primeiras audições de "Here Be Monsters" não me entusiasmaram muito mas agora estou deveras apaixonado pelo álbum.
Charles Webster: "Born on the 24th of July". A capa é linda e o interior da rodela supera em muito as expectativas. Muito bom. Eu nas electrónicas ando sempre um par de anos atrasado.
posted by Nuno Catarino @ 23:32
Com Alguns de Nós é Assim
Isto que nos une é tão frágil que se parte na chegada do metro à estação.
posted by Nuno Catarino @ 23:13
2003/12/03
EPC ou os Possíveis Leitores Que Fugiram
De visita à minha amiga Catarina, encontrei na fnac o novo livro de Eduardo Prado Coelho. Trata-se de uma colectânea de textos e ensaios sobre literatura e escritores (estranjas & tugas, Zé Luís Peixoto incluído). Depois de ver o título, o qual não me recordo agora e é o menos importante para o caso, vi a contracapa. Na contracapa encontra-se uma foto do senhor Prado Coelho. Mas não é uma foto qualquer. É uma foto do senhor com barba aparada, sem óculos e sem... roupa! O drama!... O horror!... (Repetir com voz a imitar o Albarran antes de conhecer a boazona nova.) Eu, que nunca tinha imaginado ser possível existir um EPC nu, tive um breve choque. Não fosse a grandeza da poesia (e de um livro ao qual me agarrei) de Ruy Belo e aqueles poemas todos veriam-me espalhado no chão. Mas não, aguentei-me e fiquei. Resisti. Afinal, o senhor não está nu. Exagerei. A foto, artística [mas que arte, caraças?, terá ganho algum prémio do World Press Photo?], mostra o senhor apenas de ombros nus. A foto mostra apenas o Prado Coelho de cabeça e ombros nus. Eu ainda não me recompus.
posted by Nuno Catarino @ 00:34
2003/12/02
Yam-Yam
Um dos melhores quintetos só de gente nova. 1994: Kurt Rosenwinkel, Brad Melhdau, Jorge Rossy, Larry Grenadier & Mark Turner. Jazz americano novo daquele que a crítica gosta agora de falar mal. O disco tem uma versão acelerada do "Moment's Notice" de Coltrane e um resto de músicas belíssimas. De vez em quando volto a este disco, raro, mas quando volto surpreende-me sempre.
posted by Nuno Catarino @ 23:43
Discussões Melómanas em Desvario e Coisas de Época
Alguns destes assuntos surgiram-me ao ler blogs amigos e outros. Sinto que tenho de dizer de mim. Eu sei que a minha opinião não interessa para nada mas como tenho um blog posso escrever egosíticamente sobre o que bem entendo :) Vamos lá então a tratar dos assuntos sobre os quais queria dar opinião. Por ordem de chegada ou preferência ou já não me lembro:
- Qual o melhor álbum dos Beatles?
Confesso, na beatlemania sou completamente conservador. O único que rivaliza com o "Sgt. Peppers" é o White Album, mas só pela quantidade, e como não se deve medir as coisas pela quantidade ganha sem dúvida a coerência genial do "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band".
- Kenny G (a praga da época natalícia):
Por princípio sou contra a pena de morte mas depois de ouvir este tipo percebo que há situações que a podem justificar...
- "Last Christmas" dos Wham, ou "the return of the guilty pleasures"
É uma música linda, não é? O ano passado o gajo dos Kings of Convenience fez uma versão da música e eu andei três meses com ela na cabeça. Entretanto também arranjei mais umas cinco outras versões diferentes da música, incluindo uma versão dos Lars Vegas (não queiram conhecer). A ver se este ano o bicho não se me pega de novo. Espero que não, ou terei ainda de ainda ouvir versões feitas, quem sabe, por bandas de metal, e para isso já bastou a experiência com os Abba.
- The Beach Boys Christmas Album
Acompanha sempre o bacalhau lá em casa.
posted by Nuno Catarino @ 23:22